Observatório
de Conflitos Urbanos será lançado 2 de maio no Rio
Será
lançado na quarta-feira, dia 2 de maio, o Observatório Permanente
dos Conflitos Urbanos na Cidade do Rio de Janeiro.
O objetivo
é disponibilizar, na internet, um sítio para consulta com
informações sobre conflitos urbanos na cidade..Clique
aqui e saiba mais.
::::26/04/2007
Mapa de Conflitos Urbanos
O
Mapa de Conflitos Urbanos na Cidade do Rio de Janeiro já está
no ar. Estiveram presentes ao seminário de lançamento, realizado
em 16/11/2005, diversas lideranças comunitárias, camelôs,
representantes de movimentos de luta por moradia, entre outros.
Na ocasião,
o presidente da Câmara Municipal, vereador Ivan Moreira, se comprometeu
a renovar o convênio com o Instituto Planejamento Urbano e Regional
(IPPUR/UFRJ) para transformar o projeto em observatório permanente
e aprimorá-lo com a inclusão de novas fontes de pesquisa,
como os próprios movimentos sociais.
Com o
levantamento dos conflitos urbanos pretende-se conhecer melhor os problemas
da cidade e desta forma subsidiar a ação legislativa. A pesquisa
foi proposta pelo vereador Eliomar Coelho em 2003, quando presidente da
Comissão de Assuntos Urbanos da CMRJ.
O mapa
está disponível em http://mapaconflitos.ippur.ufrj.br
::::21/10/2006
Menina de 13 anos é
vítima de ação policial em Acari
Karine
Santos Silva, de 13 anos, é a mais nova vítima da violência
policial. Segundo moradores de Acari ouvidos pela Rede
Nacional de Jornalistas Populares, Karine foi atingida no peito nesta
sexta-feira, dia 20 de outubro, por volta das 14h30, em um supermercado
na rua Edgar Sotelo, na Favela de Acari. A mãe de Karine está
neste momento no Hospital Estadual Carlos Chagas, para onde a sua filha
foi levada.
Os tiros
teriam vindo de policiais militares que participavam de uma operação
sob coordenação do Tenente Rates, do 9º Batalhão.
A reportagem procurou o Tenente para comentar o assunto, mas ele ainda
não havia retornado. Karine Santos Silva está fazendo neste
momento uma drenagem de pulmão. A bala entrou pelo peito de Karine
e saiu pelas costas, segundo testemunhas.
O telefone
do 9º Batalhão é o (21) 3399-6617. O contato de um morador
que está acompanhando o caso pode ser obtido no telefone (21) 8141-3313.
::::20/10/2006
Exército aumenta
desespero de moradores
“O
barulho ensurdecedor dos estampidos se misturava aos gritos dos comandantes
"Atenção! Recuar! Lado esquerdo! Lado Direito!". Juntei-me
ao grupo que estava no interior de uma padaria. Abriguei-me atrás
do balcão e, agachada, fui até a parte de trás do
estabelecimento, no espaço reservado ao forno.
Ali estavam
dois homens que voltavam do trabalho e três mães, desesperadas,
sem notícia dos filhos, sumidos no meio da escuridão imposta
pela tropa (desde o início da ocupação, o Exército
impede que o gerador de luz da praça seja ligado). Nervosa, a dona
da padaria rezava e tentava ligar para o filho que trabalhava na Central
do Brasil. Quando conseguiu discar o número, o barulho de nova saraivada
de balas impediu que ela conseguisse fazer o apelo: pedir que o rapaz pegasse
R$ 20 emprestados com o patrão para dormir em algum hotel barato
da
região. "Não volte para casa. Pelo amor de Deus. Começou
tudo de novo", dizia, entre lágrimas.”
Relato
de repórter do Jornal
do Brasil no front de guerra, no Rio de Janeiro.
Vergonhosamente,
o presidente Lula apoiou
a ação: “Foi extremamente grave o que aconteceu. Não
se sabe quem entrou no quartel e roubou armas. Nós não podemos
permitir que isso continue a acontecer”.
::::10/3/2006
Comissão apura
execuções na Baixada
Criada
pelo Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CCDPH), presidido
pelo ministro dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, uma Comissão
Especial vai apurar execuções sumárias na Baixada
Fluminense. O deputado estadual Alessandro Molon, que é membro titular
da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, vai compor a Comissão.
Os outros
integrantes serão o ouvidor-geral da Secretaria Especial de Direitos
Humanos, Pedro Montenegro, o sociólogo José Cláudio
de Souza Alves, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, o sociólogo
Inácio Cano, da UERJ, o sub-procurador-geral de Direitos Humanos
do Ministério Público Estadual do Rio, Leonardo Chaves, e
representantes do Viva Rio e da ONG Justiça Global.
A comissão
será instalada em 31 de março de 2006, data em que completa
um ano a Chacina da Baixada que vitimou
29 pessoas, em solenidade em Nova Iguaçu com a presença
do ministro. Os integrantes da comissão contarão com o apoio
da Polícia Federal, da Secretaria Especial de Direitos Humanos e
do CDDPH para apurar execuções ocorridas em período
ainda ser definido.
::::1/3/2006
Pelo fim do uso do “Caveirão”
A
Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência, liderada por
mães de vítimas de violência policial, está
encabeçando um abaixo-assinado solicitando a suspensão do
uso do veículo blindado conhecido como “Caveirão” nas operações
policiais nas comunidades de favela, conjuntos habitacionais e bairros
populares do Rio de Janeiro.
Segundo
relato de moradores, a aparência dos veículos e a maneira
como adentram nas comunidades, muitas vezes fazendo vítimas inocentes,
caracterizam-no como um instrumento de terrorismo de estado e agressão
aos direitos humanos.
Quem quiser
assinar o documento pode passar no gabinete ou entrar em contato com a
Rede pelo e-mail redecontraviolencia@grupos.com.br
"O problema
da violência nas comunidades não é reduzido só
a esta questão, mas este pode ser um ponto de partida para a construção
de um debate sobre qual a política de segurança que queremos
para a cidade e para o país", comentou o vereador carioca Eliomar
coelho.
::::29/11/2005
Candidatos a Clint Eastwood
O
caso abaixo é bem emblemático. O advogado assaltado avaliou
que a sua vida valia cerca de R$ 40 mil, ou seja, que preferia arriscar
a vida a perder essa quantidade de dinheiro. Aí aparece outro justiceiro
e sai atirando, num típico bang-bang do faroeste, "salvando" o advogado
—
que
na verdade poderia ter morrido, só não morreu por milagre.
Em um
mundo racional, o advogado em questão teria entregue o que tem sem
resistir e, mesmo que não conseguisse o valor de volta, poderia
tentar chamar a polícia — o
local, uma zona nobre da cidade do Rio de Janeiro, é bem policiado
—ou
ainda conseguir indenização do Estado por não ter
garantido o que lhe é de direito (segurança), como já
ocorreu algumas vezes.
De qualquer
maneira, teria colocado as coisas na ordem correta: primeiro a vida, depois
o resto. Na ordem do relato abaixo, primeiro vem o dinheiro, depois a emoção
de participar de um filme do Clint Eastwood ou de uma novela da Globo (o
'justiceiro') e, aí sim, só depois, a vida.
Ladrões
levam R$ 20 mil e Rolex de um advogado no Corte do Cantagalo
Vítima
tentou reagir segurando cano da arma e bandido atirou 2 vezes. Fonte: O
GLOBO, 20/10/2005
O advogado
João da Fonseca e Silva Elia escapou da morte ontem durante um assalto
na saída do Corte do Cantagalo para a Avenida Epitácio Pessoa,
na Lagoa, em que um homem na garupa de uma motocicleta atirou contra ele
duas vezes e errou. João da Fonseca já havia entregado aos
ladrões um pacote com R$ 20 mil em dinheiro e, ao esticar o braço
para dar o relógio Rolex modelo GMT master, especializado para aviação
e avaliado em cerca de R$ 20 mil, reagiu e agarrou o cano da pistola, que
tinha um silenciador adaptado. O bandido atirou, atingindo o painel e a
porta do carona. O advogado foi salvo por um desconhecido que disparou
contra os ladrões.
O desconhecido
atirou várias vezes e desapareceu. A pistola dos bandidos, de calibre
6,35, caiu e foi apreendida pela polícia. O assalto aconteceu às
14h no sinal de acesso à Lagoa, onde João parara com seu
Golf de placa LOK-9840. Ele contou que fora a terceira vez que descontara
um cheque nominal num banco de Botafogo. Ele disse apenas que o dinheiro
serviria para pagar algumas dívidas. Foi o segundo assalto sofrido
por ele em dois anos. João contou que em 2003 foi rendido na saída
de um lava-jato em São Francisco, Niterói, sendo ferido no
ombro esquerdo. Teve que entregar outro relógio Rolex, desta vez
um banhado em ouro.
Ref. http://oglobo.globo.com/jornal/rio/188862779.asp
Frente Brasil Sem Armas
será lançada no Rio nesta sexta (26/8)
No dia 23 de outubro
deste ano, será realizado o primeiro referendo popular na história
do Brasil, quando a população terá a chance de acabar
com o comércio de armas e munição no país.
Nesta sexta, 26 de agosto, um evento no Rio de Janeiro reunirá
representantes de diversas entidades da população organizada,
além de artistas e parlamentares que dizem SIM, ou seja, que apóiam
a proibição do comércio de armas no país.
