Nem vendo São Thomé acreditaria em tal malfeitor, por Petrônio Souza
    Estava em São Thomé das Letras, sul de Minas, e precisava receber/assinar um documento com urgência. De Belo Horizonte, o grande contista mineiro Tadeu Martins, diretor da Belotur na época, sugeriu-me que conseguisse um fax. Em São Thomé, meu amigo Olídio Malacrida, cedeu-me seu aparelho para que pudesse receber tal documento.

    De Belo Horizonte, Tadeu Martins telefona para o Olídio, que não se encontrava em casa, e sua simplória secretária atendeu:
    - Alô!
    - Bom dia, eu falo de Belo Horizonte, você poderia me dar um sinal de fax?
    - Nossa Senhora, meu patrão não tá aqui e eu não posso dar nada, não senhor!
    O patrão de FHC não está aqui e ele não pode nos dar o mínimo de dignidade enquanto cidadãos de uma nação. Ele tem que pagar R$ 360 bilhões de reais para o seu patrão que está lá, além fronteiras, e para nós destina a migalha de pouco mais que 2% em relação ao montante que sai dos nossos cofres públicos para as fartas cataratas dos banqueiros internacionais.
    Se não bastasse só isso, FHC agora me aparece com uma tal Bolsa-escola. Está na TV, no rádio, no jornal, como a maior obra do governo globalizante. Agora pergunto: sabem qual é o valor mensal da Bolsa-escola do Fernandinho?! R$ 15 mensais! Essa foi de arrepiar os cabelos do Chico Careca. Esta Bolsa-escola de R$ 15 mensais é um acinte sem precedentes em toda nossa política social.
    O mais estarrecedor é que FHC leva uma propaganda ao ar e tem o desplante de falar do projeto como se fosse uma grande realização. O valor do benefício ele esconde, em nenhuma peça publicitária o valor foi veiculado. FHC está cansado de ser o seu próprio erro. Queria ver o casal astral – FHC e Dona Ruth – na TV, revelando em rede nacional as estatísticas desta sabotagem social. O ministro da Educação, Paulo Renato, estufou o peito e falou com presteza:
    - A Bolsa-escola é para famílias que têm renda mensal até no máximo de R$ 90 por pessoa. E vai beneficiar 6 milhões de famílias no Brasil.
    Ora, para uma família que tem renda até R$ 90 por pessoa, em que estes R$ 15 vai ajudar? Com toda certeza, os custos operacionais deste projeto devem superar, e muito, o valor minguado desta Bolsa-escola.
    O governo de FHC é um retrocesso em nossa política nacional. A Bolsa-escola do ex-governador de Brasília, Cristóvam Buarque, era de meio salário mínimo, R$ 90, ou um salário mínimo, R$ 180. Os valores eram em relação aos números de filhos matriculados. A Bolsa-escola do moderno governo globalizante é de R$ 15 para até três filhos em uma mesma família. Então, o máximo que uma família pode receber de FHC é R$ 45, o que é nem a metade da do Cristóvão, que tinha o valor mínimo de R$ 90. Uma hipocrisia...
    Hoje no Brasil, são 54 milhões de excluídos vivendo abaixo da linha da pobreza. O relatório da ONU informa que de 2000 para cá, o número de pessoas que vivem no Brasil com até US$ 1 por dia subiu de 5% para 9%. Isto em apenas 365 dias. Quer dizer que, em 2000, eram aproximadamente 30 milhões de miseráveis e, em 2001, subiu para 54 milhões. Ou seja, a globalização de FHC cadastrou em apenas um ano mais 25 milhões de miseráveis brasileiros. É a falência total da política social brasileira. Lamentável!
    E a bancarrota não para aí! Quatro dos cincos estados que têm a maior parcela de sua população vivendo abaixo da linha da pobreza são governados por partidos do núcleo da base governista: Maranhão, Piauí, Ceará e Bahia têm suas administrações nas mãos de pefelistas e tucanos e vestem esta carapuça da vergonha nacional decretada por FHC. Não dá para separar o governo de FHC desta tragédia brasileira, tudo culmina nele, é o fio orientador que conduz para o fundo do labirinto sem saída, ou melhor, sem luz.
    O mais triste disso tudo é constatar que por pouco mais de R$ 1 bilhão por mês seriam necessários para que mais nenhum brasileiro tivesse que sofrer esta humilhação diária sobre a face herege da pobreza. O que é R$ 1 bilhão frente aos 360 que o governo de FHC destina anualmente ao FMI e seus mecenas internacionais?  Seguindo o conselho do Fernandinho, é melhor pegarmos o caminho da roça e lembrarmos que ainda existe um Brasil que planta para alimentar seus filhos. Um Brasil que vive para o trabalho dos braços, que singra e molha a terra com o suor do seu corpo para ver o fruto crescer. Um Brasil que colhe porque plantou e plantou por acreditar na colheita futura e na força do trabalho.
    O Fernandinho nunca plantou, sempre colheu. Por isso, desdenha o que vem do fruto do trabalho dos brasileiros. Em seu governo, fechou os financiamentos ao médio e pequeno produtor rural e abriu as fontes nacionais para a agiotagem internacional, que diariamente estupram a nação e nos deixam nas mãos dos filhos indesejáveis.

Petrônio Souza é produtor artístico e fotógrafo


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