A volta do mercado de bundas, por Maria Izabel Bruginski
  Desde os tempos remotos, a sociedade se alterna em modismos determinados por alguns setores mais influentes da sociedade. Porém, nessa última década, com o avanço dos meios de comunicação, temos sido obrigados a aturar algumas manifestações decadentes e sórdidas. Sim, estou falando dessa onda Funk com suas músicas (se é que se pode chamar isso de música) com letras que se fossem de baixo nível, ainda seriam melhores do que são.

  Diversos jornalistas, sociólogos, educadores e outros profissionais têm se preocupado e com razão com essa "mania". Já li vários artigos e reportagens sobre o assunto. Todavia, o que me deixa apreensiva é que justamente quem deveria ler esse material, provavelmente não sabe ler, muito menos saber usar um computador.
  Em algumas capitais, os bailes funk já adentraram danceterias famosas, freqüentadas por jovens que aparecem nas colunas sociais. Num primeiro momento isso não leva a maiores conseqüências, mas grande parte da população vê isso como um estímulo a adentrar essa moda ordinária.
  Muitos jovens que se recusam a participar disso são vistos como ridículos, por irem em alguns lugares com cara de boteco fulera, onde toca Zé Ramalho, Zeca Baleiro, Chico Science, Djavan, Chico César, Tribo de Jah, Gilberto Gil, Milton, Tom e Vinícius, com bandas ao vivo, que mesmo desconhecidas, têm mais conhecimento musical que qualquer vertente funk, são vistos como lugares de música ruim (leia-se: fora de moda). Óbvio. Para quê vou num lugar com essas músicas de "péssima" qualidade, que nunca ouvi falar, nem tocam nas rádios em 1º lugar, no qual, a cada passo que dou, não tenho que ouvir duas grosserias, como "essa é preparada", "popozuda, vem pro seu tigrão aqui..." Realmente, prefiro ir nessas festas que sou vista como cachorra, colocar minha bunda em exposição para me auto afirmar... Aí levo um tapinha, que vira um tapa, que vira um tapão, que vira uma bofetada e acaba parando num hospital... Mas um tapinha não dói, né? Mas sabe de uma coisa, já estou escutando aqui gente dizendo que é exagero isso... Que tais "músicas" são inofensivas... Aliás, todo esse remelexo só porque as mulheres são chamadas de "cachorras", "preparadas", "popozudas" (com direito a classificação: popo p, popo m, popo g)? Imagina! Que mal há nisso? Como ouvi por aí: não é só por isso que as coisas vão mudar...
  Enfim, como sempre, seremos minoria em perceber que, se essas modas continuarem, essas danças que rebaixam a mulher a uma bunda e que ainda pior, se deixam rebaixar a isso... Essas pobres garotas esqueceram que respeito a si mesma, amor próprio, valorizar-se é o que a faz e não o seu "popo". Será que não sabem que isso não é sensualidade, é animalidade? De qualquer forma, o que falta é visão, saber ver que nada é passível de conseqüência. AIDS, filhos do tigrão, violência são apenas os primeiros reflexos. O que vão virar as crianças que irão nascer? Quantas mulheres podem morrer por esse estímulo à brutalidade? Quais as proporções dessa disseminação do HIV? Quantos pagarão por essas "anomalias" causadas pelo funk? Essa geração que é o futuro?
  Esses são alguns dos efeitos... E quais são os que não vimos ainda? Espero que ao menos algumas pessoas aproveitem esse momento para enxergar o que estão fazendo consigo...
  Precisamos parar de economizar em conhecimento real e sim, extinguir o mercado de bundas e peitos que a mídia nos empurra... Racionar luz elétrica é compreensível, mas cabeças iluminadas não...

Maria Izabel Bruginski


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