Estarão presentes o presidente
nacional da Frente Brasil Sem Armas, senador Renan Calheiros (PMDB), e
o diretor executivo Raul Jungmann, deputado federal pelo PPS. Haverá
distribuição de material de campanha, apresentação
da campanha publicitária, orientação para formação
de comitês locais, além de apresentações dos
representantes da Frente. O evento começa às 15 horas, na
Associação Brasileira de Imprensa. Endereço: Rua Araújo
Porto Alegre, 71, no Rio de Janeiro. Telefone para mais informações:
(21) 2282-1292.
Com informações
da Agência Consciência.Net.
::::25/8/2005
Homens matam padre a
tiros em Nova Iguaçu
Da
Folha
Online, 25/7/2005:
O padre
Paulo Henrique Machado, responsável pelo grupo de apoio às
vítimas da chacina ocorrida em março na Baixada Fluminense,
foi assassinado a tiros na manhã desta segunda-feira em Nova Iguaçu
(RJ). Antes de ser baleado, ele teria sido retirado do carro pelos criminosos.
O corpo foi encontrado perto do veículo, um Palio. A polícia
ainda não confirmou se os criminosos levaram objetos do padre. A
motivação do crime é investigada.
Machado
era vice-coordenador de pastoral da Diocese de Nova Iguaçu. Uma
missa em memória do padre deverá ser realizada na noite desta
segunda-feira na Paróquia da Sagrada Família, no bairro da
Posse, onde ele atuava. A polícia afirma que ainda não é
possível estabelecer ligação entre o crime e a chacina
ocorrida no dia 31 de março e que deixou 29 pessoas mortas em Nova
Iguaçu e em Queimados. Onze policiais militares são acusados
de envolvimento na chacina.
Ativistas articulam
rede de comunicadores populares
Bruno
Zornitta no
Brasil
de Fato desta semana (19 a 25/5/2005):
"Criar
uma rede de comunicadores ligados aos movimentos populares para denunciar
a situação da violência no Rio e a criminalização
da pobreza por parte da grande imprensa. Com esse objetivo, estudantes,
sindicalistas e ativistas sociais se reuniram, dia 11, no Sindicato dos
Engenheiros do Estado do Rio de Janeiro (Senge).
O debate
"Mídia alternativa e combate à violência" contou com
a presença de Cláudia Santiago, do Núcleo Piratininga
de Comunicação (NPC), Márcia de Oliveira Jacintho,
mãe de um menor assassinado pela Polícia Militar do Rio,
e Marcelo Freixo, pesquisador da organização nãogovernamental
Justiça Global. O evento foi promovido pelo NPC, pela Rede de Comunidades
e Movimentos contra a Violência e pelo Senge.
Cláudia
contou que despertou para a questão da violência nas favelas
depois da chacina do Borel: "Duas coisas aconteceram: uma, foi me sentir
tocada por algo tão próximo a mim; a outra foi perceber a
distância do movimento sindical dos trabalhadores da favela", disse.
Na noite em que os sem-teto entraram no prédio que hoje abriga a
ocupação Chiquinha Gonzaga, Cláudia percebeu a necessidade
de uma rede de comunicadores, nos moldes da Rede Nacional de Advogados
Populares: "Não dá para a gente ser tão amador". Para
Cláudia, a rede de comunicadores deve inserir o tema da violência
nos veículos alternativos e capacitar moradores de comunidades carentes
para produzir sua própria mídia. "Precisamos de uma rede
de jornalistas dispostos a colocar o seu conhecimento a favor das causas
populares", disse.
Márcia,
que teve seu filho Hanry Silva Gomes, de 16 anos, assassinado por policiais
militares, no Lins de Vasconcellos, em 2002, desabafou: "Meu filho morreu
porque não era bandido". Segundo Márcia, a polícia
captura os traficantes, pede dinheiro e armas como resgate - o "arrego",
na linguagem do crime. Quando morre um inocente, é comum a polícia
dar tiros para o alto, para dizer depois que houve troca de tiros, além
de colocar armas e drogas junto ao morto, o "kit bandido".
Márcia
esteve no local onde seu filho foi assassinado, tirou fotos, conversou
com moradores e descobriu até a placa do carro dos policiais: "Tudo
que descobri foi por investigação própria". Depois
de dois anos e cinco meses, conseguiu o Boletim de Emergência de
Hanry, um dos cinco itens que o Ministério Público pediu
e não foram cumpridos. "Eu, a mãe, dei entrada duas semanas
atrás na seção de arquivo. E fui buscar hoje, para
dar à delegada", disse.
Leia mais
clicando
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Tenente PM é
preso por pedir CPI
O tenente PM Melquisedec
Nascimento, do Grupo Especial Tático-Móvel (Getam), está
preso desde a sexta-feira no 15º BPM (Duque de Caxias), por ter entrado
com pedido de CPI na Câmara, em Brasília, para apurar as razões
das mortes de policiais no Rio.
O tenente é presidente
da Associação dos Militares Auxiliares e Especialistas (Amae),
que protestou no ano passado contra as 133 mortes de PMs. Segundo dados
da Amae, desde que o pedido foi protocolado na Câmara, em 10 de agosto
de 2004, já morreram, só no Rio, 70 policiais.
A prisão de Melquisedec
já provoca protestos. Na sexta-feira, integrantes da organização
não governamental Voz do Silêncio, formada por parentes de
policiais, farão manifestação em frente ao prédio
da Central do Brasil, onde fica a Secretaria de Segurança Pública.
Enquanto Melquisedec passou
o fim de semana na prisão, ontem, por sete votos a zero, o ex-PM
Adriano Maciel de Souza, de 38 anos, foi absolvido da acusação
de ter participado da chacina de Vigário Geral, em agosto de 1993,
quando 21 pessoas foram assassinadas na favela.
Adriano estava preso na Polinter
desde o dia 26 de outubro, quando se entregou após passar 11 anos
foragido da Justiça.
Do
Jornal
do Brasil, 1/3/2005
[original
desta matéria]
Fantasmas
Deu
no INFORME
DO DIA de hoje (27/2):
ASSOMBRAÇÃO.
Dia 18, uma jovem foi dar queixa na 1ª DP (Central) sobre o roubo
do som do carro dela. Encontrou o policial de plantão de meia, camiseta
e máscara de dormir. O sujeito ainda disse à cidadã
que a delegacia é mal-assombrada.
Deputado pede à
PF proteção contra presidente de uma escola de samba
Por
Evandro
Éboli, do jornal O
GLOBO de hoje (18/2)
BRASÍLIA.
O deputado federal Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ) encaminhou ao diretor-geral
da Polícia Federal, Paulo Lacerda, pedido de proteção
de agentes federais. Biscaia relatou ao diretor da PF e ao secretário
Nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Corrêa,
que estaria sendo ameaçado pelo presidente da escola de samba Mocidade
Independente de Padre Miguel, Paulo Viana.
Biscaia
revelou, durante depoimento do deputado André Luiz (PMDB-RJ), anteontem,
em Brasília, que estava sendo ameaçado por Paulo Viana. Uma
testemunha teria ouvido o presidente da Mocidade, na quinta-feira da semana
passada, dizer que não agüentava mais o procurador Biscaia,
que já o teria “perseguido demais” e que era preciso “calar a sua
boca” ou “acabar com ele”. Viana teria feito essas afirmações
ao entrar no BarraShopping, acompanhado de seguranças. Uma pessoa
ligada ao parlamentar teria ouvido as declarações e contado
a Biscaia. Paulo Viana, procurado para comentar a acusação,
não foi encontrado ontem à noite.
Liminar
proibiu homenagens a bicheiros
Ex-procurador-geral
da Justiça do Rio, Biscaia iniciou a investigações
que culminaram com as prisões de bicheiros no estado, decretadas
pela então juíza Denise Frossard, hoje também deputada,
na década de 90. A irritação de Paulo Viana teria
sido em função da posição do deputado, semana
passada, de condenar a iniciativa das escolas Salgueiro e Mocidade de homenagear,
durante o desfile no Sambódromo, os bicheiros Waldemir Paes Garcia,
o Miro, e seu filho Waldomiro Paes Garcia, o Maninho, e também César
Andrade, sobrinho do falecido contraventor Castor de Andrade.
Biscaia
considerou o fato uma apologia ao crime e encaminhou ao procurador-geral
de Justiça no estado, Marfan Martins Vieira, petição
pedindo providências. O Ministério Público entrou com
ação civil pública e obteve na Justiça liminar
contra o Salgueiro, impedindo a presença do filho de Maninho no
Desfile das Campeãs e também a exibição de
imagens dos dois patronos da escola, Miro e Maninho, em telões de
carros alegóricos. Original
desta matéria
“PM mata 6 pessoas
no baile”
O
leitor logo pensará que eu tirei essa frase do jornal carioca O
POVO, aquele que, espremendo, sai sangue. Mas não. Essa era a frase
pichada em alguns muros e portões do comércio de Nova Iguaçu,
nos bairros Prados Verdes e São Francisco, citada pelo jornal
O DIA de hoje (12/1).
Fora a
evidente preocupação com uma possível chacina, é
mesmo estranho que a frase tenha adotado um tom jornalístico. Tem
algo de novo. Depois do tom de recado engajado que alguns traficantes já
adotaram em seus "comunicados" em outros anos, eles parecem estar se aperfeiçoando
também na comunicação. O recado não é
mais direcionado para o Estado. Vai direto para a população,
como manchete informativa.
