Diante disto, seria imaturo tratar a questão da obrigatoriedade do voto somente sob o ponto de vista do eleitor. E explico por que: logicamente, as pessoas não gostam de se sentirem obrigadas a cumprir regras, estão cansadas de ouvirem sobre corrupção no meio político, estão descontentes com o governo, enfim, vários motivos poderiam ser citados para justificar o desinteresse pelo exercício do voto. Porém, o voto nada mais é do que o instrumento de participação dos cidadãos na conformação do poder político, e o que falta aos eleitores é esta conscientização.
Quem se recorda ou quem leu algo a respeito dos períodos árduos da ditadura, quando nem as mulheres podiam votar, quando as decisões nos eram impostas sem que pudesse haver manifestação contrária às ordens do governo, com certeza tem idéia do valor do ato de votar.
É urgentemente necessário o entendimento de que o voto não é somente um dever, mas antes um direito. Renunciar a ele, anulá-lo ou até mesmo deixá-lo em branco é demitir-se da cidadania, é fugir de uma responsabilidade e, além do mais, quem não se digna a exercer este direito não deve nem se queixar.
Pode-se pensar em voto facultativo sim, mas
em outra circunstância histórica; quando alcançarmos
a felicidade de fazer parte de uma sociedade sabedora de que a política
decide desde o preço e a qualidade da comida até a realização
de nossos sonhos de consumo, quando o apelo de consciência que faz
a democracia for atendido. Enquanto houver indiferença, desinteresse
e essa apatia coletiva que toma conta do eleitorado brasileiro, o voto
tem que permanecer obrigatório. Sem a participação
de todos não haverá avanço para a conquista da plena
cidadania.
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