Quanto vale o Bin Laden?, por Petrônio Souza
    O principio básico do capitalismo é o lucro, a empresa em cima da empresa, por isso não acredito que os EUA estão entrando nesta guerra contra o terrorismo para perder. Sobre este conceito pergunto: Quanto vale Bin Laden? Acredito que não vale uma guerra, pois para se capturar um terrorista é necessário um plano de busca, de infiltração, e isto só é possível no mais absoluto silêncio, dentro da mais lúcida estratégia, e não ao assombro ensandecido provocado por esta guerra desmoralizadora financiada pelos EUA e Inglaterra.

    É de se espantar a conduta do primeiro ministro da globalização, Tony Blair, tomada frente a esta marcha contra o terrorismo, por que lá na Inglaterra também existe terrorismo e até hoje não se tem notícia de uma Guerra na ilha de Breta contra o terror. Então o que justificaria a indignação do prêmier britânico? Estamos aí frente a uma versão de uma cruzada entre o protestantismo e o islamismo.
    Os valores que envolvem esta guerra nos remetem a uma antiga história bíblica, do hebreu Davi, que àquela época também estava à margem das ‘grandes nações’, contra o gigante Golias. Davi venceu Golias na base da pedrada e esta é a arma que os afegãos têm hoje. Se vencerão ou não, é outra questão.
    Se o alvo dos EUA é o terrorista Bin Laden, o que justifica disparar contra os ‘centros urbanos’ do Afeganistão? Como todo mundo sabe, o Bin Laden é um refugiado e refugiados se escondem em lugares mais inóspitos que um país possa ter, é assim com os guerrilheiros da Farc, foi com Pol Pot, é está sendo com Bin Laden, mas no entanto, tudo indica que ele está seguro e distante dos ataques da frente anglo-americana, em uma das quinze mil cavernas entre as montanhas do Afeganistão.
    Bom, o Afeganistão é hoje um país dividido, demolido e um dos mais pobres do mundo. Tem PIB em torno de US$ 3 bilhões. A população de 20,8 milhões de pessoas tem expectativa de vida inferior a 43 anos e o índice de alfabetização é de cerca de 25%. Poucos têm acesso à água potável e assistência médica. Agora pergunto, o que este povo conseguiu fazer para ter o ódio dos EUA? Se o Bin Laden praticou atos terrorista contra os EUA, que pague ele, e não o povo de tão mísera terra, mesmo porque o Bin Laden não nasceu lá e não é miserável, que deixem os miseráveis da terra em paz, pois a paz é a única coisa que lhes restam.
    Os EUA estão usando nesta guerra mísseis de até US$ 10 milhões para destruir tendas feitas sabe-se lá com quê! O que justificaria disparar um míssil para destruir uma tenda que mal pode abrigar alguém? Os mísseis são armamentos que tem um prazo de validade, nada melhor que uma guerra de 10 em 10 anos para assegurar novos investimentos e pesquisas na indústria mais rentável do mundo. Qualquer esquadrilha usada nestes ataques supera e muito o PIB do Afeganistão. Existem muitas perguntas no ar e, no entanto, poucas respostas.
    A Aliança do Norte, milícia contrária ao regime Talibã, se tornou a principal produtora de ópio do Afeganistão depois que os talebans impuseram medidas de repressão ao cultivo das papoulas, matéria-prima também da heroína, o que reduziu a produção mundial em 60%, segundo dados da ONU.
    Financiada pelos Estados Unidos em sua batalha contra o regime Taleban, a Aliança do Norte produziu 150 toneladas de ópio este ano, como declarou Mohammad Amirjizi, conselheiro do Escritório da ONU para o Controle de Drogas e Prevenção do Crime. O comércio ilegal das drogas movimenta anualmente US$ 950 bilhões e os talebans, com suas sanções contra o cultivo da papoula, provocaram um rombo neste orçamento internacional tão lucrativo.
    Em 1999, o Afeganistão produziu 75% do ópio mundial e 70% em 2000. Em 2001 o país só produziu 10% do ópio mundial, o que reduziu a produção global em 60%. Esta redução se deve ao fato de que a grande área produtora está em terras dominadas pelos talebans, que impuseram neste ano proibição total ao cultivo da papoula.
    Enquanto os cartéis das drogas nas Américas acabaram e o comércio não, nada melhor que acabar com o Taleban para assegurar uma nova fonte de divisas ao tráfico internacional que está reduzido a mega-empresas internacionais. Depois dos ataques aéreos, os EUA estão jogando alimentos para os afegãos. Será que os EUA os querem vivos para servir futuramente como mão-de-obra ao novo regime pós-guerra?
    No capitalismo as três maiores indústrias são: a bélica, o tráfico de drogas e a prostituição. Nesta guerra, todos estão em jogo e a prostituição fica a cargo dos governos que se vendem para apoiar um novo holocausto sob os olhos despercebidos da humanidade.

Petrônio Souza é produtor artístico e fotógrafo


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