Os exegetas e os vendilhões, por Petrônio Souza
    Já faz algum tempo, questionamos aqui nesta coluna o porquê da tão rápida e badalada implementação do voto eletrônico em nosso país. Atento a isto, o senador pelo Paraná, o digno Roberto Requião, levou ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral o projeto de lei para criação da votação paralela, por meio do voto impresso, ou seja, o material ao lado do virtual. Só no virtual o voto fica tão secreto que some, e vai sabe se lá para onde, não cola!

    O Ministro Jobim foi à imprensa e declarou que o projeto de lei agora havia caducado, esquecido no meio de tantos outros e, portanto, estaria postergado.
    Sabendo de todo obscurantismo que envolve a questão, Roberto Requião no programa Alta Tensão, da TV Minas, foi taxativo: “o processo eleitoral no Brasil proposto pelo TSE não é confiável, se o TSE desejar pode interferir nas eleições, elegendo um presidente”. Reafirmou sua posição: “O processo eleitoral pode ser violado como foi violado o painel do senado... só posso acreditar que se quer modificar o resultado da próxima eleição...”
    Acho estranho o que a maior copincha do embromo fernandista, Dora Kramer – Jornal do Brasil, a mais devotada na imprensa política, noticiou:
    "Outro dia, o presidente ouviu de um dirigente peemedebista: `Presidente, o plano de Itamar é pôr o senhor na cadeia'. Os mais apavorados já disseram a Fernando Henrique que o sonho de Itamar é encontrar um jeito de fazer com ele o mesmo que ocorreu com Carlos Menem na Argentina, que saiu do poder praticamente direto para a prisão domiciliar".
    Depois de dizer/assumir que prefere o Lula que o governador de Minas no comando da nação, não posso deixar de pensar que FHC está temendo, e muito, uma possível eleição de Itamar Franco. Por isso, vai mover mundos e fundos para impedir que Itamar saia candidato pelo PMDB.
    Quando FHC tenta brecar a candidatura de Itamar, ele se trai e declara sua culpa como vendilhão da nação. Duplicou a dívida externa de US$ 120 bilhões para US$ 240 bilhões, a dívida interna de R$ 60 bilhões para R$ 600 bilhões e ainda está vendendo o patrimônio nacional. Não esquecendo o Barão de Itararé: “Todo aquele que se vende deve ganhar muito mais do que merece”. FHC que aguarde seu prêmio.

Paulo Renato de Souza, o professor e ex-reitor da Unicamp

    As palavra são de Pedro Malan, declaradas em nota oficial sobre as greves:
    "De janeiro a setembro, embora estivessem autorizados e prontos para ser liberados, R$ 5,850 bilhões não foram usados pelos órgãos do governo. Esse dinheiro poderia ter sido gasto se fosse solicitado. Não teríamos problemas se os ministros tivessem pedido os recursos. O Ministério da Educação foi o que menos utilizou os recursos a que tinha direito. Deixou de usar R$ 822,5 milhões dos R$ 3,9 bilhões previstos, ou seja, aproveitou 79,1%. O Ministério da Saúde deixou de sacar R$ 671,9 milhões dos R$ 14,9 bilhões a que tinha direito. Usou 95,5% dos recursos previstos".
    Bom, para matar a charada, o Cláudio Humberto deu uma forcinha, publicando na sua coluna: “Colheita no laranjal – O Ministério Público Federal investiga, com paciência de Jó, denúncias que apontam o ministro Paulo Renato como o suposto proprietário, através de "laranjas", de faculdades particulares, em São Paulo e Brasília, criadas durante o seu período no Ministério da Educação”.

O melífluo da palavra

    Arthur Gianotti poderia ser o ministro do Ministério dos puxa-sacos de FHC. Estava lá na tevê falando aquelas chorumelas vencidas de quê política e moral são coisas distintas. Gianotti faz parte daqueles palradores eleitos pelo stablishement desde a ascensão burguesa que, por meio de teorias, distanciam cada vez mais a política dos cidadãos, criando uma entidade etérea, com valores próprios, e sempre justificada pelas idéias dos grandes gênios, no caso dele, protegido pelos muros das universidades.
    Dizer que política e moral são coisas distintas fica muito fácil, justificável, aceitável. É um vexame estas teorias que vêm há anos prestando um desserviço à humanidade. Política e moral não se separam, elas se entrelaçam, se fundem no indivíduo, por que é nele que ela assiste, no ser representativo, no político.
    Em Madri, FHC fez o discurso “Transição democrática”, foi aplaudido de pé. Mas bem à maneira do indivíduo, escreveu uma coisa e falou outra. Ou seja, mandou para a imprensa um e leu outro muito diferente, foi conveniente, amoral, sem palavra, justificado pela teoria do Gianotti. No discurso escrito, criticava o levante anglo-americano contra o terrorismo, exaltando os valores civis, no discurso não quis se indispor. Pensa uma coisa e fala outra muito diferente...
    Daqui a pouco, estaremos lendo nos jornais que jornalismo e verdade não têm nada a ver. Depois que a música se separou da arte, tivemos esta maravilha que está aí, é dividir pra confundir. Talvez seja por isso que o Gianotti está por toda parte, no jornal, no rádio e na tevê.

São João Nepomuceno, o guardião da verdade

    Nascido em Nepomut, na Boêmia, seguiu a vida clerical, distinguindo-se como grande pregador. Por se negar a relatar o segredo da confissão da Rainha Joana, o rei Wenceslau da Boêmia ordenou que ele fosse lançado ao rio Moldávia. Recebeu pelo seu martírio o título de Protomártir do Sacramental Sigilo ou Mártir da Confissão.
    A verdade estava em seu coração, não poderia viver fora dela...

Petrônio Souza é neto do Seu Chiquinho


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