O Trenzinho
do Caipira pára na estação Brasil, por Petrônio
Souza
Sebastião Vianna
é maestro, foi amigo e revisor da obra de Heitor Villa-Lobos e pai
do grande instrumentista mineiro, Marcus Vianna. Na década de quarenta
era maestro da orquestra da Polícia Militar de Juiz de Fora. Desentendeu-se
com um dos comandantes da corporação, pediu demissão
e foi para o Rio de Janeiro. No Rio, encontrou um amigo que tocara com
ele na Orquestra Mineira, da capital do estado. Milton de Carvalho, o pianista,
o aborda:
- Sebastião
o quê que você veio fazer aqui?
Sebastião
com uma flauta debaixo do braço responde:
- Tocar.
Milton
de Carvalho adverte:
- Mas
você chegou em uma hora muito errada, o Dutra mandou fechar os cassinos,
aqui no Rio tem mais de quinhentos músicos desempregados.
Sebastião
é de uma época em que havia profissões e não
empregos, ficou no Rio, conheceu Villa-Lobos e viajou o mundo divulgando
a obra do mestre da brasilidade.
No Brasil,
hoje, segundo dados do governo são 4,5 milhões de desempregados,
mas com toda certeza o número é bem maior, pois ele não
considera as pessoas que ainda não tiveram o primeiro emprego e
isso engrossa e muito o caldo. Com o racionamento, este número não
só vai aumentar como dificultar os novos/primeiros empregos, mas
estes dados serão debitados no caixa dois.
O racionamento
não é energético, é do próprio governo
de FHC que a cada dia nos priva do direito à cidadania. O brasileiro
que trabalha e consegue adquirir bens agora está privado de usá-los,
é claro que existem exageros, mas o direito de consumo é
do consumidor que por ele paga, então é dele o direito de
estabelecer os seus limites. Quem paga uma conta mensal paga por uma manutenção
mensal do sistema, e esta manutenção não existe. O
direito do consumidor não é assegurado pelo governo, uma
vergonha!
O Brasil
é um país de rios perenes, os rios estão lá,
dia a dia seguindo para o mar, enquanto que o dinheiro público segue
para as cataratas dos bolsos dos FHCêzinhos que precisam semestralmente
comprar votos no Senado e no Congresso para deixar que a água corra
solta.
Por quantas
vezes o povo brasileiro vai ter que pagar pelos erros da omissão
de FHC? Sim, pois ele paga pelo aumento da conta de energia no final do
mês, pela indisponibilidade diária dos seus bens, pelo aumento
diário dos produtos repassados pelos fabricantes, e no final das
contas ele não sabe se todo este sacrifício o livrará
do apagão e dos problemas que ele possa trazer. E quem vai multar
o governo?!
Não
esqueçamos que FHC foi à TV e declarou que sobre o consumidor
não iria pesar nenhuma multa pela crise energética, e dias
depois anunciou o pacote/punição aos brasileiros que até
pouco tempo representavam uma das glórias de FHC, que se envaidecia
de ter no seu governo um dos maiores índices de venda de eletrodomésticos
de todos os tempos. Este rapazinho só pode lavar o rosto com óleo
de peroba.
Para
FHC está tudo bem, ele faz, desfaz, depois endereça a conta
do seu desgoverno para nós, os brasileiros. O Cláudio Humberto
revelou na sua coluna, no “Tribuna da Imprensa”, que toda estrutura punitiva
do apagão foi arquitetada pelo genro de FHC, David Zylbersztajn,
o presidente da ANP (Agência Nacional do Petróleo), que, ao
tomar posse na ANP, declarou que um dos seus primeiros planos seria a privatização
da Petrobrás. O povo criticou e ele preferiu esfacelar a Petrobrás,
que sob a sua gestão agoniza. Esta dupla está em todas, sempre
apagando as luzes dos caminhos...
Para
nós que pensávamos que o Brasil caminhava para um avanço
econômico e social, entramos no novo milênio de vela em punho,
para não nos perdermos nas curvas dos caminhos. A todos um aviso:
o último que sair não se esqueça de apagar a vela.
Petrônio
Souza é produtor artístico e fotógrafo e escreve
nesta coluna às terças-feiras
Consciência.Net