Eu não
quero viajar muito, mas foi Arthur Schopenhauer, em "A
arte de estar sempre certo", que dá a dica: "Convença
o público, não seu oponente".
Patético
Não
sei se é de chorar ou de rir o título de uma reportagem de
hoje (12/1) no Jornal do Brasil.
Eles queriam
dizer o seguinte: "As polícias Civil e Federal vão unir informações
sobre cinco favelas no Rio que vêm sendo utilizadas pelos traficantes
para armazenar drogas e armas. A intenção é que a
partir daí sejam mobilizados 1.500 homens, auxiliados por helicópteros,
para em ações integradas tentar a prisão dos criminosos
e apreensão de material".
Título
escolhido: "Poder
público vai sufocar favelas".
O sufoco
é — supostamente, porque não devemos eliminar nenhuma
hipótese — nos líderes do tráfico. Não nas
favelas, onde 99% da população é de trabalhadores
e cidadãos comuns.
Até eles entenderem isso,
lá se vai uma ou duas gerações.
Aliás, o jornal O DIA,
mais sensato, publica: "Planos
contra o tráfico". N'O GLOBO: "Polícia
fará ações em massa contra o tráfico".
2004
Rio de Janeiro sitiada
Devia
ser este o nome da coluna que eu mantenho, "Rio, cidade partida", aqui
na revista. Neste momento (26.11, 13h57) está tendo uma guerra
— não estou brincando — em Vila Isabel, zona norte do Rio, onde
eu moro.
Não há exagero:
tiros oriundos de diversos focos estão sendo disparados minuto a
minuto, há meia hora, sem cessar. A cena até que é
comum por aqui, e como quase ninguém "do asfalto" é atingido,
ninguém reclama. Todos continuam suas vidas, sem saber o porquê
do conflito, e sem saber também que boa parte está contribuindo
para que ele continue. Nós, "do asfalto", principalmente.
A mediocridade da nossa sociedade
não é apenas uma coisa engraçada de se mostrar na
TV: tem conseqüências.
Vergonha nacional
O governo teima em atrair
turistas para o Rio, cantando, em prosa e verso a inexcedíveis belezas
da cidade (do país). Acho que o Rio, justamente, deveria ser interditado
ao turista, como vergonha nacional.
A frase é de Millôr
Fernandes. Em 1973.
Banho de sangue no
Rio
Evandro Bonfim, jornalista
da ADITAL,
10.07.2004
Uma década depois da
chacina de Vigário Geral, a comunidade situada na Zona Norte do
Rio de Janeiro se encontra novamente ameaçada com a perspectiva
de atos violentos em grandes proporções. Este é o
aviso da Anistia Internacional, que em comunicado público alerta
para a possibilidade de um "banho de sangue" na região em virtude
da disputa entre os grupos locais e os rivais do bairro vizinho de Parada
de Lucas, pelo controle do tráfico de drogas.
"Medidas imediatas devem ser
tomadas para restaurar a ordem em ambas as comunidades para garantir a
segurança da população civil", aconselha o organismo
internacional. No último domingo, a disputa entre as gangues que
já dura mais de 20 anos ocasionou a invasão, por um grupo
fortemente armado, do bairro de Vigário Geral. Na ocupação,
dezenas de famílias foram expulsas pela gangue de Parada de Lucas,
acusadas de ter ligações com o comando do tráfico
local.
Em fuga, os moradores de Vigário
Geral se refugiaram em comunidades vizinhas, onde permanecem desprotegidos.
Ontem, por exemplo, mais de cem pessoas abrigadas em uma creche na favela
do Dique ficaram no meio do fogo cruzado entre policiais e os traficantes
invasores. Para a Anistia Internacional, apesar de manter a presença
nas comunidades, a policia carioca mostra "falta de ação"
em restabelecer o controle dos dois bairros para salvaguardar os moradores.
'Le Petit Fernand
au Bord de la Mer'
Nota ótima
do Ancelmo
Gois (27/8):
O “Washington
Post” noticiou o assassinato de Escadinha referindo-se a ele como Mr. Stepladder
(escada portátil). Mas, aqui pra nós, os coleguinhas lá
fora sofrem em traduzir os nomes esquisitos dos nossos facínoras.
Fernandinho Beira-Mar é batizado no exterior como Freddy Seaside
ou Le Petit Fernand au Bord de la Mer.
E se fossem da classe
média?
Deu em O
Globo de hoje (15/9), numa nota escondida no cantinho: Os corpos
de quatro jovens com idades presumíveis de 15 a 25 anos foram encontrados
na madruga de ontem na Estrada do Grumari, no Recreio. As vítimas,
que seriam moradores de ruas, foram assassinadas com tiros na cabeça.
A polícia ainda não tem pistas dos assassinos.
E se fossem da classe média?
O sonho impossível
Vendo TV você fica com
essa sensação de que é muito fácil ganhar dinheiro
rapidamente, sem muito esforço. Quandos os jovens descobrem a falsa
promessa, a violência ganha as cabeças para chegar às
ruas..[+]
Presidiárias
do Talavera Bruce lançam jornal
Amanhã,
dia 02/07, acontece o lançamento do Jornal das Presidiárias
do Talavera Bruce. A inciativa, idéia de uma presa alemã,
surgiu durante o curso de capacitação oferecido às
detentas de penas curtas, pelo projeto Viva Bebê, do Viva Rio.
A partir
de uma matéria
publicada no Portal Viva Favela sobre a proposta do jornal, o projeto
ganhou um patrocinador. O Lançamento, com apoio do Viva Rio, começa
às 9h30, no próprio Presídio, em Bangu.
Durante
o evento, acontecerão grafitagens nos paredes do pátio
interno, com e apresentação do Rapper Weelf, da Rocinha e
do grupo Tribo Negra da ONG AfroReggae.
Mais informações
com Virgínia Gayoso (Coordenadora do Projeto Viva Bebê) –
(21) 87080161
Lei obriga à
identificação digital em boate
Foi promulgada
ontem a lei estadual que obriga todas as boates do Rio de Janeiro a realizar
identificação digital de seus clientes.
A medida
tem como objetivo identificar e impedir a entrada dos chamados pitboys,
jovens de classe média alta que costumam provocar brigas dentro
das casas noturnas.
Os estabelecimentos
que descumprirem a decisão estão sujeitos a multas de R$
10 mil. As boates terão direito a indenizações caso
tenham prejuízos causados pelos pitboys. (FSP, 19/06/2004)
'Tragédia
em Benfica estava anunciada'', diz Chico Alencar
RIO -
O deputado federal Chico Alencar (PT-RJ) disse hoje que a rebelião
na Casa de Custódia de Benfica foi uma tragédia anunciada
e que poderia ter sido evitada com uma política adequada de tratamento
dos presos. A rebelião, iniciada no sábado, pode ter deixado
50 mortos.
''Foi
um semiCarandiru. Esse tipo de tragédia era totalmente previsível.
Estava anunciada. Aquilo era um depósito de presos sem condenação,
sob a égide de uma concepção de que eles deveriam
ser bem barbarizados mesmo, bem maltratados para aprenderem a lição.
Era o que chamam de política do esculacho'', disse Chico Alencar,
membro da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.
O parlamentar
considera que a rebelião foi fruto de uma ''concepção
criminosa'' de administração penitenciária. Para Alencar,
a rebelião na Casa de Custódia de Benfica expressa uma realidade
nacional. ''Temos hoje 280 mil internos num sistema que tem capacidade
para 180 mil. Portanto, em todo o Brasil existe um excedente de 100 mil
presos, que se revezam até para dormir'', afirma o deputado. Informações
do Jornal
do Brasil (1/6).
"Foi coisa premeditada
para matá-los"
Quatro
dias depois da rebelião que terminou com 30 presos mortos, comissão
encontra armas e restos humanos em Benfica.
(...)
Um preso entregou um celular ao deputado Mário Heringer (PDT-MG),
presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Na saída,
o grupo disse estar horrorizado com o lugar.
O deputado
Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ) chegou a dizer que, após conhecer
a unidade e conversar com sobreviventes do massacre, concluiu que a decisão
do governo de colocar presos de facções inimigas na mesma
prisão é "coisa premeditada" para matá-los. Heringer
concordou com ele.
A deputada
Denise Frossard (PSDB-RJ) afirmou ter achado impressionante o abandono
dos presos em Benfica. "O que vi foi a total desordem, uma bagunça.
É caos total. Nem no Iraque [é assim]. Lá dentro,
eles [os presos] se governam. Não há governo."
Até
o deputado Josias Quintal (PMDB-RJ), aliado do ex-governador Anthony Garotinho,
secretário de Segurança Pública do Estado, criticou
a situação da casa de custódia, em que estão
confinados presos do CV (Comando Vermelho), TC (Terceiro Comando) e ADA
(Amigo dos Amigos).
"Não
acho que o governo deva misturar as facções", disse ele,
que demonstrou irritação com a descoberta de armas, celular
e restos humanos. Ele estava com os deputados Wanderval Santos (PL-SP),
Chico Alencar (PT-RJ) e Laura Carneiro (PFL-RJ).
