Fábulas maravilhosas da Princesa sem castelo, por Petrônio Souza
    Jeimes Joice é um sujeito que tem coração do tamanho do mundo e cérebro do tamanho de uma azeitona. Figura querida na pequena Belo Oriente, leste mineiro e filho do declamador oficial da cidade, o marceneiro Victor Hugo, Jeimes Joice nunca foi muito afeito aos estudos, preferiu imaginar o mundo perfeito em que ele é herói. Certa vez, sofrendo uma crise existencial, subiu no alto de um abacateiro e anunciou lá de cima o seu suicídio, dizendo pular direto ao chão. Antes, deixaria uma carta/testamento, sua última grande obra. Enquanto lá embaixo a família ao choro rezava, lá de cima Jeimes Joice escrevia seu lamento final. Vendo o sofrimento da mãe, desistiu da idéia do suicídio e desceu silencioso do abacateiro, para alegria geral da nação belorientina. Deixou lá nas gripas do pé de abacate, uma folha de papel presa em uma ponta de galho. Fomos ler a missiva para descobrir o que tanto afligia nosso amigo. Estava lá escrito em letras tremulas: “aqui é o fim do abacateiro”!

    Vez outra, neste mesmo pé de abacate, acreditava ser o Homem Aranha, herói que ele só conhecia de nome. Enquanto cantarolava a música do Herói, pulava nos mais altos galhos da árvore com desenvoltura. Por azar, pulou em um galho podre, e teve uma queda digna de qualquer grande herói. Foi batendo de galho em galho até alcançar o chão. Quando bateu meio tonto no chão, todos correram em seu socorro, ele mais que depressa fugiu de todos, subiu na árvore novamente e querendo mostrar que estava tudo bem, declarou: “Eu estou ótimo amigos, quando eu brinco, eu brinco pra valer!!!”
    O PFL brincou de lançar candidato à presidência da República e está brincando pra valer. Mesmo que a candidata do partido à presidência da República se esborrache no chão, o partido vai manter a pose e dizer que está tudo bem, que ela é mesmo uma heroína. A musa miserê, a Mulher Maravilha da casa da injustiça social, deixou o seu povo vendido ao sol e guardou nos cofres da sua empresa a soma de R$ 1,3 milhão, valor que estava bem protegido do povo que tanto necessita dele.
    A origem deste dinheiro é ilícita, pois não havia sido declarado, e é claro que ninguém vai realmente provar de onde ele vem, pois de onde veio este, pode vir muito, mas muito mais. A fonte dele é que dá os superpoderes as Roseanas, Serras, Tarsos, Fernandinhos, Michéis, e muitos outros. É que faz o país rico de muito poucos e o país pobre de quase todos.
    FHC está adorando este jogo de super heróis e acreditando ser o articulador de tudo, vide a vitória governista do PMDB, as investigações/desarticulações de Roseana, a subida de Serra nas pesquisas – quem acredita?, e encampou ser o manda-chuva neste Show de Trumam, nesta Casa dos Artistas que virou esta sucessão presidencial, onde aliados são escorraçados – Roseana e Jader Barbalho, parceiros traídos – verticalização das coligações eleitorais,  e amigos ignorados – Tarso, Paulo Renato, Marco Maciel, José Sarneyzinho.
    FHC está pensando ser Deus, acha que pode mandar e desmandar na sucessão presidencial e que estará protegido pelas asas da justiça, caso vença um candidato de direita. É óbvio que os donos do mundo globalizado não vão largar este osso gordo que é este ‘pé de boi’ chamado Brasil. Aqui, em toda história da humanidade, nunca os banqueiros lucraram tanto. Em outros tempos, os banqueiros sempre escondiam seus lucros temendo protestos da população. Agora, eles comemoram ávidos os carrilhões de reais obtidos do suor do brasileiro. Meu Deus, onde esta desfaçatez vai parar?
    O mais constrangedor disso tudo é que foi só a Roseana pular neste galho podre sugerido pelo macaco gordo Jorge Murad, que o PFL partiu em peso dizendo que a candidatura dela já estava caída ao chão. Ora, o partido tem que ser partidário do seu candidato e não cavador da cova do amigo. É óbvio que o mesmo dinheiro que abastece os cofres das empresas do “Jorge Espiatório” abastece também os bolsos de políticos do PFL, dos governistas do PMDB, de FHC e de quem mais chegar para complicar e inebriar a visão de todos os Brasileiros. Para definir bem, FHC não está aqui para explicar e sim para complicar, pois quando não se pode compreender, fica mais fácil dominar.
    Enquanto isso, Roseana, que não é o Collor de 89 e sim o Sílvio Santos, vai subindo neste “abacateiro” e quando vir que sua candidatura é um suicídio, vai deixar sua missiva comovente lá em cima, declarando a todos onde é o fim do abacateiro.

Petrônio Souza é produtor artístico e fotógrafo.


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