"No limite da armação?", texto publicado neste site, trata de um certo Sr. X, que supostamente trabalhou na série, foi despedido e resolveu "abrir a boca", isto é, falar de eventuais armações, fofocas e mentiras fomentadas por participantes e produtores. Acho totalmente irrelevante qualquer um dos fatos mencionados, já que referem-se a possíveis quebras de regras de um simples jogo (ok, não é um simples jogo, há aspectos sociais e psicológicos discutíveis, mas que está longe de ser o cerne da questão aqui). Mas, para fãs de "No Limite", a entrevista com o misterioso personagem pode ser interessante e curiosa. Nada a reclamar. A não ser o fato de como o texto foi publicado no "Consciência.net".
O maior problema da entrevista é que o texto não é assinado. Não se pode checar as informações, não se pode confirmar a existência da entrevista. Afinal, se ela mesmo existiu, nada contra o sigilo da identidade do Sr. X, mas tudo contra o anonimato do entrevistador. Este, por exemplo, poderia dizer mais novidades comentadas com o entrevistado além das que foram escritas no texto.
A impressão que se tem é a de que tudo não passa de mais um boato divulgado pela Internet. Não apenas pelo anonimato do entrevistador. O colunista Arnaldo Jabor aparecia como o autor de uma crônica que julgava, lado a lado, Adriane Galisteu e uma médica premiada pelos seus atos de cidadania. A autoria, na verdade, era do jornalista Fritz Utzeri. Franklin Martins, cronista político, era o virtual autor de um texto que advertia a possível aprovação da Lei da Mordaça e pedia que o e-mail fosse direcionado para o maior número possível de internautas para tentar impugnar a lei. Martins negou que tivesse escrito o texto. Nada deixa claro que a entrevista com o Sr. X tenha sido, digamos, séria.
Volto a dizer que o teor da entrevista não é nem um pouco mais escandaloso que o caso de Antônio Pimenta Neves, nem mais importante que a discussão do plebiscito da dívida externa, nem mais divertido que a situação da seleção brasileira de futebol. Mas o tratamento àquela entrevista deve ser, no mínimo, correto. E creio que o site tenha se precipitado em divulgar esse texto.
Imagine se um dia forjo uma entrevista com um suposto Sr. Y, ex-ministro de FHC, e conto os podres dos bastidores da política em Brasília. Falo em compra de votos, desvio de verbas e outras falcatruas similares. Mas para evitar que me descubram, não assino e divulgo a mensagem pela rede. Novo boato, novas divulgações, novos escândalos. Tudo falso.
Não há, enfim, nenhuma prova de que Zeca Camargo mente, assim como é realmente estranho que o mais atlético dos participantes seja desclassificado de cara, como afirmou o misterioso personagem. Entretanto, não vale a pena sustentar-se em textos anônimos. É dar tiro no escuro. Que pode acertar alvos indesejáveis e causar danos incuráveis.