Tornou-se até tradicional a atenção que o JN sempre dá a outros programas jornalísticos da emissora, como o Globo Repórter, na sexta, ou, no caso da edição de sábado, ao Fantástico, de domingo. O fato é questionável, diante de dois aspectos importantes: o tempo do JN, comparado ao de outros telejornais, é curto; nem sempre os assuntos resumidos dos outros programas são tão relevantes. Porém, a Globo poderia ser perdoada, já que se trata tudo de reportagens, que são, a princípio, jornalismo.
Entretanto, quando o noticiário começa a dar destaque a um programa de entretenimento, contando como se sente um dos participantes desclassificados, ou sobre uma senhora que já viveu a mesma situação dos concorrentes, já está abusando. Principalmente se é o noticiário mais popular do país, e o único instrumento de informação de que muitos brasileiros dispõem. Está desvirtuando a notícia. Banalizando-a. Não há importância do fato. E até mesmo o interesse do telespectador no assunto é questionável.
Isso tudo é apenas um sintoma da Síndrome de Tostines de que a Globo padece: o noticiário dá essa atenção a No limite porque o povo comenta tanto assim o programa ou o povo comenta por causa dessa exagerada atenção? A Globo reflete os anseios naturais do telespectador, ou tenta, antes de refletir, inserir nas mentes esses mesmos anseios?
O comportamento da emissora, a despeito dessa dúvida, não chega a ser antiético, mas é repreensível. Os minutos gastos com as desventuras dos concorrentes de No limite (assim como os centímetros utilizados no Globo) poderiam ser mais bem aproveitados com fatos mais importantes. E, até mesmo, mais interessantes.