A notícia
é da Folha
de S. Paulo de 5/6/2004
Limpeza étnica,
limpeza disciplinadora... Sobre a “Chacina de Benfica”
Comunicado
do LPP / UERJ:
1º
de junho de 2004 – Mais de 30 pessoas, mais de 30 negros, mais de 30 pobres,
mais de 30 filhos de mães desamparadas foram massacrados no que
certamente será lembrada como a “Chacina de Benfica”.
O governo
da família Matheus-Garotinho pode exibir o broche de ouro de uma
política de (in)segurança que assola e enche de medo à
sociedade brasileira, despertando espanto na comunidade internacional.
Cárceres
negros, morros negros, delinqüência negra... Conseqüência
nefasta da ditadura branca que há 500 anos governa e impõe
sua vontade totalitária através dos mesmos cães de
guarda. Em um espetáculo inumano, a policia assistiu conivente à
cena de tortura, mutilação e assassinato, protagonizada por
dezenas de presos numa cadeia preparada para a morte. Um espetáculo
inumano à qual também assistiu uma sociedade anestesiada,
impávida e indiferente. A massacre faz parte do cenário natural
que oferece a “cidade maravilhosa” aos seus visitantes ocasionais ou permanentes.
O governo
estadual nos convida à oração, abençoando o
horror. Se tudo der certo, poderemos até ter direito a uma passeata
de roupa branca, pela Praia de Copacabana, rogando a Deus e aos poderosos
por uma paz também branca e estupidamente ingênua. Mais uma
vez, o Rio de Janeiro grita ao mundo que, sem importar quem as dispare,
as balas sempre tem dono e destino (nunca houve balas “perdidas”), e que
o governo e o tráfico constituem parceiros solidários do
multifacético exercício de um poder genocida que torna mais
fracas, tênues e degradadas nossas incipientes democracias.
Indignados,
mais uma vez, hoje, choramos os mortos dos “outros” (que são sempre
“nossos” mortos). Mais uma vez, reclamamos justiça perante os crimes
cometidos pelo Estado e sua polícia, sempre impune. Mais uma vez,
denunciamos o racismo e as práticas segregacionistas que condenam
milhões de brasileiros e brasileiras à insegurança,
à miséria, às balas perdidas, e às balas dirigidas,
disciplinadoras, como as que tingiram nossas lágrimas na “Chacina
de Benfica”.
Universidade
do Estado do Rio de Janeiro
Laboratório
de Políticas Públicas
Programa
Políticas da Cor na Educação Brasileira (PPCOR) /
Observatório Crítico de Direitos Humanos (OCDIH) / Núcleo
de Estudos Queer (NEQ) / Núcleo de Estudos sobre Drogas, Aids e
Direitos Humanos (NEDADH) / Programa Outro Brasil / Observatório
Latino-americano de Políticas Educacionais (OLPED)
Violência nas
escolas municipais
A pedido dos profissionais,
vereador enviou ofício à Secretaria Municipal de Educação
pedindo uma solução.
O vereador Eliomar Coelho (PT
do Rio) recebeu um dossiê de profissionais de educação
denunciando a falta de segurança nas escolas do Município.
Inúmeros são os casos em que, por dias, as crianças
deixam de freqüentar as escolas e de assistir às aulas, perdendo
conteúdo pedagógico e também a alimentação
que lhes é servida, que muitas vezes é a única do
dia.
A pedido dos profissionais,
o mandato enviou ofício à Secretaria Municipal de Educação,
solicitando uma reunião com a secretária Sônia Mograbi,
para expor o problema e pedir providências. Quem quiser assiná-lo,
basta enviar uma mensagem
autorizando. Sugestões de questões a serem levadas à
reunião com a secretária também são bem-vindas.
Leia
o documento na íntegra
Uma antiga e triste
história
Em
1908, a violência no Rio era seis vezes menor.
Um século
atrás, a violência no Rio era aproximadamente seis vezes menor
do que nos dias de hoje. Em 1908, por exemplo, registrou-se 8,14 homicídios
por cada grupo de 100 mil habitantes — atualmente,
o mesmo índice está em torno de 50 mortes violentas.
Os dados
foram lembrados há dois anos atrás, quando o Jornal do
Brasil comemorava 111
anos de existência.
Novo crime: ser assaltado
Texto
de Jésus Rocha, em maio de 2004, na Tribuna da Imprensa.
"Se os
assaltantes não podem ser controlados...
Pelo jeito,
só há uma forma de diminuir o número de assaltos no
Rio: uma lei estabelecendo que ser assaltado é crime, já
que assaltar...não digo que parece que não é mais,
como parece (e não só parece) que estou dizendo.
Mas é
isso aí. Crime, ser assaltado. Inafiançável se o assaltado
for reincidente. E, em certos casos, até acusado de formação
de quadrilha, conspiração e falsidade ideológica .
Afinal, o assaltado não deixa de ser um cúmplice - involuntário,
claro, mas cúmplice: ele “completa” o assalto. Assim como não
existe assalto sem o assaltante, também não existe sem o
assaltado. Se estou dizendo burrice, então a burrice está
merecendo uma chance - diante do que a desburrice tem aprontado.
Nada tão
rigoroso - afinal, estamos numa democracia: 10, 15 dias de detenção
para os assaltados infratores. E mais multa, para os reincidentes confessos.
Será
necessário também, claro, a criação de tribunais
de pequenas causas especiais para que os assaltados incursos na lei, não
esperem meses para serem julgados.
Se os
assaltantes não podem ser controlados, é isso aí:
controlemos os assaltados."
Redistribuição
de renda no Leblon
Roubados
cinco apartamentos no Alto Leblon. Ninguém ficou ferido.
"Cinco
homens armados de pistolas e facas assaltaram ontem de manhã cinco
apartamentos de um prédio no Alto Leblon (zona sul do Rio). Eles
mantiveram cerca de 20 moradores reféns por quase três horas
dentro de um depósito na garagem do edifício. Há cerca
de dez dias, outro prédio no mesmo bairro de classe média
alta foi assaltado.
O assalto
aconteceu por volta das 6h, quando um dos criminosos rendeu o porteiro
ao se passar por entregador de jornal. Os outros quatro assaltantes, encapuzados,
rendiam os moradores à medida que saíam para trabalhar. A
polícia conseguiu prender um dos assaltantes, mas até a conclusão
desta edição não havia informado o montante do roubo".
Da Folha
de S. Paulo, 18/5/2004
Vozes da favela
"Falta
uma política de segurança em que a polícia considere
o morador de favela igual ao do bairro do Leblon e da Barra. A polícia
mete o pé na porta do morador do Leblon?"
Nascido
e criado na Rocinha, o professor de história José Luiz de
Souza Lima, de 41 anos, coordena um projeto do centro de documentação
e memória sobre a comunidade na ONG Rocinha 21, que tem por objetivo
preservar a memória da favela com depoimentos de moradores. Ele
ressalta que a principal questão da Rocinha, hoje, é o problema
da violência:
— O único
representante do poder público que apareceu na Rocinha durante os
confrontos no mês de abril foi a polícia. Falta uma política
de segurança em que a polícia considere o morador de favela
igual ao do bairro do Leblon e da Barra. A polícia mete o pé
na porta do morador do Leblon?
Ele acredita
que o desenvolvimento da Rocinha se deu, em grande parte, pelo empenho
dos moradores e de organizações da sociedade civil. O Estado,
na sua opinião, poderia contribuir para melhorar a condição
de vida dos moradores com a construção de mais escolas e
postos de saúde.
Matéria
do jornal O
Globo, em 10/05/2004
Nosso tabu: Direitos
Humanos
Violência
policial e resistência a direitos humanos preocupa no Rio. Para o
deputado estadual Alessandro Molon (PT), ex-presidente de Comissão
de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, a violência
policial no Rio é fruto da política de segurança adotada
no Estado.
Na visita
que a Comissão do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana
fez ao Rio na semana passada, foram ouvidos 23 novos casos de violação
dos direitos humanos. Dentre as atrocidades relatadas pelos parentes das
vítimas, dois fatores chamam a atenção: a freqüência
do envolvimento de policiais em denúncias e a resistência
ao trabalho da comissão no Estado do Rio.
Presidente
da organização não-governamental Convive,
que atende a famílias que foram vítimas da violência,
a jornalista Valéria Velasco observa que o Rio é o Estado
onde a violência policial se manifesta de forma mais avassaladora.
Ela conta que desde a fundação da ONG, há cinco anos,
dos 50 casos tratados de famílias do Distrito Federal, Ceará
e Minas Gerais apenas um envolvia policiais. Dos 14 casos do Rio que chegaram
a ONG, entretanto, 12 foram cometidos por policiais.
"Esta
é uma característica grave do Estado. Percebemos que as pessoas
têm medo da polícia", observa Valéria, que dará
apoio às Mães do Rio na manifestação de domingo.
Para o
deputado estadual Alessandro Molon (PT), ex-presidente de Comissão
de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, a violência
policial no Rio é fruto da política de segurança adotada
no Estado. Segundo ele, em vez de intensificar os trabalhos de investigação,
há ênfase ao confronto.
"O número
de autos de resistência (morte em confronto com policiais) aumentou
seis vezes nos últimos quatro anos. Em muitos casos, as mortes não
são de bandidos e sim execuções sumárias",
afirma Molon.
