Os santinhos
do pau-oco do herege Michel, por Petrônio Souza
Francisco Gonçalves –
o popular Seu Chiquinho – era vereador na década de 60 em Belo Oriente
(MG), sendo presidente da Câmara seu adversário político,
o Sr. Geraldo Lopes, ambos com idade avançada. Cumprindo promessas
de campanha, Seu Chiquinho levava para apresentação na Câmara
Municipal o projeto de lei que criava 4 pontes na zona rural da pequena
cidade. Depois do pronunciamento, entregou o projeto nas mãos do
presidente da Câmara. O Sr. Geraldo Lopes folheou o projeto, olhou
de cima embaixo e voltou-se ao adversário:
- Projeto de lei uma pinóia,
aqui só tem projeto de lei para quem vota comigo! - Rasgou o projeto
e atirou os restos na cara do velho político. Seu Chiquinho agachou-se
com dificuldade e catando os cacos do projeto falou ao Presidente da casa.
- Vossa excelência
deveria ter o mínimo de respeito com um dos homens que ajudou a
implementar este município!
Itamar Franco, depois
de agachar-se com dificuldades na frente do presidente do PMDB, vem ajuntando
os restos do partido e tenta garantir a realização das prévias
do próximo dia 17 de março. O Cara de Areia Mijada, o advogado
Michel Temer tenta burlar o estatuto do partido alegando que uma Convenção
Extraordinária só pode ser convocada pela Executiva Nacional
do Partido, ou seja: ele e seus lacaios. Ora, o direito de convocação
extraordinária como vigora no estatuto do PMDB é democrático
e existe para assegurar o direito da minoria que precisaria de no mínimo
1 terço dos convencionais para esta convocação, e
isso a minoria do PMDB já conseguiu.
Itamar Franco vem colhendo
os restos do partido que foi rasgado e atirado na cara dele em 98 e 2002
pelo Jader Barbalho, Michel Temer e Geddel Fazendinha (como o Geddel é
conhecido na Bahia). Mas os prepotentes governistas não contavam
com o poder de articulação dos veteranos emedebistas, fundadores
do partido. Michel e Geddel perto de Paes de Andrade, Pedro Simon e Itamar
Franco são cristãos-novos em política e vêm
tomando um banho de articulação. O Ceará de Paes de
Andrade já deu 21 assinaturas das 27 do estado, Rio Grande do Sul,
40 de 52, e Minas, 55 de 58.
Agora é o momento
da ala não-governista do PMDB fechar o cerco em cima do bando Fernandista.
Pois, depois da revelação de que Eliseu Padilha e a versão
piorada de FHC, o sociólogo Moreira Franco, estavam viajando pelo
Brasil e distribuindo santos-de-pau-oco com dinheiro do DNER para correligionários
rezarem pela cartilha do planalto e afundarem de vez a realização
das prévias do dia 17, e a prisão de Jader Barbalho, fica
evidente que esta turma não tem a mínima condição
moral de comandar o maior partido do país e nem estarem à
frente de uma instituição que foi fundada e dirigida pelo
saudoso Dr. Ulisses Guimarães.
O presidente da Comissão
Organizadora da Convenção, o ex-presidente Paes de Andrade,
declarou que ainda não fez a convocação da convenção
por que quer desmoralizar a ala entreguista do PMDB, obtendo mais da maioria
das assinaturas do partido.
Enquanto isso, a sucessão
presidencial dentro do PMDB está mais para filme de terror do que
novela, cujo personagem principal é o mordomo Michel e o dono da
mala preta, uma assombração que se vê a sombra, mas
não o rosto.
Lula ligth?!
Agora o Lula resolveu inovar.
Em 89 foi Lula lá, agora é Lula ligth. Resolveu de uma vez
por todas o problema dos descamisados do Brasil e se aliou ao industrial
do setor têxtil, o senador José Alencar. O partido que até
pouco tempo fora dos trabalhadores, agora cabe também industrial.
Será que esta aliança era para o Lula e para o que ele representa?!
O problema é a
dúvida: será que pode haver aliança entre empregador
e empregado, entre o fuzil e o fuzilado? É óbvio que o que
seria ideal era empregado e empregador sentados à mesma mesa, mas
em tempos de globalização, o máximo que pode haver
entre empregadores e empregados é um acordo, e isso o Lula se esqueceu.
O pior é se alguém vier soprar no seu ouvido, a máxima
globalizadora do mau caratismo, de que “acordos existem para serem quebrados”.
Quem sabe aí ele volte a se lembrar do tempo em que era operário
e um destemido líder sindicalista.
Roseana, a Sarney
Nada foi mais revelador
sobre o governo de Roseana no Maranhão que a matéria do jornalista
Palmério Dória, publicada na edição deste mês
da revista Caros Amigos. Tudo está lá, claro como água
de riacho, as obras de Roseana e do Senhor seu marido.
Verticais bambuzais
Os dias de chuva/ Vão
matando-o/ Aos poucos,/ Por que em si/ É oco,/ Como os verticais
bambuzais.
Petrônio
Souza é produtor artístico e fotógrafo.
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