“Ó tempora, Ó mores”, por Petrônio Souza
    Já faz algum tempo, quando ainda morava em São Paulo (capital), peguei um vôo com destino a Salvador. O bilhete informava: embarque – Aeroporto de Congonhas, desembarque – Aeroporto 2 de Julho, na capital Baiana. A alguns minutos da descida, o comandante da aeronave, anunciava: “... Em alguns minutos estaremos descendo no aeroporto Luiz Eduardo Magalhães, na cidade de Salvador...”. Não tive dúvidas, Antônio Carlos Magalhães havia se apossado de um patrimônio público para homenagear o filho falecido.

    Alguns anos depois ACM se valida da mesma iniciativa e viola o “inviolável” painel de votações do senado. Outra vez ele se apossava do patrimônio público em benefício dos seus. ACM vê o Brasil como uma extensão do banheiro da sua casa e por isso ele faz o que bem entende, como se ninguém estivesse vendo e deixa um mau cheiro no ar que incomoda a todos. Uma hipocrisia.
    Tentando atingir a senadora alagoana Heloísa Helena – que, como anunciou ACM, teria votado contra a cassação do então senador Luiz Estevão – ACM queria desmoralizar a esvoaçante senadora, que tempos antes o havia afrontado e desmoralizado no senado nacional. Com esta atitude, ACM deu uma evacuada em seu “banheiro” que impregnou o Brasil inteiro e todos quiseram saber o que tinha provocado aquele mau cheiro insuportável. Foi desvendado por técnicos da Unicamp a violação do painel de votação do Senado.
    ACM, nesta, não estava sozinho, o seu cheiro se misturou ao cheiro de Arruda e deu aquele fedor impressionante. Os seus amigos que vez por outra se apossam do “banheiro” de ACM – para fazer as suas – também se indignaram com a ação da dupla dinâmica e se viraram contra eles, era a tal da merda no ventilador. ACM e Arruda foram apontados como os principais responsáveis pela violação do painel e se defenderam desafiando que alguém provasse que eles teriam tomado tal atitude. O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado convocou então para depoimento a responsável pelo Centro de Processamento de Dados do Senado, a ex-diretora do Prodasen Regina Célia Peres Borges.
    Regina Borges foi convocada para fazer uma faxina no banheiro, e a fez com presteza, revelando toda a sujeira deixada pelos senadores Antônio Carlos Magalhães do PFL baiano e José Roberto Arruda líder do governo no senado. Regina Borges disse que violou o painel do senado por que foi um pedido de ACM, solicitado por Roberto Arruda. Ela só o fez porque teme ACM e, desta forma, nunca teria a coragem de fazer/inventar uma acusação contra o todo poderoso, nem se FHC pedisse, ela toparia tal empreitada, por que sabe e viu de perto como é sujo e fétido o banheiro de ACM.
    Bom, o ventilador ainda está rodando e vai aos poucos atingindo aos que estão de calças-curtas. Ao que tudo indica, a senadora petista Heloísa Helena votou corporativamente contra a cassação do comparsa do ex-juiz Lalau, no caso do TRT de São Paulo. Isto, se confirmado, vai pegar mal demais para senadora, que afirmou que se o seu voto estivesse registrado contra a cassação do ex-senador é sinal que os votos foram alterados. Quanto à possibilidade de alteração dos votos, os técnicos da Unicamp foram incisivos, em nenhum momento houve alteração dos votos registrado pelo painel.
    De um lado há a possibilidade de uma senadora petista ter votado contra as iniciativas morais do partido, e de outro, a pop star Marta Suplicy, prefeita da maior cidade do país, pega a contra mão e tenta negar a implementação da CPI do lixo, na sua prefeitura, enquanto o PT se mobiliza nacionalmente para instalar a CPI da Corrupção. Essas meninas do PT...
    Estou com o Marquinho e não abro – quanto à citação/título – pelo menos na sua época, os senadores votavam de peito e coração abertos, não se escondiam atrás de paineizinhos imaculados.
    A dupla dinâmica está silenciosa, sufocada pela catinga que provocaram. Mas vão aos poucos arquitetando suas jogadas. O mais temeroso de todos eles é FHC, pois sabe que o ventilador está direcionado para sua cabeça. Por isso, não se assustem se PSDB, PMDB e PFL fizerem uma aliança e um não votar na cassação do outro – Jader, PMDB; ACM, PFL e Arruda, PSDB – o pilar mor do governo de FHC. Aí, o Brasil pode fechar a porta do seu banheiro e colocar uma plaqueta do lado de fora: Ocupado.

Petrônio Souza é produtor artístico e fotógrafo


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