O representante
da Ordem dos Advogados do Brasil na comissão, João Luiz Duboc
Pinaud, observa que no Rio a resistência à defesa dos direitos
humanos se traduz nas ameaças que estas mães continuam sofrendo.
"Esta audácia é um reflexo da certeza da impunidade, o que
é intolerável", afirma Pinaud.
Além
de concordar com Molon no que diz respeito à postura bélica
adotada pela polícia no Rio, Pinaud acredita que as denúncias
de casos de tortura e violação dos direitos humanos precisam
ser apuradas até o fim pelo Judiciário. "Não é
só uma questão do Poder Executivo. O Judiciário está
muito distante da tortura", observa.
Em visita
ao Rio na semana passada, o chefe da Ouvidoria Geral da Cidadania da Secretaria
Especial dos Direitos Humanos, Pedro Luis Montenegro, afirmou que a violação
sistemática dos direitos humanos no Estado pode ensejar medidas
mais drásticas da União. O ouvidor, no entanto, não
quis adiantar quais seriam estas medidas. Na ocasião, Montenegro
informou também que vai pedir apoio psicológico e social
para estas mães.
Márcia,
por exemplo, trabalhava como vendedora, mas desde que ingressou na luta
por justiça para o filho Hanry, teve que deixar o emprego.
Matéria
do Jornal
do Brasil de 3 de maio, 2004
ONG propõe
reformar polícia
Membros
da Comissão Internacional para a Reforma Policial na Democracia
divulgaram ontem, durante seminário realizado na Universidade Candido
Mendes, no Centro do Rio, o relatório Polícia na América
do Sul: A reforma na democracia. Além de ampla análise
sobre a situação das corporações, o documento
aponta oito recomendações para uma profunda reestruturação
da polícia na região. O relatório foi apresentado
pelo chileno Hugo Frühling, especialista em segurança no Chile
e coordenador do trabalho. Em entrevista ao JB, o chileno defendeu
a integração das polícias civil e militar e a instalação
de uma comissão externa para controlar a atividades dos efetivos.
Composta
por integrantes de diversos países da América Latina, entre
eles a socióloga e ex-ouvidora de Polícia Julita Lemgruber,
a comissão apresentou o relatório no Brasil após tê-lo
divulgado no Peru e na Guatemala, no início do ano. Na avaliação
de Julita, uma reforma policial sustentável se dá, primeiramente,
dentro da própria corporação. A socióloga,
que também é diretora do Centro de Estudos de Segurança
e Cidadania (Cesec), defendeu mais liberdade para os policiais de baixa
patente, que, segundo ela, são impedidos de contribuir com boas
idéias, devido à hierarquia. "É preciso que a polícia
se abra e dê voz aos seus integrantes. A reforma deve ser discutida
não só entre os coronéis, mas também entre
aqueles que estão nas ruas, vivendo a violência do dia a dia",
defendeu a diretora do Cesec.
O deputado
estadual Carlos Minc (PT/RJ), autor de algumas leis sobre segurança,
participou do seminário e afirmou que vai encaminhar o relatório
à Comissão de Segurança da Câmara e à
Secretaria Estadual de Segurança Pública.
Fernanda
Nidecker, Jornal
do Brasil, 06/05/2004
A nossa tortura
Camelôs
espancados pela Guarda Municipal.
Os
camelôs Ratinho e André levaram uma surra da Guarda Municipal
na tarde desta sexta-feira, dia 7, no Centro do Rio e foram internados
em estado grave no Hospital Souza Aguiar. Ratinho é cego de um olho.
Veja o que os guardas fizeram com o seu outro olho (foto ao lado). Segundo
o coordenador do Movimento Unido dos Camelôs (Muca), Idison
Silva, o inspetor André da 5ª DP, no centro do Rio se recusou
a receber os detidos devido aos ferimentos e os encaminhou para o hospital.
Os camelôs estavam no depósito onde guardam as mercadorias
quando foram detidos e espancados.
Para informações
e mais fotos: (21) 9231-0488 (Idson) / 9137-9147 (Maria)
Mãe, quero
trocar
"Rosinha!
Não vou mais brincar de polícia, quero trocar!!"
Enviado
por Daniel Bahia
Em dez anos, violência
fez 39 mil desaparecidos no Rio
Em
dez anos, 76 mil pessoas mortas.
O Estado
do Rio tem 14,3 milhões de habitantes e uma densidade demográfica
de até 1.900 moradores por quilômetro quadrado, mas, nas estatísticas
de violência, parece um imenso deserto, onde pessoas somem sem deixar
rastro. Uma pesquisa recém-concluída pelo Centro de Estudos
de Segurança e Cidadania da Universidade Candido Mendes (Cesec-Ucam)
mostra que o número de pessoas registradas como desaparecidas no
estado praticamente dobrou em dez anos, passando de 2.473, em 1993, para
4.800 no ano passado, o que representa um aumento de 94%. No período,
foram contabilizados 39 mil desaparecidos, o que corresponde a duas vezes
a população de Búzios.
A pesquisa
do Cesec, feita com base em dados da Polícia Civil, traduz em números
o estrago causado pela violência no Estado do Rio ao longo dos últimos
dez anos: 76.378 pessoas assassinadas entre 1993 e 2003 (o que significa
que uma cidade do tamanho de Maricá foi riscada do mapa), quase
500 mil veículos roubados ou furtados (o que corresponde a cerca
de um quarto da frota atual da cidade), 153 mil assaltos a pedestres e
17 mil roubos a residência. O número de vítimas de
autos de resistência (mortos supostamente em confronto com a polícia)
quadruplicou nos últimos cinco anos, passando de 289, em 1999, para
1.195, em 2003, de acordo com a pesquisa.
Leia mais
no
Globo
de 02/maio/2004
Atores de "Cidade
de Deus" registram queixa por racismo
"O
policial disse que ele, como branco, sentia orgulho de ser abordado pela
PM quando estava sem farda. Disse também que a polícia de
São Paulo era diferente da polícia do Rio, que o correto
era jogar as pessoas no chão para fazer uma revista".
Três
atores do filme "Cidade de Deus" registraram hoje, em São Paulo,
uma queixa contra um policial militar e o Carrefour por constrangimento
ilegal, denunciação caluniosa e injúria racial. Eles
querem receber uma indenização para montar uma ONG na capital
paulista. Leandro Firmino, 25, — que interpretou
Zé Pequeno — , Emerson Gomes, 13,
— que fez o Barbantinho — e
Luís Carlos Lomenha, 27, — que atuou
como figurante — , argumentaram que foram
abordados, de forma discriminatória, por um policial e seguranças
no final da manhã deste domingo no supermercado Carrefour da marginal
Pinheiros.
O caso
ocorreu quando os três deixavam um caixa eletrônico do Banco
do Brasil, na área externa do supermercado. Os atores estavam hospedados
no hotel Meliá e precisavam retirar dinheiro para pagar um almoço,
já que eles haviam perdido o horário do café da manhã.
O PM e os seguranças teriam abordado os atores, sob a justificativa
de que os três teriam sido flagrados pelo circuito interno de TV
do estabelecimento dando murros no caixa eletrônico.
Segundo
Lomenha, a abordagem do policial e do segurança foi "preconceituosa",
pelo fato de os atores serem negros. Eles negaram ter dado murros no caixa
— o fato teria ocorrido em um caixa do Banespa, e
não do Banco do Brasil onde eles estavam. "O policial disse que
ele, como branco, sentia orgulho de ser abordado pela PM quando estava
sem farda. Disse também que a polícia de São Paulo
era diferente da polícia do Rio, que o correto era jogar as pessoas
no chão para fazer uma revista", afirmou Lomenha.
O caso
foi registrado no 11º DP (Santo Amaro). O advogado Hédio Silva
Jr. representa os três atores, que estão em São Paulo
para divulgar a ONG Nós do Cinema, dirigida por Lomenha. O objetivo
da ONG é ensinar crianças e jovens carentes a atuar em filmes.
Segundo Firmino, o dinheiro da indenização seria usado para
montar uma filial da ONG em São Paulo.
Do UOL
News, 02/maio/2004
Zona Sul em transe
"Campanha
popular" mobiliza neo-assustados
Parem
tudo: a Zona Sul está assustada! De cima dos luxuosos prédios
da Lagoa, "campanhas contra a violência que surgiram de iniciativas
populares" ganham força. O jornal O
Globo de hoje se refere a uma iniciativa de moradores da área
mais nobre do Rio de Janeiro. Apartamentos variam de 250 mil a um milhão
de reais. Se não for cobertura, é claro.
Qual a
brilhante "idéia"? "O grupo pretende organizar um site e criar um
banco com idéias do que seja possível fazer para tentar mudar
a situação. Estão sendo confeccionados ainda 500 adesivos
para serem distribuídos", relata o jornal.
Além
disso, vão colocar faixas com o dizer "basta". Em vermelho! Meu
Deus, será o retorno da onda comunista?!
Beatriz,
que mora em uma cobertura na Lagoa Rodrigo de Freitas, parece ser uma das
líderes revolucionárias: "A situação é
de emergência. Queremos unir a opinião pública. É
nossa obrigação como cidadãos". Ela só não
esclareceu: unir para quê? Era melhor ter posto receita de bolo,
em vez de ficar editando e-mail da vizinha.
