Segundo o artigo 208 da Constituição,
é dever do Estado garantir o acesso ao nível superior de
ensino, segundo a capacidade de cada um. Reserva de cotas, ainda mais com
a taxa altíssima de 50%, é discriminatório. Diminui
o número
de vagas para outros estudantes.
Contra-argumentos dirão que a reserva de 50% das vagas distribui as chances de cada um igualitariamente. Outro erro grave. Se há 400 alunos aprovados, 200 vieram das escolas públicas, 200 das particulares. Entretanto, os alunos das particulares são melhores. Entram na universidade, portanto, 100 alunos inferiores a outros 100 alunos, que não se classificaram por causa da garantia das cotas.
Dentro da faculdade, haverá uma clara diferença acadêmica: os alunos que vieram das escolas públicas são mais fracos que os das particulares. Isso compromete o aprendizado de todos os alunos e o ensino da universidade, que formará menos estudantes (pois muitos renderão pouco, gerando repetições ou a própria evasão), e gerará profissionais medíocres.
Muitos me acusarão de cruel, extremista ou preconceituoso. Atribuam esses simpáticos adjetivos ao ensino público atual, que não ensina e torna, sim, seus alunos medíocres, incapazes de disputar as vagas de igual para igual com os bem preparados alunos das particulares.
A idéia de reservar as matrículas aos estudantes da rede pública tem boas intenções, mas terá resultados desastrosos: vai criar divisões nas turmas universitárias, vai diminuir as vagas para candidatos bons e aumentá-las para outros indignos de uma vaga na universidade pública (indignos não pela origem ou classe social, mas sim pelo despreparo); vai reduzir a qualidade do ensino superior; vai gerar mais preconceito.
Por que não melhorar a educação pública, não só no Rio, mas no Brasil todo? Pagar melhor os professores, os profissionais mais importantes da infância do ser humano? Contratar mais mestres, diminuindo o problema do desemprego? Tirar as crianças do trabalho e colocá-las no colégio? Construir mais escolas? Assim, não é preciso dividir vaga alguma: de acordo apenas com suas capacidades individuais, os candidatos disputarão o vestibular, ou qualquer outro processo seletivo, com maior eqüidade.
Entretanto, parece mais fácil assinar um papel do que investir sério...