Carta para a ANEEL
Vejam o que este engenheiro escreveu para a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica):

Meu nome é Geraldo Jurandir Vialta, sou engenheiro mecânico, trabalho na UNICAMP, na área de segurança veicular. Como consumidor de energia elétrica no Brasil confesso que estou indignado com esse famigerado "Plano de Redução de Consumo", pois considero que ele só vai beneficiar os atuais esbanjadores, pois para uma família que tem o seu  "fator de demanda alto" é fácil baixar o seu consumo, em  contrapartida para uma família que sempre procurou economizar energia e tem seu fator de demanda bem baixo, qual vai ter que ser o "milagre" para se conseguir tal redução?
 
A minha família, por exemplo, é constituída por 4 pessoas. Temos 1 chuveiro elétrico (4000w quando inverno), 1 geladeira 440 litros (96kwh/mês), 1 freezer 220 litros (80kwh/mês), 1 ferro elétrico (comum), 2 televisores - (60w cada uma), à noite, não ficam mais do que 3 lâmpadas (100w cada uma) ligadas ao mesmo tempo, quando dormimos (por volta das zero horas) todas as lâmpadas ficam apagadas.
 
O nosso consumo mensal é em torno dos 300kwh. Para atingir o consumo sugerido por vocês devo fazer uma redução de 21%, portanto o meu consumo a partir do mês de junho deve ser de 237kwh/mês, desses, 176kwh/mês (geladeira + freezer) já estão comprometidos, sobram 61kwh/mês para que eu e minha família possamos assistir televisão, tomar banho e acender lâmpada (passar roupa é luxo, não precisa, podemos vesti-la sem passar mesmo, não é?)...
 
Um alerta: estou colocando consumo padrão das minhas geladeiras, ou seja, se ela ficar o mês inteiro com as portas fechadas, para que não entre calor dentro dela. Na verdade, quem entende um pouquinho de consumo de energia, sabe que não se tem muito o que alterar no consumo de uma geladeira, quando mexemos nas posições de seu termostato, isso só é relevante quando se abre muitas vezes a sua porta, mas como eu e minha família saímos de casa às 7:00 horas e retornamos às 19:00 horas, nota-se que minha geladeira fica o dia inteiro fechada e assim fica difícil reduzir o seu consumo. A não ser que a desliguemos, pois na pré-história ninguém tinha geladeira, e as "pessoas" conseguiam sobreviver do mesmo jeito, se pensarmos "bem" talvez seja um bom negócio para o governo que eu venda a minha geladeira, assim eu teria uma economia de quase 200kwh/mês, olha que legal! E mais, eu poderia estimular o consumo de sal (que é produto nacional) salgando os meus alimentos, brilhante, mas será que isso não poderia gerar inflação? O preço do sal poderia subir...  Hum!!! Que dúvida!!!
 
Se estendermos o brilhante raciocínio do governo, para que tomar banho e quente ainda... Vamos parar de tomar banho, pois assim estaremos economizando energia elétrica e água ao mesmo tempo, que legal! Acho bom eu parar porque senão vou ser convidado para ser o ministro do governo FHC...
 
Que vergonha gente!!! Em cima do meu consumo eu pago a exorbitância de 33,3% de ICMS (se bem que só anunciado 25%, para quem não sabe matemática)... Aonde vai esse dinheiro? Cadê os investimentos na área? Teria virado pó? Pois, segundo a Bíblia, tudo que era pó ao pó retornará.
 
Mais uma pergunta: por que vocês estão exigindo uma redução de energia de 21% na energia do consumidor que só a consome pelo efeito Joule, enquanto que as indústrias que consomem muita energia reativa, pois possuem muitos motores instaladores, terão que economizar percentualmente menos. Não seria mais fácil exigir delas a instalação de sistemas que recuperassem essa energia reativa, como banco de capacitores, motores síncronos etc? Ou será que é difícil fazer com que elas, as indústrias, respeitem as leis? Ou será que vocês aplicam a teoria que a melhor forma de arrecadar dinheiro é taxando o idiota do trabalhador?

Eu teria mais para escrever, mas vou ficando por aqui...

Para finalizar, gostaria que quando esse e-mail chegar aí na ANEEL, seja encaminhado para algum técnico na área (se existir), e que este me desse um retorno com contra-argumentos e tentasse me convencer, ou melhor, me ensinar alguma mágica para que eu pudesse me enquadrar nesse Plano de redução de consumo e conseguir economizar os 21% de energia elétrica e não ter que pagar uma taxa que passou de ser abusiva.

Eng. Vialta


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