Mais:
no dia 16 de abril diversas entidades se organizaram para fazer um ato
no Largo do Machado. Dia 16. A repórter Selma Schmidt, que devia
estar com sono, escreve: "Não foram poucas as campanhas contra a
violência que surgiram de iniciativas populares, embora a maioria
seja liderada por parentes de vítimas. O Movimento Posso me Identificar,
por exemplo, foi criado dia 17 passado, durante uma passeata organizada
por mães que perderam seus filhos numa incursão da polícia
no Morro do Borel há um ano."
Perceba
que dá para fazer todas as "ações" que eles propuseram
lá de cima. Site, faixas na janela. Camisas, que coragem!, para
distribuir. Tudo bem longe dos selvagens. Sair de casa, afinal, está
muito perigoso hoje em dia. [G.B., 30/04/2004]
"Dia do Carinho"
"Dessa
ferida já saiu pus várias vezes. Eles colocam curativos,
mas ela abre de novo. Só abraço não adianta. Estado,
município e União têm de cumprir seus papéis"
Os 250
voluntários que subiram ontem a Favela da Rocinha para participar
do projeto Dia do Carinho esbarraram em críticas e reclamações
de moradores. Muitos classificaram a iniciativa como "hipócrita"
e "vaga". (...) A idéia
era transmitir palavras de afeto e solidariedade aos moradores, que há
duas semanas vivem uma guerra promovida por traficantes rivais.
"Dessa
ferida já saiu pus várias vezes. Eles colocam curativos,
mas ela abre de novo. Só abraço não adianta. Estado,
município e União têm de cumprir seus papéis",
afirmou o diretor de teatro Aurélio Mesquita, de 38 anos, há
20 morador da Rocinha. Ele e o grupo Roça Caça Cultura maquiaram-se
como palhaços para receber os voluntários do Dia do Carinho.
"Estamos entrando na onda deles, também vamos dar abraços,
mas espero que percebam nossa ironia."
Outros
moradores mostraram cartazes em que pediam emprego e saneamento básico.
"Esse movimento é vago. Aceitamos todas as ajudas, mas isso não
vai resolver nossos problemas. Precisamos de propostas concretas. Carinho
sem o básico não tem efeito moral", afirmou Carlos Alberto
Carvalho, de 44 anos, que levava o cartaz "Carinho é emprego e desenvolvimento."
O diretor
do Viva Rio, Rubem César Fernandes, reconhece que enfrentou alguma
hostilidade. "Esse é um ambiente de muita tensão. Você
fica sempre entre o sublime e o ridículo", afirmou. Fernandes disse
que ontem foi o momento de transmitir solidariedade aos moradores. Os problemas
serão tratados nas reuniões do Fórum Dois Irmãos,
criado na última sexta-feira, com associações de moradores
dos bairros vizinhos à favela e da Rocinha.
Os voluntários
passaram a manhã distribuindo panfletos, rosas brancas de papel,
biscoitos e brinquedos para as crianças. Poucos cumpriram as recomendações
recebidas na sede da ONG Viva Rio, pela manhã: "olhar no olho, apertar
a mão, abraçar, ouvir o morador". Muitos limitavam-se a entregar
os objetos e seguir adiante. Às 13 horas, eles se reuniram numa
favela e pediram paz.
Os
socialites protagonizaram momentos curiosos. Narcisa Tamborindeguy
abraçava crianças e, ao pegar um bebê no colo, perguntou
à mãe se não conhecia ninguém que quisesse
dar o filho. Já Walter Rosa desfilou pelos becos da Rocinha com
um incenso aceso preso aos cabelos. "Demos o que a comunidade está
querendo: carinho, paz, tranqüilidade. Se houve alguma hostilidade,
não foi contra a gente. Foi um desabafo. Eu não vi hostilidade
nenhuma", disse Lilibeth, moradora de São Conrado. "Não quero
que meus amigos fiquem dizendo que não vão à minha
casa por medo da violência na Rocinha." (...)
Reportagem
da Tribuna da Imprensa
de 21 de abril, 2004
'Financial Times'
ironiza atuação de Garotinho
"Como
não ser eleito presidente"
Anthony
Garotinho conseguiu. Sua gestão na Secretaria da Segurança
e de sua mulher, Rosinha, no governo do Rio, atraiu a atenção
do respeitado jornal inglês Financial Times. Mas não exatamente
da forma que o casal gostaria. O FT abre sua coluna Observer de ontem com
uma nota intitulada "Como não ser eleito presidente". Segundo o
jornal, enquanto preparam propostas para economia e segurança com
vistas à eleição americana, George W. Bush e John
Kerry deveriam olhar para o Rio atrás de dicas sobre o que não
fazer.
O jornal
diz que Garotinho planeja sua volta ao cenário político desde
que perdeu as eleições presidenciais de 2002. "Ele não
poderia ter se saído pior", afirma o FT. Segundo o jornal, quando
o violência fugiu do controle no Rio, ele decidiu se tornar secretário
de Segurança do governo da mulher para ficar em evidência.
"Mas a violência fugiu tanto do controle que ele agora estuda erguer
um muro ao redor de favelas para contê-las."
O FT também
ironiza a atuação do secretário no assassinato do
casal Staheli. "Em busca dos holofotes, Garotinho interrogou um suspeito
do crime ao vivo na TV por duas horas." O jornal diz que Rosinha "tem se
esforçado" para atrapalhar o desenvolvimento econômico do
Estado. E diz: a inflexibilidade da governadora levou a Petrobrás
a abandonar o projeto de construir um oleoduto que atravessaria o Rio.
"E Garotinho ainda tem dois anos pela frente", conclui o FT. [OESP,
14 de abril, 2004]
Rocinha: operação
"padrão"
PMs
acusados de agredir, extorquir, roubar e invadir as residências.
“Não reclama não que hoje a porrada tá de graça”
Após
três dias de ocupação maciça da PM na Rocinha,
começaram a surgir reclamações e denúncias
de moradores sobre as ações policiais. Motoboys dizem que
estão sendo extorquidos e tiveram pneus de suas motos furados pelos
policiais. Moradores afirmam que tiveram suas casas invadidas e, em alguns
casos, acusaram policiais de terem roubado eletrodomésticos. Já
há queixas na delegacia de moradores, inclusive menores supostamente
agredidos por policiais.
A maioria
das queixas recai contra os policiais do Batalhão de Operações
Especiais da PM (Bope). Na localidade chamada Laboriaux, o piloto de mototáxi
Antônio Francisco de Lima, de 22 anos, contou que na segunda-feira
foi detido por policiais. Ele afirmou que os PMs jogaram spray de pimenta
em sua cabeça, seus olhos e em sua boca. Segundo ele, os pneus de
todas as motos e Kombis que estavam no local foram furados pelos policiais.
— Vários
donos de motos estão sofrendo extorsão. Eles pedem um real
de cada um e dizem que é para almoçar. Eu avisei ao comandante
e ele disse que era para não dar dinheiro, mas não fez nada
— disse Antonio.
O motoboy
Cristiano Martins, de 29 anos, que mora na Vila Vermelha, contou que os
policiais do Bope entraram ontem em sua casa sem sua autorização.
Quando ele foi reclamar que os policiais haviam quebrado a tampa da caixa
onde fica a bomba d’água, o policial teria dito: “Não reclama
não que hoje a porrada tá de graça”. Na casa de uma
parente dele, a situação teria sido ainda pior.
— Ela
estava trabalhando e quebraram o portão e a porta e deixaram tudo
aberto. Um outro garoto foi agredido aqui. Colocaram um fuzil na cara dele
— reclamou o morador.
O Globo
de 15 de abril, 2004. Mais
aqui
Terror e Estado trabalhando
juntos
Governistas
negam pensão a dependentes de vítimas de violência
policial.
A bancada
de sustentação da Governadora Rosinha Garotinho sepultou
na última terça-feira (dia 6 de abril) a tentativa de Alessandro
Molon de criar uma pensão para os dependentes do chinês Chan
Kim Chan, morto, em agosto de 2003, após ter sido torturado no Presídio
Ary Franco, e dos quatro inocentes que foram executados, em abril de 2003,
por PMs, no Morro do Borel.
O deputado
denunciou em plenário a incoerência da bancada do governo
que, em 27 de novembro de 2003, ajudou a aprovar por unanimidade a proposta
e ontem votou em bloco pelo veto da governadora. Molon lembrou em seu discurso
que não há mais dúvidas nos inquéritos policiais
da participação dos agentes do estado na morte do chinês
e dos jovens do Borel e que a Alerj e o estado perderam a oportunidade
de amparar as famílias que estão passando necessidade.
Posso me identificar?
“Haverá
flagelo mais terrível do que
a injustiça de armas
na mão?”
ARISTÓTELES de Estagira
filósofo grego de 384-322
a.C
.
Eles não puderam: Carlos
Magno Oliveira, Thiago da Costa Correia da Silva, Carlos Alberto da Silva
e Everson Gonçalves Silote. Eram jovens, afrodescendentes, minorizados,
trabalhadores, não pertenciam ao crime organizado, foram assassinados
e criminalizados pela polícia na Tijuca, Morro do Borel, no dia
16 de abril de 2003...
Ato público contra
a violência —
Pela
paz, garantia de direitos e preservação da vida. Data: 16
de abril de 2004. Concentração a partir das 14 horas no Largo
do Machado. Com apresentações de Teatro, Capoeira entre
outras Artes em Geral e Caminhada até o Palácio da Governadora.
