Uma era “Mande
in Paraguay’’, por Petrônio Souza
O camelô da televisão
brasileira, o SS da alienação cultural, fez uma cópia
muito sem vergonha, mande in Paraguai, do hipócrita “Big Brother”
e vendeu no varejo a pulha libidinosa chamada de “Casa dos Artistas”, que
de artista não tem nada. Mas como a idéia é da falsificação,
da picaretagem, neo-vedetes e brutamontes imbecilizados viraram a nova
atração nacional, a nova referência infanto-juvenil.
A “Casa dos Artistas” não está lá dentro, mas cá
fora, alimentando a magnífica televisão brasileira, que em
outro canal, nem precisou fazer a versão do nome.
O Big Brother é
o filho do Tio Sam, que sempre despejou as anomalias saxônias em
nosso quintal azul-anil. O problema é esta camarilha grande irmã
dos nossos colonizadores que sempre levaram nossa melhor parte e
nos deram a sua pior. Fizeram do Brasil uma paródia moderna do “Circo
do Horrores” do Tod Browing – que lá nos USA foi perseguido e censurado
– em que assistimos “macacos” adestrados, “cavalos sarados” e “gazelas
esvoaçantes”, incapazes de interpretarem um único papel e
por isso, assumem sua realidade debilóide, cheia de aberrações
e iniqüidades.
Para aceitarmos este conglomerado
midiático anti-educativo e anti-cristão, tivemos que assistir/concordar
com Ratinhos, Xuxas, Gugus, que preparam o palco para a encenação
desta patogênica “Casa dos Artistas” que virou a vida do cidadão
brasileiro. É claro que nesta casa muitos se sentem artistas. Se
lembrarmos da nossa desmoralizadora política nacional, tudo se torna
mais aceitável ainda, o que é uma vergonha.
O cerco desmoralizador
vai fechando em cima da moralidade nacional, que pode até acreditar
que nossa história foi este “Quinto dos Infernos” criado pelos diabões
que querem queimar nossa honra e moral. É tudo muito bem armado,
e os desavisados não conseguem enxergar o que está por traz
desta cortina que veda nossos olhos e nossa razão.
A televisão, em
si, consuma o aprimoramento científico de nossa civilização.
No entanto, serve para levar esta mesma ao mais triste ambiente primitivo,
dominado pelo animalesco e embrutecimento da inteligência libertadora
do homem moderno. Através destes programas a televisão vem
prestando um desserviço à humanidade e à nação
brasileira.
Estão lá
aqueles “ninfomaníacos” quais bichos em zoológicos declarando
ao mundo sua podridão existencial, com QI de dar inveja a um ornitorrinco.
Estão presos em seu diminutivo mundinho de aparências pueril,
infelizes consigo mesmo, mas como não podem se mudar por dentro,
tentam se mudar por fora, transfigurando e adulterando o seu corpo físico.
É a materialização da ignóbil condição
humana.
Ó temporas, ó
mores, diria o filósofo que foi calado por esta indústria
pecaminosa da banalização dos valores humanos. É o
dedo em riste da amoralidade, da ignorância, contra qualquer ‘picada’
que possa guiar e orientar a conduta humana em direção a
novos valores, capazes de nos mostrar que estamos aqui apenas de passagem,
em um processo de aprendizagem e não para vivermos este hedonismo
egoísta, individualista e amoral, de armação e sacanagem
contra o próximo. É uma encenação de como as
pessoas podem falsear e trair seu semelhante, sem contudo ter um mínimo
de culpa ou de arrependimento. É um olhar torpe, mesquinho, vil
e escuro do buraco da fechadura contra a luz da porta reveladora.
Podemos dizer que estamos
no estágio “Casa dos Artistas”, por que ela representa e está
representando o mundo banal que vivemos. O voyeurismo patogênico,
calado e consentido, tomou o lugar de outros valores e não podemos
dizer com certeza onde esta decadência referencial irá nos
levar. Para bom lugar com certeza não é, basta constatarmos
a atual em que estamos.
Para os que estão
gostando desta nova onda, deste novo frenesi, podem esperar que virão
outros bem piores, até que a “Casa dos Artista” seja a casa de todos,
e esteja em todos os lugares. Aí, todos seremos artistas e modelos
deste circo horrendo que está sendo nossa atual realidade humana.
Petrônio
Souza é produtor artístico e fotógrafo.
Consciência.Net