Denúncia liga pesquisa publicada na capa de Veja ao PSDB

Da redação, julho de 2005

O deputado federal Dr. Rosinha (PT-PR) denuncia, hoje, que o instituto Ipsos-Opinion, autor da pesquisa veiculada na capa da edição desta semana da revista Veja, tem ligações com uma série de dirigentes tucanos. Através da página do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na internet, o parlamentar petista descobriu que o único candidato que, em todo o país, fez uso dos serviços da Ipsos nas eleições de 2002 foi exatamente o tucano Geraldo Alckmin.

A pesquisa aponta, entre outras coisas, que 55% dos entrevistados pelo Ipsos teriam respondido que Lula saberia do suposto esquema do mensalão. "A revista inclusive não cita quem encomendou e pagou a pesquisa", observa Dr. Rosinha. "É bem provável que ela tenha sido paga pelo próprio PSDB."

O único dado registrado pela revista diz respeito ao total de entrevistados: mil pessoas. Não há referência ao financiador do levantamento nem às localidades onde os questionários foram aplicados.

Com base nos resultados da pesquisa suspeita, Veja chega a dizer que o PT é visto como um "partido de larápios", e defende que Lula desista da reeleição. "Não há transparência alguma, nem na metodologia utilizada nem no financiamento da pesquisa", sentencia Dr. Rosinha. "Trata-se de um tipo de jornalismo parcial e golpista."

Amigos

O deputado Dr. Rosinha realizou, no último fim de semana, um levantamento sobre o histórico do Ipsos Opinion e de Orjan Olsen no país. Segundo ele, o diretor-executivo do Ipsos-Opinion, Orjan Olsen, trabalhou para Serra antes mesmo de sua campanha à Presidência da República", afirma Dr. Rosinha. "E a campanha de reeleição de Alckmin, em 2002, registra um pagamento de R$ 371,8 mil ao Ipsos."

A prestação de contas da campanha vitoriosa de Alckmin à reeleição revela um pagamento de exatos R$ 371.837,50 ao instituto dirigido por Orjan Olsen.

Multinacional com sede na França, o Ipsos teve seu CNPJ registrado junto à Receita Federal em 2001. Sua filial brasileira está localizada na capital paulista.

Em fevereiro do ano seguinte—quando José Serra ainda era ministro da Saúde do governo FHC—, o então pré-candidato tucano à sucessão presidencial encomendou uma pesquisa para avaliar o tamanho do estrago da epidemia de dengue em sua pré-campanha presidencial. Recorreu a Olsen, já naquela época considerado "pesquisador de sua campanha".

"O ministro [Serra] se reuniu em Brasília com Orjan Olsen, pesquisador de sua campanha, a fim de elaborar um levantamento e delinear uma estratégia que minimize danos à sua pré-candidatura", diz trecho de matéria publicada pelo jornal "Folha de S.Paulo" em 20 de fevereiro de 2002.

Antecedentes

Em maio do mesmo ano, de acordo com a Agência Estado, o comando da pré-campanha de Serra divulga uma pesquisa do Ipsos Opinion em que o tucano aparece com o dobro das intenções de voto de Garotinho (então no PSB) e quase o triplo do índice de Ciro Gomes (na época filiado ao PPS). "Segundo o comando da campanha [do PSDB], o levantamento foi feito pelo Ipsos-Opinion", diz nota publicada pela agência no dia 27 daquele mês.

Em outubro de 2002, mais uma revelação: Orjan Olsen, diretor-executivo do instituto no Brasil, era o responsável pelo "tracking" (pesquisa telefônica diária) da campanha presidencial de Serra.

Conforme nota publicada no dia 19 pela colunista Mônica Bergamo, Olsen prometia aos marketeiros tucanos que o Serra cresceria, "nas próximas pesquisas", quatro pontos percentuais na disputa do 2º turno contra Lula.

Em entrevista publicada no site "Observatório da Imprensa", o próprio Orjan Olsen revela seu papel central na campanha de Serra. Com o segundo lugar do tucano ameaçado por Ciro Gomes, a campanha de Serra passou a bater no então candidato do PPS.

Os ataques obedeceram aos resultados ditados pelo diretor do Ipsos, auto-intitulado "responsável pelo tracking diário dos humores do eleitorado".

"Naquele momento, Ciro tinha 23% das intenções de voto", declarou Olsen na entrevista. Três dias depois da ofensiva —baseada na reprodução de um insulto de Ciro, que chamou um ouvinte de rádio de "burro", e de comentários pejorativos em relação à sua mulher, a atriz Patrícia Pillar—, seu índice nas pesquisas caiu para 12%. A ida de José Serra ao segundo turno estava consolidada.

"Estranhamente, apesar de todos esses registros feitos pela imprensa, a prestação de contas oficial de José Serra não registra nenhuma despesa com serviços do Ipsos ou de Orjan", observa Dr. Rosinha.

Cliente assíduo

Mais recentemente, o PSDB tem feito uso freqüente dos serviços de Olsen e seu instituto. Conforme pesquisa no arquivo eletrônico do "Diário Tucano", boletim editado pelas bancada tucana no Congresso Nacional, o partido encomendou uma série de pesquisas ao Ipsos-Opinion. Todas tiveram resultados favoráveis ao PSDB.

Na edição do "Diário" do dia 1º de junho deste ano, o presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo (MG), faz uso de uma pesquisa do Ipsos para dizer que seu partido teria "amplas condições de vitória nas eleições do ano que vem". O levantamento traz resultados favoráveis a Serra, Alckmin e Aécio Neves (MG)

Em sua versão digital, o periódico Primeira Leitura —100% alinhado aos tucanos— reproduz o levantamento do Ipsos, e elogia a revista "Veja" desta semana: "está excelente".

Nos arquivos tanto do informativo da bancada tucana quanto do Primeira Leitura, descobre-se uma série de matérias produzidas a partir de pesquisas do Ipsos-Opinion.

O deputado Dr. Rosinha afirmou que irá estudar o caso do instituto Ipsos nesta segunda-feira (11), junto com sua assessoria jurídica. "Legalmente, cabe ação judicial. Tanto para que a origem e a íntegra dessa pesquisa venha à tona quanto para defender a imagem do partido em relação à reportagem da revista, que, aliás, sequer ouviu o outro lado."


Com assessoria parlamentar, publicado originalmente na NOVAE.


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