Uma polícia
que morre muito e mata mais
— Com a criação
e reforço de unidades especiais, em detrimento das unidades de policiamento
preventivo, o 16 BPM (Olaria), batalhão que fica na área
do Complexo do Alemão, tem hoje, por exemplo, metade do efetivo
que tinha há cinco anos — afirmou o coronel PM José Vicente.
(...)
— O “miojo” é conhecido
assim porque em 2002 formou-se passando apenas 60 dias na Academia de Polícia.
Mas tem uma situação pior: o “pipoca”. Ele ficou e ganhou
o apelido porque fez apenas 45 dias no curso da polícia no ano passado.
O treinamento é muito deficiente, quase não há reciclagem
e o policial acaba correndo risco de vida quando vai às ruas. A
formação do policial civil não lhe dá uma experiência
adequada — disse Fernando Bandeira, presidente do Sindicato dos Policiais
Civis do Rio.
— Em qualquer país civilizado,
o combate à criminalidade é realizado respeitando os direitos
humanos. Não podemos concordar com uma polícia que mata tanta
gente. Na África do Sul, a polícia tem fama de violenta,
mas a nossa mata mais. E pior: nossa taxa de criminalidade é alta,
mostrando que a política do confronto não resolve nada —
afirmou Julita Lengruber, do Centro de Estudos da Universidade Cândido
Mendes.
Do jornal O
Globo em 21 de março.
A Vida Como Ela É
Ator do filme ‘Cidade de
Deus’ preso após se envolver em roubo de carro.
"Um menor de 16 anos que participou
do premiado filme “Cidade de Deus” e de alguns episódios da série
“Cidade dos Homens”, exibida pela Rede Globo, foi detido na noite de anteontem
acusado de se envolver num roubo de carros. Policiais da Delegacia de Proteção
à Criança e ao Adolescente (DPCA) o transferiram na noite
de ontem para o Centro de Triagem do Instituto Padre Severino. Na TV, o
menor viveu o personagem Cibalena." [Globo,
18/03]
Este é o segundo ator
de Cidade de Deus preso. Foi no mesmo jornal, em 13 de junho de 2003, que
o seguinte foi noticiado:
"Policiais militares prenderam
hoje, na Avenida Niemeyer, no Leblon, Rubens Sabino da Silva, de 19 anos,
ator do filme "Cidade de Deus" no papel de Neguinho. Ele furtou a bolsa
de uma passageira de um ônibus da linha Piabas-Passeio e fugiu com
o celular e R$ 26 em dinheiro.
Ao chegar no Instituto Médico
Legal (IML), Centro do Rio, para realizar exame de corpo de delito, Rubens
afirmou não ter recebido nenhum centavo por sua participação
no filme." Leia
aqui
Chame o ladrão!
Uma desagradável surpresa
teve um funcionário público, de 44 anos, na manhã
do domingo retrasado.
Em busca do carro, um Kadett,
que tinha sido roubado na noite anterior na Via Dutra, em São João
de Meriti, ele foi pedir ajuda no Posto de Policiamento Comunitário
(PPC) da PM do Jardim Metrópole e, ao chegar, deparou-se com um
dos três assaltantes.
Era o soldado Douglas da Silva
Barbosa, do 21 BPM (Vilar dos Teles).
Mais tarde acabou reconhecendo
também outro soldado, Hermógenes Pacheco Neto, como integrante
do grupo que o assaltara.
Está no Globo
de hoje, 18/03.
Líder de favela
é ameaçado
''Olá babaca (sic).
A dura vai continuar e quem ajuda bandido também é bandido.
Cala a tua boca (...)"
O presidente da Associação
de Moradores da Rocinha, William de Oliveira, está recebendo ameaças
de morte por meio de cartas e telefonemas anônimos. Desde que começaram
as denúncias de violência por parte dos policiais contra os
moradores, William já recebeu quatro cartas anônimas. Na última
carta há o seguinte recado:
''Olá babaca (sic). A
dura vai continuar e quem ajuda bandido também é bandido.
Cala a tua boca. Cada polícia que tombar, vamos mandar cinco bandidos
como você pra vala. Ass: Justiça dos Homens''.
William, que já fez registro
na 15ª DP (Gávea) por ameaças verbais de policiais do
Bope, está com medo das freqüentes intimidações.
"Tenho uma filha de 10 dias e por conta disso minha esposa foi para casa
da mãe dela. Tenho que proteger a minha família".
O presidente da associação
de moradores da Rocinha também esteve presente na caminhada pela
paz em Copacabana. Segundo ele, os moradores da Rocinha foram prestar solidariedade
à manifestação. O líder comunitário
estava vestindo uma camisa com as fotos das vítimas dos últimos
confrontos com a polícia na comunidade, ocorridos durante o domingo
de carnaval.
Treblinka é
aqui
A sociedade finge que não
vê o extermínio que está ocorrendo nas comunidades
carentes de nosso Estado, com fuzilamentos à luz do dia.
O MMFD — Movimento da Magistratura
Fluminense pela Democracia, em reunião com outros grupos que representam
a sociedade civil (Movimento Posso Me Identificar?, Movimento Nacional
de Direitos Humanos, RENAP — Rede Nacional de Advogados Populares, Movimento
Popular das Favelas, Projeto Legal, Bento Rubião, CACO/UFRJ, Programa
de Direito e Cidadania da UERJ e Amães — Associação
de Mães com filhos em conflito com a lei), vem denunciar a política
intitulada de Pressão Máxima adotada pelo Governo do Estado
do Rio de Janeiro para combater a criminalidade.
A sociedade finge que não
vê o extermínio que está ocorrendo nas comunidades
carentes de nosso Estado, com fuzilamentos à luz do dia, de pessoas
que não têm direito a processo, a defesa e a julgamento, optando
o Poder Executivo por rasgar a Constituição e travestir-se
em órgão apreciador e operador de seus próprios linchamentos.
A sociedade deve ser alertada e refletir sobre para onde tal trajetória
de desmandos a levará.
Não é possível
que em pleno século XXI, com uma democracia adolescente em seus
16 anos de implantação, permaneça o Estado usando
práticas fascistas de (in)segurança pública, aplicando
a pena de morte quando esta já foi reprovada pela população
brasileira, tanto que não ingressou na Constituição
Pátria.
Nós do MMFD vimos com
energia, firmeza e objetividade dar um basta neste estado de coisas. A
sociedade já decidiu que está com o Estado de Direito, quando
promulgou a sua Lei Maior. Sendo assim, tal Estado não deve e não
pode existir apenas para uns. Deve ser implementado para todos. Este o
espírito republicano e democrático que queremos radicalizar.
Os dois mundos
Enquanto "os garotos" do Brasil
disputam prêmios nos Estados Unidos, a "Cidade de Deus" real, formada
por pessoas em carne e osso, continua
uma beleza...
Morador torturado
teme Polícia Civil
Depois de ter sido torturado
por policiais militares do 1º Batalhão na semana passada, o
morador do morro da Coroa (zona central do Rio) Nelis Nelson dos Santos,
31, teme agora a ação da Polícia Civil.
Santos contou a familiares que
foi intimidado na quinta-feira por policiais civis no hospital Miguel Couto,
onde está internado. De acordo com parentes, que não querem
ser identificados, alguns inspetores interrogaram Santos e ainda tiraram
fotos.
Na segunda-feira passada, Santos,
desempregado e viciado em drogas, recebeu choques elétricos e foi
agredido por PMs que queriam saber quais traficantes estariam dominando
o morro.
O subsecretário de Direitos
Humanos do Estado, Paulo Baía, confirma a ação dos
policiais civis, mas nega que o objetivo tenha sido intimidar Santos. Segundo
Baía, como a família não registrou o caso na delegacia,
foi preciso que os policiais fossem até o hospital para fotografar
Santos e ouvir seu depoimento.
As fotos serão anexadas
aos três inquéritos abertos pelo Estado -na 6ª Delegacia
de Polícia, na Cidade Nova (zona central), no 1º BPM e um terceiro
na Corregedoria Geral Unificada da Secretaria de Direitos Humanos.
Jornal Folha de S. Paulo,
24.fev.2004. Leia
aqui
O seis falando do
meia dúzia
Rio de Janeiro possui polícia
mais violenta do planeta, dizem americanos.
"EUA criticam Brasil por falta
de promoção de direitos humanos", deu
no Globo Online, sobre um relatório do Departamento de Estado
norte-americano.
Afirma que as forças
policiais estaduais - tanto civis quanto militares - são responsáveis
por execuções extra-judiciais, tortura e espancamento durante
interrogatórios. O documento também cita as condições
de vida em presídios do Brasil, que variam de "ruins a extremamente
difíceis", e a violência no campo.
O Rio teria, afirmam, a polícia
mais violenta do Brasil.
No mesmo dia, pesquisa revela
que "padres
dos EUA abusaram de 10.677 crianças", sem contar os pelo menos
oito
mil mortos no Iraque.
Vai entender.
Sob o regime da força
"Estou
aqui há cinco minutos e já ouvi mais de 20 relatos de violação
grave dos direitos humanos. E todas praticadas por agentes do estado. É
assim em qualquer favela"
Cercado
ontem à tarde por moradores do Morro da Coroa, no alto do bairro
de Santa Teresa, alguns ainda com marcas de violência no corpo, o
pesquisador Marcelo Freixo, do Centro de Justiça Global, estava
impressionado:
— Estou
aqui há cinco minutos e já ouvi mais de 20 relatos de violação
grave dos direitos humanos. E todas praticadas por agentes do estado. É
assim em qualquer favela — dizia Freixo, enquanto anotava num caderno nomes
e relatos de violência policial.
