A Globalização do Neoimperialismo, por Petrônio Souza
    O Barão de Alfenas poderia ser aclamado como o Barão do Sul das Minas. Ergueu igrejas, construiu cidades e deixou seu nome gravado nas pedras da história mineira. Falecido, o Barão de Alfenas foi sepultado dentro de uma das mais belas de suas criações, a Igreja matriz de São Thomé das Letras.

    Durante todo mês de agosto é comemorado na cidade de São Thomé a Festa de Agosto, que recebe visitantes de toda região para as comemorações religiosas. Numa destas festas, a banda da cidade vizinha de Cruzília fazia a abertura das festividades. Um dos componentes da banda, Zé Quibaba, atormentado pela obsessão do alcoolismo, foi até a igreja render devoção ao santo que o pudesse ajudar. Ao ver a primeira imagem, uma pintura na entrada central da igreja, ajoelhou-se e se pôs a rezar. Amigos que o procuravam temendo pelo desvio do companheiro encontraram-no em postura suspeita e indagaram:
    - Zé, quê que você ta fazendo aí, sô?
    - Tô pedindo uma ajudinha pro santinho aqui.
    - Cê ta doido homi, isso não é santo não sô, isso é o Barão de Alfenas!
    Zé olhou para o quadro intimidado pelos risos dos amigos e justificou:
    - Bem que eu tava desconfiado da cara desse sem vergonha, nunca vi santo usar óculos!
    O Zé Qui Babão FHC reza para o santo errado, ele diz que o negócio é a globalização, mas na verdade paga promessa para o neoimperialismo, o colonialismo hegemônico do capital especulativo, do supranacionalismo americano que assola a América Latina, legando a ela o quinto mundo dentro da terceira via.
    A promessa de FHC é a mesma da terra arrasada: suga até a última gota do nosso sangue e depois nos deixa a carcaça de um Brasil carcomido pelas hienas nazistas do neoimperalismo. Esta nova globalização imperialista se aproveita das nossas riquezas e as tornam em mercadorias para benesses de uma meia dúzia, citadina ao redor de FHC.
    Para justificar a privatização da nossa telefonia, o Zé Qui Babão falou que isso iria criar a livre concorrência, a queda dos preços, que era a globalização... Bom, o que se viu foi à criação de um grande cartel que fez com que de 1994 até hoje, as taxas de assinatura residencial aumentassem em 477%. É a globalização, e o aumento do salário não tem globalização nenhuma. Globalizaram o nosso orçamento, liberando a ninharia de R$ 10 bilhões para investimentos no país e R$ 350 bilhões para amortizar a nossa dívida externa, ou seja, ao FMI. Depois destes números, faz-se uma escuridão danada dentro da gente. O Zé Qui Babão, com o país à beira de um grande blecaute, manda R$ 350 bilhões de reais para fora do país, e nós somos obrigados a pagar pelo aumento da energia e a falta de investimentos no setor. Isto em outro país terminaria em uma grande guerra civil e aqui parece que ninguém atenta para o fato.
    Analisando os números do nosso orçamento, entendo que FHC tem 340 bilhões de vezes mais para pagar ao FMI devidamente, que pagar pela reforma do nosso setor energético. E tem mais, como a globalização necessita da corrupção, destes 10 bilhões, apenas três vão chegar ao seu fim como investimento. Jader Barbalho sabe muito bem fazer este cálculo.
    FHC e todo o governo rezam pela mesma cartilha, pois depois de um acinte deste, nenhum político levou ao público o roubo globalizante.
    Agora é de impressionar como toda instituição capitalista está engajada na venda desta falácia da globalização. Não se vê em nenhum canal de TV, programa de rádio e nem nos grandes jornais, pensadores e são muitos que são contrários a este modelo macabro, que a cada dia nos priva de sermos nós mesmos. Hoje, são no Brasil 54 milhões de pessoas vivendo na linha da pobreza, ou seja, com R$ 60,00 mensais. Os números são do próprio governo. Agora, por que ao invés de globalizar a pobreza, FHC não globalizou a riqueza? É o neoescravagismo.
    Esta história da globalização é um fantasma que paira com sua sombra negra em cima da era moderna. O mundo está globalizado desde que a música foi criada, pois ali estava instituída uma língua universal, e assim deveria ser a globalização, ou seja, a universalização dos bens da humanidade, mas não é o que vemos.
    O distanciamento entre as gerações, a destruição dos valores nacionais, a suplementação das culturas regionais, a banalização da arte e dos valores morais, a cultuação ao corpo e ao materialismo fanático, a teatralização da violência, os modismos, o efêmero, o banal, o sexo patogênico, entre tantos outros, são os novos sonhos de consumo do mundo neocolonizado. Só para ilustrar, usemos a imagem da Bossa Nova, criada pelos gênios brasileiros Antônio Carlos de Almeida Jobim e João Gilberto, que globalizaram sem querer a música brasileira. Tom & João fundiram a harmonia impressionista da música brasileira a elementos rítmicos e melódicos do jazz americano, criando uma terceira música, que se recriava em si mesmo; era a globalização. O Funk do Tigrão pega uma batida estrangeira e adapta a letra às suas realidades, é o neoimperialismo de FHC em detrimento da globalização.
    A taxa de juros cobrada pelos bancos brasileiros gira em torno de 152% ao ano, enquanto que o salário do trabalhador tem 0,0% de aumento. As taxas de juros dos nossos bancos a cada ano sobem um pouco, enquanto que a do Banco Central americano baixou os juros para 3,75% ao ano. Já que existe a globalização, por que não globalizar os juros americanos aos países que tem dívidas ao FMI?
    O Brasil é grande demais em si mesmo e precisa ser unificado. Enquanto usinas do sul esbanjam energia, o norte e sudeste acendem velas para espantar a escuridão de um mundo neocolonizado. Mas não é esta a política de FHC, pois ele precisa olhar do planalto e ver um Brasil destituído de sua pujança e grandiosidade. Faz parte do jogo, desdenhar para comprar/vender barato.
    Ouvi uma vez em uma mesa de bar que o Brasil é uma grande colônia de banqueiros. Prefiro acreditar que o Brasil está uma grande colônia de banqueiros. Mas toda farra tem, ao nascer do sol, o seu fim. É chegada a hora de arrumar a casa.

Petrônio Souza é produtor artístico e fotógrafo


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