A volta de velhos hábitos, por Thiago Brigada (em 11/01/01)
   Não vou escrever sobre hábitos de uma pessoa normal, até porque estarei escrevendo sobre meus hábitos, e como sou estranho, cairia mal. Parece que enfim eu estou conseguindo voltar a escrever. Fazia muito tempo que eu não conseguia. Não tinha tempo, porque estudava. Tinha tempo, porque não estudava. Mas escrever que é bom(?), nunca. É... aos poucos nós voltamos para velhos hábitos.

   Ontem, dia 10 de janeiro, voltei a uns velhos hábitos. Inicialmente voltei a pegar ônibus! Já fazia um bom tempo, até porque sempre os pegava. Foi o primeiro do milênio. Ta aí algo que eu gosto de dizer: "Foi o primeiro do milênio." Só que daqui a pouco nunca mais na minha vida poderei dizer isso para quase tudo que vejo ou faço.
   No ônibus não houve nada de excepcional, somente a companhia que me era feita por um grande amigo e uma grande amiga. Grande casal. Uma outra companhia me foi feita ao meu lado, no banco. Uma mulher, loira, bem legal. Lembro de ter pensado: "Tenho certeza que essa mulher nunca teve um companheiro de banco desconhecido tão legal." Após algum tempo chegamos no ponto que desceríamos e um "bom dia" foi dado por mim para a loira.
   Fui para o meu colégio pela primeira vez neste milênio(!). Eu e os amigos. Antes ainda comi os meus primeiro pães de queijo do milênio. Estava saboroso. Ainda mais depois de encontrar outras amigas, uma em especial, não precisa dizer que foi a primeira vez no milênio que as vi.
   Um velho hábito voltou no colégio. A mania de me subestimar sempre. De sempre afirmar que eu sou ruim, o pior, prego... Sabe como é? Já tinha deixado isso no milênio passado, mas voltou. Só que está mais fraco agora. Ainda bem, não condiz com a minha verdade, apenas com a de alguns.
   Então a despedida foi feita, e eu fui pegar o 238, o "barco da minha paz". Foi lá que encontrei a paz diversas vezes, muitas inspirações nasceram ali, muitas felizes, poucas tristes, porém várias levianas. Claro. Ou não!
   Ao passar pelo Estádio do Maracanã a emoção tomou conta de mim. Que saudade danada! Já voltarei, já voltarei. Dia 17! Eu penso, se não mudarem as datas... É muita emoção para uma passagem de apenas 15 segundos em frente ao Maraca...
   Desço do ônibus e vou caminhando para a casa. Que sol desgraçado! Maior calor! Compro o Jornal dos Sports e pago a minha dívida com o jornaleiro, 10 centavos. Paguei uma dívida do milênio passado ao cara! Continuei andando e chego à Delegacia Legal, a 19º DP. Logo vejo que um camburão pára em frente e os policiais descem para tirar os presos dali de dentro. Andei devagar só para ver quem eram. Desceram dois, um de camisa azul e outro com a camisa de treino do Vasco. O de azul olhou para mim, algemado, e fez cara de sem graça. Eu, fiz cara de contente. Pensei: "Mais dois, que beleza! Esses aí se deram mal." Foi mais um velho hábito que voltou. O de fazer sarcasmos com os malditos. Disso eu não me culpo. Culpo eles.
   Chego em casa, e ao ver o RJ TV, vejo que aqueles dois que foram presos eram bandidos perigosos do Morro Dona Marta. O de azul era o Zaca, chefe do morro, e o do Vasco era o Bebeto, ajudante dele. Então fiquei bolado. Vi a prisão de dois malucos perigosos e zoei eles de alguma forma. Então surgiu a vontade de escrever sobre isso. Foi um velho hábito do milênio passado que voltou para ser o primeiro velho hábito do milênio passado feito neste milênio pela primeira vez... Até eu me perdi nesta última frase... não se culpe. Culpe a mim.
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