Aí, que saudade do Carrasco Azul!, por Petrônio Souza
    Após o afundamento do navio de pirata, a CPI da Corrupção, FHC posou sorridente e com um brilho traidor no olhar para as capas dos principais jornais do Brasil, durante discurso de inauguração da Ponte que irá ligar as Cidades de Corumbá à Campo Grande (MS). FHC estava feliz, rindo à toa, pois quando for prestar as contas aos seus mecenas internacionais, do seu desgoverno no Brasil, ele tem como sua maior realização a globalização da corrupção no país. A globalização – estruturada na especulação – precisa da corrupção para ser institucionalizada, e esta institucionalização FHC conseguiu cumprir com maestria e por isso FHC vai levar seu desgoverno até o fim, com a ajuda dos seus maiores aliados, os financistas internacionais, donos do mundo.

    Na semana passada, dois dos mais experientes jornalistas do Brasil, Carlos Chagas e Sebastião Nery, que assistiram a todas as manobras do sistema ditatorial pós 64, davam como certa a instalação da CPI da Corrupção. FHC conseguiu ser muito pior do que eles pensavam e salvou sua cabeça corrompendo a política nacional até as suas bases, liberando verbas para as mais ignaras prefeituras municipais, desarticulando assim a CPI da Corrupção.
    Quando digo que ela, a CPI, é um navio de pirata, digo que os deputados que haviam assinado sua instalação em última hora retiram o nome, ridicularizando a população brasileira que acreditou neles, e o navio afundou na praia. Não pode ser séria esta CPI, ainda mais se constatarmos que cinco dos vinte deputados que retiram seus nomes eram baianos e do PFL. Hora, é claro que quando este grupo político, o baiano, entra em bloco com seus nomes na CPI, sendo eles congêneres do babalaô ACM de estado e de partido, se torna suspeito, e o que se viu foi o desserviço que eles prestaram à nação. É óbvio que uma CPI mais séria teria atentado para este fato e se preparado para uma possível manobra deste grupo, que foi lá e na última hora retirou o seu apoio, e nada aconteceu, e nem acontecerá a eles e nem ao seu mandante, uma vergonha. Esta de tirar o nome não cola, onde está a palavra e a honra do cidadão? Sim, por que até em brincadeira de amigo oculto, onde todos se conhecem, quem coloca o nome não pode mais tirar, e eles não só colocaram os nomes, mas também assinaram a CPI, portanto eram obrigados a assumir a decisão até o fim. Tudo configura um grande balcão de negócios para assegurar os interesses dos dois lados, uma pena.
    Depois desta, aposto uma marmelada que o Toninho não vai ser cassado, e nem o Jader Barbalho, que como presidente do Congresso tomou a atitude inconstitucional de arquivar a CPI da Corrupção, uma corrupção enterrando outra, como na citação bíblica: “Chegará um tempo em que os mortos enterrarão os seus mortos”, é o princípio do fim.
    FHC, para barrar a CPI, liberou através da Caixa Econômica Federal R$ 60 milhões e pelo Ministério da Integração Nacional R$ 10 milhões, – preço das palavras dos vinte deputados que retiraram seus nomes – os números foram divulgados pelo Siafi – sistema que acompanha os gastos do governo federal. Como é que pode, do dia para noite, com um país sofrendo as agruras da globalização, como a fome, o desemprego, a violência urbana, o governo federal liberar este montante de dinheiro público e ninguém questionar, não perguntar o por quê e para quê todo este investimento. Isto em um país mais sério teria uma CPI imediata, e seria a décima sétima acusação que pesaria sobre o desgoverno de FHC.
    Um deputado do Rio que retirou seu nome na última hora até declarou: “A pressão do governo é muito grande e eu não posso ficar exposto a retaliações porque preciso atender as minhas bases”, é a ditadura da corrupção até às bases, uma hipocrisia.
    Para afundar mais o barco e aumentar a saudade do Carrasco Azul, viro a página do jornal e lá está a polícia da Bahia prendendo estudantes e batendo nestes que saíram às ruas de Salvador pedindo pela cassação do Toninho, o Malvadeza. Noutra página do jornal diz que a TV Cultura da Bahia tirou um programa do ar no momento em que a TV transmitia uma reportagem que revelava a fita gravada que continha a declaração de ACM sobre a lista da votação da cassação do ex-senador Luis Estevão. Quando o governo da Bahia toma esta atitude, ele o faz sabendo da aprovação do governo federal que precisa destes incidentes para declarar o fracasso da nossa sociedade, para nos dizer que estamos na beira do fosso e que isto tudo é coisa do nosso tempo. Faz-se uma escuridão danada e sob a luz da lua adormece o sonho brasileiro. Os apagões representam isso.
    É óbvio que não dá para ter saudade do Carrasco Azul, nem em sonho, nem dormindo com a Ana Paula Padrão. Mas o Fernandinho, mestre em missões impossíveis, me aprontou mais esta, conseguiu me fazer sentir saudades do Carrasco Azul Médice, do Golbery, e do Joãozinho então, nem se fala... FHC conseguiu ser pior que todos eles juntos. O que FHC fez em seis anos, em nome de uma suposta democracia e de uma suposta globalização, eles não conseguiram fazer em 20, e olha que eles tinham a força das armas e todo um aparato implementado e consumado. Não tenho nenhuma dúvida, a ditadura deles deixou marcas nos corpos dos brasileiros, a de FHC vai deixar nas almas.

Petrônio Souza é produtor artístico e fotógrafo


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