Hilda Furacão, Capitu e Simony, as preparadas do baile funk, por Petrônio Souza
    Já faz algum tempo que fomos balançados pelo furacão Hilda, personagem de Ana Paula Arósio para o romance televisivo de Roberto Drummond. No mesmo vendaval, vimos uma sugestiva Capitu, uma alusão vil à personagem de Machado de Assis. Ao sons dos bailes ‘funk’ vimos chegar toda insinuante Simony, uma paródia viva das duas.

    Hilda Furacão era de família abastada, e Capitu, bom, todos viram!!! Simony fez em vida o que as outras duas não fizeram nem em ficção. A velha e surrada citação se torna válida quando lembramos que: "a vida imita a arte mais que a arte a vida". Pena que neste caso não seja para as benesses humana!!!
    O problema não são as personagens em si, mas o que elas estão representando, usando de um eufemismo romanceado que possibilita uma aceitação inocente do exemplo por elas iconizado. Não evidencio aqui um enfoque preconceituoso, mas contrário a uma atitude que é espelhada pela tevê como certa e aceitável, e, no entanto, não é! O que não podemos esquecer nunca é que o que elas validam vem sendo considerado há milênios como a bancarrota moral da humanidade, não sendo aceito em nenhuma parte do planeta como algo correto até os dias de hoje.
    Simony não tem a mínima noção do processo em que ela está inserida. E quanto ao seu romance de donzela rebelada com o príncipe aprisionado AfroX, Simony se protege das críticas dizendo que "tudo é um preconceito bobo da nossa sociedade!". Ora, o preconceito partiu dele ao ignorar os valores de um povo, alvejando criminalmente os direitos à cidadania. É por isso que ele está lá, atrás das grades, numa instituição que apesar de tudo ainda tem o cunho moral. Meus Deus, é de cortar o coração de qualquer cristão ver aquela menina que cantava canções que falavam de um mundo azul entoar este ‘script’ que desmente valores de toda uma geração que ela, de repente, ajudou a construir! LAMENTÁVEL!!!
    De revista em revista o balão vai. O MC AfroX vai animando o baile funk onde Hilda Furacão é heroína nacional, Capitu é referência para as meninas dos grandes centros e Simony a ‘pop star’ do horário nobre. Todas muito bem preparadas, né!!!
    Quem será a próxima?! O que podemos esperar do poder institucional em relação a este quadro?! O buraco esta começando a ser cavado e vai aos poucos engolindo nossa inocente sociedade. Santa Isabel que nos proteja e que a Virgem Maria esteja ao nosso lado!

Petrônio Souza é  produtor artístico e fotógrafo.


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