Considerações
sobre a pior dentre as piores quadrilhas, por Laerte Braga
Que o governo FHC é formado
por um "conglomerado" das piores quadrilhas em atuação na
política nacional, ninguém tem dúvidas, acho que nem
o próprio. Essa certeza deriva da afirmação feita
há alguns anos, quando o governador geral do Brasil (ou o Tony Blair
dos trópicos – Sarney era o "Gorbachev do Ocidente", qualquer semelhança
é mera coincidência), disse que para levar à frente
seu projeto de "modernização" do Brasil eram necessárias
algumas alianças com "figuras indesejáveis".
E bota indesejáveis
nisso.
Em 1994 juntou consigo
desde gente como Jáder Barbalho, ACM, a Paulo Maluf, passando por
menores expressões como Mão Santa, etc, etc. A rigor, as
maiores e menores quadrilhas do Brasil formaram a frente que o elegeu presidente
(cargo que transformou em governo geral da província sul americana
dos Estados Unidos).
Governou com bandidos
sem a menor preocupação, muitos deles no Ministério,
como Raimundo Padilha (Transportes), valeu-se de alianças espúrias
para levar adiante o processo de privatizações (entrega do
País), em cada "negócio" que fez a corrupção
era e é a marca registrada. A história não registra
um governo tão corrupto quanto o dele e pior, de competência
invulgar no "setor". Conseguiu varrer para debaixo do tapete todas as tentativas
de investigações, mesmo quando os indícios eram quase
provas.
O domínio exercido
pela governadoria geral sobre a mídia foi fundamental para o projeto
"Brasil à venda". Vendeu. E só quem ganhou foram ele e seus
aliados (as elites). O Brasil hoje é um entreposto do capital estrangeiro.
O sistema financeiro internacional domina o setor em sua quase totalidade;
as contas de serviços públicos (luz, telefone por exemplo)
são todas dolarizadas (por baixo dos panos, lógico), saúde
e educação foram para o brejo, os índices sociais
do Brasil são os piores possíveis, dinheiro só para
banqueiros e multinacionais.
A grande preocupação
do governador geral, hoje, é construir um quadro político
que lhe garanta salvaguardas no caso da oposição vencer as
eleições. E, especificamente, impedir, a qualquer custo,
que o governador de Minas, Itamar Franco, venha a ser seu sucessor. FHC
sabe que reiteradas vezes Itamar já disse que o coloca na cadeia
e sabe que o mineiro é suficientemente capaz para fazer isso.
Vai daí que
tem feito o diabo para segurar a candidatura Itamar no PMDB. É a
pior quadrilha dentre as piores quadrilhas que compõem o governo.
Tem um gabinete plantado no Planalto, o de Wellington Moreira Franco, bandido
condenado na Justiça por corrupção, fonte de toda
a sorte de trapaças e manobras possíveis, para evitar que
o governador de Minas seja o candidato do partido a presidente.
Michel Temer, que já
foi tudo na política (quercista inclusive) é o presidente
do partido/quadrilha. Jarbas Vasconcelos, o governador de Pernambuco, disse
hoje com todas as letras que não podem ser realizadas prévias,
"pois uma coisa é a base do partido que é de oposição,
outra são os dirigentes". Só não completou que são
vendidos e continuam vendendo voto, apoio, etc. Quem quer perder essas
bocas, ainda mais agora que Aloísio Nunes vira ministro da Justiça?
Que Ney Suassuna vira ministro, confessadamente para liberar verbas para
seu Estado, a Paraíba, e credenciar-se para a disputa do governo
estadual onde, certamente, vai meter as verbas no bolso?
O problema de FHC não
é eleger Serra, ou Tasso, ainda que os prefira a Roseana. O problema
de FHC é Itamar. A simples possibilidade do mineiro ser o candidato
do PMDB provoca urticárias.
O PMDB dificilmente
realizará suas prévias em janeiro como quer Itamar Franco
(um homem sério, mas apenas um projeto pessoal). Temer, Calheiros,
Padilha, Moreira Franco, Tebet, Geddel, essa turma vai mobilizar todos
os "pistoleiros" disponíveis e promover algo como o massacre do
dia de São Valentin. Vamos ver como fica Pedro Simon que discursa
contra, mas na hora agá vota a favor e senta em cima, fica mudo.
O PMDB não é
um partido político desde a morte de Ulisses Guimarães. Virou
uma das piores bancas dos piores negócios da política brasileira.
Até porque não tem cor alguma, a cor é a daquele que
paga, ou seja, o que compra.
É por ali que
a coisa está complicada para FHC. O resto, ele tira de letra. Ciro
Gomes e seu falso discurso de oposição e Lula, acreditando
que vai conseguir ser a cópia do modelo original, aceito pelos banqueiros,
empresários, com um programa que mistura uma quantidade tal de ingredientes
heterogêneos que pode explodir, parece mesmo uma bomba. E até
Roseana, uma das donatárias do Maranhão. O medo de FHC é
cadeia. É por isso que, nesse momento, o principal inimigo é
Itamar Franco.
O jornalista mineiro Laerte
Braga é analista político.
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