É claro. O ministro
é um cara pau desses capaz de fazer inveja a qualquer Jeff Thomas
da vida. Como seu chefe, acha que o Brasil é um mero acidente de
percurso, sente-se parisiense, não incluído entre os rotulados
de “caipiras” por FHC. Ou de “coitados”.
Lincoln era dado a
frases de efeito, embora não fosse tucano e nem se chamasse Paulo
Delgado. Uma delas diz o seguinte: “É possível enganar a
uma pessoa por algum tempo; a muitas pessoas por muito tempo; mas não
a todas as pessoas por todo o tempo.”
Os resultados dos alunos
no Exame Nacional do Ensino Médio, eufemismo para o “provão”,
foi o pior dos três últimos anos, na prova geral. Cinqüenta
e sete por cento tiveram classificação de insuficiente
a regular e na redação, a média caiu, em 2001, para
52,28, contra 60,87 do ano passado. Isso num total de cem pontos possíveis.
O ministro declarou
que esperava isso devido “a maior participação de alunos
carentes”. O cara é cínico de proporções desmedidas.
Passa sete anos falando em milagre, em mudanças efetivas, gasta
uma nota com a propaganda da “Bolsa Escola” (15 reais por aluno no máximo
de quatro alunos em cada família) e os carentes, na verdade excluídos,
continuam como tal.
Tucano é especialista
nesse negócio de fazer parecer existir o que não existe.
Só que como disse Lincoln, “não a todas as pessoas durante
todo o tempo”. Ou como cantava Emilinha Borba: “um dia a casa cai”.
Os resultados revelam
mais que as declarações/justificativas do bolha que ocupa
o Ministério da Educação. Num primeiro plano, a própria
declaração do ministro, deixa clara a opção
do governo pelo ensino privado. Os excluídos, quando estão
numa escola, estão na escola pública e aí, o governo
nem olha. Só na propaganda. Só nas atrizes globais capazes
de fazerem com que 90 reais (quatro alunos) façam com que a mãe
compre “tudo”, mas “tudo”, o que necessita.
Paulo Renato sai de
uma greve onde mostrou sua incompetência, sua vocação
para o autoritarismo. Pré candidato de si mesmo a presidência
(governadoria geral do Brasil) por seu partido, o PSDB, imaginava estratégias
de recuperação, sempre planejadas a partir das verbas de
publicidade do governo. Da fantasia. Do que não existe.
Toma pela cara o resultado
do ENEM e tem que sair por todos os lados explicando e justificando porque,
depois de 7 anos de brilhos e paetês no Ministério da Educação,
a coisa está de mal a pior.
Aparecer em público,
explicar o fracasso tentando transferir a responsabilidade para outros
(são mestre nisso os tucanos: no eu ganhei, nós empatamos,
eles perderam) é o de menos. O importante é transformar o
negativo em positivo, pelo menos aos olhos do público e ganhar fôlego
para ser senador por São Paulo (a candidatura do ministro era só
stand by para José Serra. Ou continua sendo só isso). Se
não der, na pior das hipóteses, deputado federal.
Prestidigitadores,
os tucanos, acabam por misturar a realidade com a ficção
e variando de mediocridade para mediocridade, acabam confusos, acreditando
que são além que embusteiros em cada coisa que fazem. É
o caso de Paulo Renato: misturou errado, de tal forma, que a convicção
em sua luminosidade é absoluta.
É um porre diferente,
pois junta num só drinque, ou muitos, afinal são sete anos,
vaidade, incompetência, cinismo e sem vergonhice. Dúvidas?
É só olhar a entrevista do sacripanta explicando os resultados
do ENEM, sob a ótica de sua divina contribuição ao
Brasil e aos brasileiros.
O governo não
é sério e qualquer um sabe disso, até eles.
Como se não
bastasse, ainda na área do ministro da Educação (putzgrila
que coisa hem? A que ponto chegamos!), o projeto acordado com os professores
universitários e que serviria para por fim à greve, foi para
o Congresso de forma diferente do combinado. Aquela velha história
tucana de depois de tudo acertado, quando o adversário está
de costas, a rasteira. Faz parte do “gênero”, é como o escorpião
atravessando o rio e num dado momento a ferroada. A diferença deles
para o escorpião é que o dito não tinha bóia
para salvar-se e os tucanos sempre têm. Já agem premeditados.
Paulo Renato tem qualquer
coisa a ver com “Zelig”, o personagem do diretor novaiorquino, Woody Allen,
que tomava a forma de quem se lhe estivesse próximo. No caso, aperfeiçoou
“Zelig”: toma sempre a forma do chefe. Hoje FHC, amanhã quem se
dispuser e tiver estômago.
O governador de Minas,
Itamar Franco, explicando há dias o atraso no pagamento dos servidores
públicos mineiros, disse que “os senhores não imaginam o
descalabro que o governo tucano deixou Minas Gerais. Foram uns irresponsáveis”.
Referia-se a Eduardo Azeredo, uma dessas coisas inexplicáveis na
política, algo assim como a Venezuela conquistar a copa do mundo
de futebol.
Vai ser preciso muito
tempo para refazer a Educação no Brasil, sobretudo aquela
que é direito consagrado de todos os brasileiros, a pública
e de boa qualidade. Se o ministro olhasse para as escolas, no seu todo,
tentasse vir para a sala de aula, com o salário que paga, as condições
que oferece, iria entender que essa história de Ter parente em empresas
de informática, organismos internacionais, entupir as escolas
de cartazes caríssimos do que não existe, de computador,
só traz benefícios para ele e o parente.
O Brasil, os brasileiros...
Estrepam-se. “Taí” o Exame Nacional de Ensino Médio e seus
resultados medíocres: a medida do governo e do ministro. Ah! Tem
também uma avaliação internacional. O ministro ficou
em último lugar.