Denúncia: Recall ‘branco’

O cidadão brasileiro economiza um dinheirinho, junta com o 13º salário e compra, com muito sacrifício, um carro zero – talvez o primeiro de sua vida. Pouco tempo depois, vem o anúncio: ele deve comparecer a uma concessionária autorizada da marca de seu veículo para a verificação e possível troca das pinças dos freios. Portanto, um componente de segurança, coisa séria...

...Freios da Continental são problemáticos há quatro anos
Problemas com sistemas de freios da Continental Teves existem desde 1997 e a empresa já chegou a fazer, recentemente, um "recall branco" (conserto de defeitos sem comunicar o consumidor). O alerta é do presidente da Associação Nacional das Vítimas de Montadoras e Concessionárias Automobilísticas (Anvemca), Jaílton de Jesus Silva, que garantiu ter encaminhado ao Governo federal um dossiê contendo denúncias de que as montadoras ainda escondem da sociedade defeitos detectados em veículos, colocando em risco a segurança dos motoristas.

Ele afirma ter reunido documentos que comprovam a existência de 170 casos do chamado recall branco. "Tenho documentos que consegui com peritos, promotores e engenheiros das indústrias. O principal defeito no recall branco atinge o freio dos veículos", ressalta.

Silva garante conhecer, de perto, o processo de fabricação dos freios – motivo do último recall, envolvendo carros da Fiat, General Motors, Volkswagen e Ford –, quando obteve informações importantes sobre a falta de controle de qualidade da Continental em sua linha de produção.

Depois de sofrer na pele, Jaílton passou a se informar mais sobre defeitos nos automóveis e acabou virando um expert no assunto. Ele explica que os consumidores convivem com problemas em seus carros há muitos anos, mas que só após a mobilização de todos os brasileiros contra empresas negligentes haverá uma solução.

Criada há sete anos, mas registrada em novembro de 2001 como uma associação legal, a Anvemca tem dois objetivos principais: fazer valer os direitos dos consumidores e colaborar para a redução do número de vítimas fatais do trânsito. De acordo com dados da associação, em 2001, mais de 90 mil pessoas morreram nas estradas, sendo que entre 20% a 25% a causa foi falha do veículo. "O projeto Pare, tão divulgado pelo Governo, só fala em motoristas culpados, mas se esquece que a indústria automotiva também colabora
para esses números, na medida em que são negligentes na qualidade de seus produtos", acrescenta o vice-presidente da Anvemca, Sandro de Oliveira.

O trabalho da entidade, segundo Jaílton, não é apenas criticar as montadoras e sim conscientizá-las de que se pode chegar a uma solução que agrade a todos. "Enquanto nos Estados Unidos e na Europa, a cada lote de 1 milhão de veículos, de uma a duas pessoas morrem, no Brasil este número sobe para 25."

Luís Otávio Pires | Editor Adjunto
Fonte: Jornal Hoje em Dia – Minas Gerais (Caderno Veículos)


Consciência.Net