Tacacá com acarajé – um prato indigesto!, por Petrônio Souza
    “Quer dançar, Quer dançar?! O Tigrão vai te ensinar!”. Este foi o convite que o Tigrão ACM fez a Jader “Baralho”, quando Jader ousou disputar  a presidência do senado com o Tigrão, sarado nas praias de Arraial D’Ajuda. Baralho venceu a primeira rodada e jogou uma saraivada de tacacá no terno de linho branco do Tigrão – que ficou irado – e agora vai aos pouquinhos tacando uns acarajés na cabeça de Baralho. O Congresso Nacional virou uma jogatina e Baralho pensou que dava as cartas. Fora a sorte de principiante, ele vê a mesa virar e não sabe mais em quem apostar. Até prometeu para uns um pouco de tacacá, mas eles preferiram o tradicional acarajé, pois o prato já era conhecido, já era da casa. Baralho está ficando sozinho e vai ter que escolher novos parceiros para não abandonar o jogo que ainda está começando.

    Após a revista de Civita (Veja) trazer a matéria/denúncia contra Baralho, os jornais do país inteiro levantaram a trágica vida política do desafeto de ACM. O jogador paraense já foi acusado de corrupção em 1992 e até ganhou uma CPI. À época, a Câmara dos Deputados recolheu 231 assinaturas para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, para investigar denúncias envolvendo Baralho no período em que foi ministro da Reforma Agrária (1987/1988) e da Previdência Social (1989/1990). O pedido de CPI se arrasta até hoje na Câmara, onde tramitou por 22 lugares diferentes, entre comissões, mesa e plenário. As acusações contra Baralho são vastas e envolvem compra de terras irregulares,
“negociatas, parcelamentos e intermediação" no pagamento de “vultosas contas em atraso" de hospitais conveniados em Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Pernambuco. No final da gestão no Ministério da Previdência, denúncias de uma série de “concorrências fraudulentas" e “superfaturamento", inclusive de material médico, obtenção de “vantagem ilícita" da Prefeitura de Osasco (SP), através de proposta na qual “facilitaria a liberação de recursos" para a construção de um hospital, mediante “supervalorização" de um imóvel, e agora esta sociedade de Baralho com o empresário José Osmar Borges, acusado de desviar R$ 133 milhões da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).
    Depois do episódio, o Tigrão cantou no Pelourinho: “Vou cortar você na mão, assim, assim”. O pior disso tudo é a desmoralização política da nação. Baralho e ACM trocaram farsas no Congresso Nacional e um chamou o outro de ladrão. Vou repetir: os senadores Antônio Carlos Magalhães e Jader Barbalho em pleno Congresso Nacional acusaram-se de serem ladrões. Eles se acusaram/admitiram mutuamente, e ninguém investigou, nenhuma revista falou nada e o fraudador Baralho tornou-se presidente do Congresso Nacional, uma vergonha. Fico pensando se tal cena fosse protagonizada em um congresso europeu, com certeza o fim não seria feliz como aqui.
    As denúncias contra Baralho são uma retaliação do Tigrão – que tem um rabo comprido... – contra o Presidente do Senado. Elas estão aí desde de 1992 e só agora voltaram à cena, por que será? O PMDB, por meio de Itamar Franco e Pedro Simon, já pediu o afastamento de Baralho da presidência do partido. O Tigrão, tirando uma casquinha da situação, disse: “A revelação é gravíssima, pois comprova que a Sudam é dominada pela corrupção. Não interessa, agora, culpar ou não o governo, mas o fato é que está provado que erroneamente o governo deu o comando da Sudam para uma pessoa que não tinha condições". O Tigrão ACM é quem dá as cartas e põe a música que Baralho vai dançar. É bom avisar ao Baralho que esteja bem preparado, porque no funk do Tigrão a batida é pesada, e quem não acompanhar pode morrer na praia, pedindo por um salvador.
    Se Baralho fosse mineiro, talvez teria, no máximo, topado jogar um burro deitado, para não correr o risco de tomar em pé ou ser aparado pela rabiola.

Petrônio Souza é fotógrafo e produtor artístico


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