| Denúncia: Recall ‘branco’
O cidadão brasileiro economiza um dinheirinho, junta com o 13º salário e compra, com muito sacrifício, um carro zero – talvez o primeiro de sua vida. Pouco tempo depois, vem o anúncio: ele deve comparecer a uma concessionária autorizada da marca de seu veículo para a verificação e possível troca das pinças dos freios. Portanto, um componente de segurança, coisa séria... ...Freios da Continental
são problemáticos há quatro anos
Ele afirma ter reunido documentos que comprovam a existência de 170 casos do chamado recall branco. "Tenho documentos que consegui com peritos, promotores e engenheiros das indústrias. O principal defeito no recall branco atinge o freio dos veículos", ressalta. Silva garante conhecer, de perto, o processo de fabricação dos freios – motivo do último recall, envolvendo carros da Fiat, General Motors, Volkswagen e Ford –, quando obteve informações importantes sobre a falta de controle de qualidade da Continental em sua linha de produção. Depois de sofrer na pele, Jaílton passou a se informar mais sobre defeitos nos automóveis e acabou virando um expert no assunto. Ele explica que os consumidores convivem com problemas em seus carros há muitos anos, mas que só após a mobilização de todos os brasileiros contra empresas negligentes haverá uma solução. Criada há sete anos,
mas registrada em novembro de 2001 como uma associação legal,
a Anvemca tem dois objetivos principais: fazer valer os direitos dos consumidores
e colaborar para a redução do número de vítimas
fatais do trânsito. De acordo com dados da associação,
em 2001, mais de 90 mil pessoas morreram nas estradas, sendo que entre
20% a 25% a causa foi falha do veículo. "O projeto Pare, tão
divulgado pelo Governo, só fala em motoristas culpados, mas se esquece
que a indústria automotiva também colabora
O trabalho da entidade, segundo Jaílton, não é apenas criticar as montadoras e sim conscientizá-las de que se pode chegar a uma solução que agrade a todos. "Enquanto nos Estados Unidos e na Europa, a cada lote de 1 milhão de veículos, de uma a duas pessoas morrem, no Brasil este número sobe para 25." Luís Otávio
Pires | Editor Adjunto
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