Um dos
casos era o do vendedor X., de 18 anos. Na última terça-feira,
por volta das 23h, ele voltava para casa quando foi abordado por um grupo
de PMs numa Blazer do 1BPM (Estácio).
— Perguntaram
para onde eu estava indo aquela hora. Respondi que ia para casa. Um deles
me chutou, eu gritei e então um sargento falou: “Tá gritando,
tá reclamando, ainda vai apanhar mais”.
(...)
Em meio a vários relatos de violência e abuso policial, uma
mulher se aproximou para contar que na semana passada os policiais impediram
que ela deixasse a favela. A mulher estava carregando seu filho deficiente
para o tratamento agendado no Hospital Clementino Fraga, na Ilha do Fundão.
O menino de 7 anos não fala e não anda.
Pai
denuncia agressão a filho dentro de batalhão
O vigilante
Celso Garcia Couto registrou ontem na 17 DP (São Cristóvão)
um caso de agressão contra seu filho Gustavo Couto, de 22 anos,
na fila de inscrição para o concurso para a Polícia
Militar na última terça-feira, dentro do 4 BPM (São
Cristóvão). Segundo ele, seu filho foi agredido com um cassetete
na cabeça por um sargento do batalhão durante um empurra-empurra.
Com a pancada, o rapaz levou nove pontos na cabeça e permanece em
repouso em casa, sob o efeito de remédios.
— Levaram
o meu filho para o Hospital Souza Aguiar, mas, desde então, ninguém
da polícia me procurou para oferecer ajuda ou saber do seu estado
de saúde. É um absurdo acontecer algo assim dentro de um
batalhão. Vou entrar com uma ação contra o estado
— disse.
Procurada,
a assessoria da PM não retornou as ligações. [O
Globo, 20 de fevereiro, 2004, aqui
e aqui]
Marina Person tem
consciência
"Você
pega esse Marcinho VP (traficante assassinado no Presídio Bangu
3, RJ). Era um cara que tinha a capacidade para ser outra coisa na vida,
tenho certeza que ele queria isso. Muitos jovens querem isso também,
e acabam indo por caminhos estranhos, caindo no mundo do crime. É
uma pena. Está tudo lá no Estatuto, que a criança
precisa de oportunidade e educação, mas muitas dessas boas
intenções não saem do papel. Você fica pensando
em ajudar macro, mas não pensa em apoiar o filho de alguém
perto de você. As pessoas ignoram, acham que o problema não
é com elas. Se todos prestassem mais atenção…" [Marina
Person, apresentadora, Pacto MTV, Tema
05 - ECA]
Um dia, quem sabe
um dia
Carta
de um estudante de jornalismo no Rio de Janeiro
Senhores,
eu tenho aqui, comigo, diversas denúncias. Integrantes do governo
do Estado, delegados, PMs, nomes e datas com detalhes. Eu tenho a possibilidade,
como jornalista, de conseguir muito mais. Em cada comunidade, sem me arriscar
muito, eu posso coletar nomes e fazer metade dessa gente, paga pelo Estado,
ser denunciada por esta casa.
Vocês
sabem o que eu posso fazer com isso? Nada.
Se hoje,
sexta-feira, eu colocar essas denúncias na ouvidoria do Estado,
se levar para a delegacia, em dois dias, talvez três, todos os meus
companheiros, que estão na favela construindo creche, levando remédio
e tratando dos idosos, estarão mortos. Todos eles.
Esse é
o mínimo que pode acontecer. É a hipótese mais “light”.
Em outras duas hipóteses, mais comuns nestes últimos anos,
eles serão torturados e não morrerão, ficando com
as seqüelas e traumas do acontecimento; Ou, o pior, terão suas
filhas mortas, e serão condenados por suas mulheres, com quem estão
há 20, 30 anos.
Eu sou
morador da Zona Sul do Rio de Janeiro. Esta vem a ser praticamente a única
região na qual observamos a ação do Estado. No meu
bairro, Laranjeiras, muitos secretários e a própria governadora
residem. Sempre tive uma família grande e compreensiva.
Senhores,
vocês possuem filhos? É o que acontece na favela. Muitos possuem
filhos, netos, bisnetos. Estão todos lá, em meio ao fogo
cruzado, fugindo todos os dias dos traficantes e dos policiais. Na favela,
não existe trabalhador para a polícia. Ela entra atirando,
e todos são culpados até que se prove ao contrário.
E quem
vai ajudar? Todas essas associações, deputados e secretários
correm da comunidade na hora H. Eu não posso citar por medida de
segurança. “Não conheço, nunca vi vocês”, dizem
os governantes que em outros tempos prometerem proteção.
E os moradores que lutam pelos Direitos Humanos, que não se envolvem
com o tráfico, que estão tentando guiar os moradores para
as escolas e para o trabalho, todos são abandonados.
São
ameaçados, em 95% dos casos, por delegados, traficantes e PMs. Por
todos os lados, estão cercados. “Mas eu tenho que fazer o que é
justo”, me disse um, ontem. De onde será que ele tira força?
E quem pode ignorar o chamado da população? Só pessoas
muito inescrupulosas, podem ter certeza.
Sabem
qual é o crime desses moradores? Botam associações
para funcionar, criam legitimidade realizando eleições com
a comunidade. Enfim, lutam por algum progresso. Tudo sem o dinheiro do
tráfico. Tudo com a força de vontade que Deus – o único
representante do poder público que chega na favela – lhes deu.
Esse meu
amigo, que está marcado pelo delegado local, está pensando
em deixar a família. É muito arriscado ter esse tipo de relação
por estas áreas. Se a filha morre, a mulher vai falar para ele:
“Você foi quem matou minha filha”.
Portanto,
senhores e senhoras, impotentes e imobilizados diante da nossa irreversível
situação a curto prazo, vamos trabalhar para que a próxima
geração de parlamentares e secretários de Estado possam
fazer alguma coisa. Irreversível, sim, porque todas as instâncias
da Segurança Pública no Estado estão em situação
de calamidade pública. 10, talvez 20% de integrantes dessas instâncias
ativos na luta pelos direitos do destituído. O resto, omissos e
perpetuadores de injustiças diárias.
Esta semana
morreu um garoto nessa comunidade. Era iniciante no tráfico. As
pessoas da comunidade estavam levando ele para o caminho do estudo, de
Deus, qualquer que seja a forma para que ele saísse daquela vida.
O garoto foi classificado como uma espécie de meio-termo, ou seja,
não estava com a vida perdida, mas poderia se perder a qualquer
momento.
A polícia
entrou na casa dele e pediu R$ 1.500. “Vai pegar na boca de fumo”. Ele
não podia, não tinha nada com lá. Morreu, três
tiros, dois na cabeça. Acontece todos os dias, às vezes sai
na mídia e a Globo se escandaliza. Só quando Tim Lopes, que
falava demais – como é característica de uma pessoa alcoolizada
regularmente, situação de conhecimento de todos os moradores
dos locais onde ele trabalhava – ou alguém do tipo é morto,
é que nos mobilizamos.
Para que
pobre ganhe destaque, tem que acontecer o seguinte: “o rapaz recebeu choques
elétricos, levou chutes na barriga e foi empalado com um cabo de
vassoura. Levado para o Hospital Miguel Couto, onde chegou urinando sangue”.
Matéria do Globo de hoje, o rapaz é Nelis Nelson Souza dos
Santos, de 31 anos, morador do Morro da Coroa, em Santa Teresa.
Voltando
ao garoto morto. Esse garoto, cruelmente morto, tem direito a um enterro
de R$ 300, porque era carente. O funcionário do governo do Estado,
atualmente nas mãos do casal Garotinho, disse para os parentes dele
para que “guardassem o corpo por três meses”. Justificativa: “Eu
não vou liberar agora porque senão, na época da eleição,
vem outro deputado aí, faz um churrasco e todo mundo vota nele.
Vamos esperar as eleições”.
E por
que eu não posso fazer essa denúncia? Por que o Estado de
Direito faliu. O Estado faliu e estamos na Terra de Ninguém. E seja
o que Deus – repito, o único representante do poder público
nas favelas – quiser.
.
Gustavo
Barreto
Rio,
19 de fevereiro de 2004
.
Esperança,
é preciso tê-la
PM
ajuda operário que lutava com bandido armado
O operário
Dimas Ferreira Alves, de 21 anos, lutava com o assaltante Eric Teixeira
Ferreira, de 20, que estava armado com um revólver calibre 38, quando
foi socorrido por policiais do 16º BPM (Olaria), que passavam pela
Avenida Brasil, altura da Penha, na noite desta terça-feira.
Os PMs
dominaram o assaltante e o levaram, junto com a vítima, para a 22ª
DP (Penha). Em seu depoimento, o operário afirmou que, instantes
antes da chegada da polícia, o criminoso lhe rendera para assaltá-lo.
Dimas disse que se aproveitou de um momento de distração
do criminoso e tentou pegar a sua arma, dando início à briga.
Eric Teixeira foi atuado por tentativa de roubo. Do
Globo Online, 18 de fevereiro, 2004
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