O tucano endoidou de vez, por Laerte Braga
Serra pirou definitivamente. A divulgação das pesquisas do Data Folha e do Vox Populi dando conta das intenções de votos a favor de Lula provocaram um efeito terrível no candidato tucano. Já estava desatinado desde o princípio. Agora, então, perdeu de vez o senso da realidade. Serra e seus bad boys estão veiculando numa das chamadas no horário gratuito de propaganda eleitoral Lula perguntando a Ciro e Garotinho, ou eles trocando idéias entre si, sobre a saúde. Um corte, somem Ciro e Garotinho e aparece a imagem do senhor todo poderoso das maracutaias tucanas, afirmando que Lula agora pode perguntar direto a ele sobre saúde. E arremata: "é só não fugir dos debates".

Eu não sei se ele anda tomando red bull e voando em galáxias muito distantes, se o cara é louco mesmo, o que eu sei é que por detrás de tudo isso está uma dose perigosa de pilantragem de marqueteiro, de candidato, de partidos, afinal não são outra coisa senão pilantras. Em abril ou março deste ano, num congresso nacional de prefeitos de todo o Brasil, estava agendada a presença do então ministro da Saúde, José Serra. Os prefeitos queriam discutir com Serra a tabela de preços para os serviços de saúde prestados pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e os cortes nos repasses do Ministério. Isso implicava, como implica, em transferência de responsabilidades cada vez maiores sem a contrapartida financeira. Municipalização na marra. Sabem o que o ministro candidato fez? Foi para o Paraná inaugurar um comitê eleitoral. Não tinha como explicar o desastre real que era e é a saúde pública.

Exceto, evidente, na verba de propaganda, aquela que mostra no Sul o que o candidato não fez no Norte e vice versa. A menos que seja sobre a demissão de agentes de saúde em plena epidemia de dengue. Havia, anos atrás, na rádio "Jornal do Brasil" um programa interessante e de grande audiência e valia, chamado "Pergunte ao João". O João esclarecia dúvidas das mais diversas, num alto nível, a um ponto tal que chegou a editar um ou dois livros com as perguntas e as respostas consideradas mais importantes e de útil divulgação. Era referência para alunos de ensino médio de um modo geral.

O pergunte diretamente ao Serra das chamadas na televisão é coisa de megalomaníaco. "Eu vou fazer". "O meu governo". O cara não considera nada, só ele. Acha que é princípio, meio e fim de tudo e todos. É só fim. Fim do Brasil soberano. Fim do povo brasileiro. Fim do mundo. Serra endoidou, perdeu a compostura, está no auge do desespero, antevendo a derrota e até as dificuldades para o esquema de fraude na votação eletrônica. Como explicar uma eventual vitória tucana diante dos números das pesquisas? Mesmo sendo Jobim um artista nesse negócio de fraude, desse jeito fica difícil.

Quem teve oportunidade de assistir o excelente "O Silêncio dos Inocentes" pode avaliar onde Serra vai acabar. Com uma diferença. Anthony Hopkins, no papel do canibal, discutia questões existenciais e metafísicas interessantes a um ponto tal que o filme tornou referência sobre o assunto.

Serra quer que perguntem a ele sobre saúde. Só ele sabe, mais ninguém. É candidato a presidente (capataz) da República, mas quer que Lula debata explicando o preço do transporte coletivo urbano na capital paulista. Como se São Paulo não tivesse sido devastada por Maluf e Pitta. Louco e medíocre. Se não tomar cuidado sai falando sozinho pela rua. Coisas assim do tipo "eu vou resolver". "Eu vou fazer".

Não há sentido em debate nos termos desejados por Serra. Primeiro porque a raiva é contagiosa e fatal. O problema, tudo bem, pode ser resolvido com vacina. Mas não deixa de ser um problema para a organização: manter o candidato tucano sob controle evitando acessos, ataques de fúria, sem falar nas mentiras e nos delírios de "eu sou o futuro". O louco sabe e se faz de bobo que não há futuro sem passado e sem presente. E o presente, FHC (do qual é parceiro e candidato), é o caos.

Um país mergulhado em perspectivas sombrias, de dificuldades maiores. O que ele não diz e nem pode, pois isso apenas esconde a fuga do debate sobre o atual "governo", que ele não quer de jeito algum, é que não passa de uma tentativa de truque e fraude para que continue o saque contra o Brasil e os brasileiros. A garantia de que as quadrilhas que consorciaram-se no Estado privatizado vão permanecer com a chave do cofre. É isso que 60% do eleitorado brasileiro quer varrer. O pesadelo tucano. Canibalesco.

A propósito do comprometimento dos meios de comunicação, redes nacionais de tevê principalmente, com Serra, mais diretamente com o que ele representa, está no noticiário internacional. Todas as grandes redes, sem exceção e os grandes jornais também, veicularam à exaustão, com fotos nas primeiras páginas, destaque, etc, a passeata dos adversários de Hugo Chavez, presidente da Venezuela.

A passeata dos partidários de Chaves, com um número muito maior de participantes, não teve destaque algum, em muitas redes sequer foi noticiada e nos jornais, pequenas notícias. Fotos sem destaque algum, como aconteceu com a dos adversários. É o mais deslavado sintoma de podridão desses veículos. Não existe informação idônea e isenta no Brasil. Existe deformação deliberada e proposital.

O jornalista mineiro Laerte Braga é analista político.


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