A pergunta é sucinta, básica, endereçada ao governo oposicionista, eleito por 53 milhões de votos dos brasileiros esperançosos em um governo esquerdista, com uma política voltada para os interesses nacionais, que após a onda neoliberal se viu a míngua e à beira de um precipício moral, político e institucional.
Após esta breve explanação, entre a esperança e esperar, o povo pergunta: por que eu votei no Lula?! Para ter um corte de R$ 14 bilhões no Orçamento, o aumento do superávit primário de 3,75% para 4,25%, das tarifas de telefonia celular em 22%, das tarifas de energia elétrica em 30%, do álcool em 29%, da gasolina, e de todos os produtos atrelados ao combustível motriz? Soma-se a isto José Sarney como presidente do Senado, Geddel Vieira Lima na primeira-secretaria da Câmara, Antônio Carlos Magalhães na Comissão de Justiça, Henrique Meirelles na presidência do Banco Central e o PT querendo calar a voz insurreta contra os desvios cometidos pelo partido contra a sua própria história. Dentro da gente vai nascendo um sentimento diferente e o medo, vencendo a esperança.
Talvez o maior agravante disso tudo seja esta constatação, de um partido que construiu sua história e glória em cima da oposição, das contestações sobre os senhores do poder, tentar calar a voz daqueles que contestam a postura dos novos donos do poder. Pode ser que o Partido dos Trabalhadores não admita oposição alguma senão a dele mesmo e aí a parcela minoritária é de revoltosos, e não opositores.
É a imaturidade do governo Lula e seus asseclas, pois os partidos se dividem quando estão perdendo e não quando estão ganhando, assim, a situação do governo petista torna-se apenas sui generis.
O que não podemos ignorar são as considerações feitas pelos companheiros do PT e as do deputado pelo Pará, João Batista, caíram como uma bomba, pois se ele, parceiro de lutas e vitórias do ministro Antônio Palocci, diz que não confia nele nem como médico, o que diremos nós, que estamos vendo os desvios de Palocci na conduta da política econômica deste novo governo?!
Quando FHC liberou a cobrança das tarifas bancárias pelos bancos, pensei que tal atitude nem os militares fizeram. Agora, quando o governo petista eleva a taxa de superávit primário em 0,50%, penso que isto nem o final do governo fernandista fez.
Vale dizer que a eleição de Geddel para primeiro-secretário da Câmara se deveu ao fato, no melhor estilo Sérgio Motta, do Palácio cair forte em cima da campanha do líder entreguista do PMDB, contra o líder oposicionista do PMDB, ala que ficou com Lula na campanha presidencial, Aristodemo Pinotti. Esta vitória do PMDB copincha representado por Geddel, contra o PMDB oposicionista, representado por Pinotti, vem marcar por quais caminhos este governo quer trilhar.
Parafraseando José
Genuíno, quem quer um governo de oposição a este modelo
econômico é melhor pegar outro trem, que este já tem
direção definida...
Petrônio
Souza é escritor. [petros@brfree.com.br]
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