Paulo Renato não sabe nada, por Laerte Braga
Paulo Renato não sabe quem é Abraham Lincoln. Aliás, não sabe nada. É mero fac totum

    É claro. O ministro é um cara pau desses capaz de fazer inveja a qualquer Jeff Thomas da vida. Como seu chefe, acha que o Brasil é um mero acidente de percurso, sente-se parisiense, não incluído entre os rotulados de “caipiras” por FHC. Ou de “coitados”.
    Lincoln era dado a frases de efeito, embora não fosse tucano e nem se chamasse Paulo Delgado. Uma delas diz o seguinte: “É possível enganar a uma pessoa por algum tempo; a muitas pessoas por muito tempo; mas não a todas as pessoas por todo o tempo.”
    Os resultados dos alunos no Exame Nacional do Ensino Médio, eufemismo para o “provão”, foi o pior dos três últimos anos, na prova geral. Cinqüenta e sete por cento tiveram classificação de insuficiente  a regular e na redação, a média caiu, em 2001, para 52,28, contra 60,87 do ano passado. Isso num total de cem pontos possíveis.
    O ministro declarou que esperava isso  devido “a maior participação de alunos carentes”. O cara é cínico de proporções desmedidas. Passa sete anos falando em milagre, em mudanças efetivas, gasta uma nota com a propaganda da “Bolsa Escola” (15 reais por aluno no máximo de quatro alunos em cada família) e os carentes, na verdade excluídos, continuam como tal.
    Tucano é especialista nesse negócio de fazer parecer existir o que não existe. Só que como disse Lincoln, “não a todas as pessoas durante todo o tempo”. Ou como cantava Emilinha Borba: “um dia a casa cai”.
    Os resultados revelam mais que as declarações/justificativas do bolha que ocupa o Ministério da Educação. Num primeiro plano, a própria declaração do ministro, deixa clara a opção do governo pelo ensino privado. Os excluídos, quando estão numa escola, estão na escola pública e aí, o governo nem olha. Só na propaganda. Só nas atrizes globais capazes de fazerem com que 90 reais (quatro alunos) façam com que a mãe compre “tudo”, mas “tudo”, o que necessita.
    Paulo Renato sai de uma greve onde mostrou sua incompetência, sua vocação para o autoritarismo. Pré candidato de si mesmo a presidência (governadoria geral do Brasil) por seu partido, o PSDB, imaginava estratégias de recuperação, sempre planejadas a partir das verbas de publicidade do governo. Da fantasia. Do que não existe.
    Toma pela cara o resultado do ENEM e tem que sair por todos os lados explicando e justificando porque, depois de 7 anos de brilhos e paetês no Ministério da Educação, a coisa está de mal a pior.
    Aparecer em público, explicar o fracasso tentando transferir a responsabilidade para outros (são mestre nisso os tucanos: no eu ganhei, nós empatamos, eles perderam) é o de menos. O importante é transformar o negativo em positivo, pelo menos aos olhos do público e ganhar fôlego para ser senador por São Paulo (a candidatura do ministro era só stand by para José Serra. Ou continua sendo só isso). Se não der, na pior das hipóteses, deputado federal.
    Prestidigitadores, os tucanos, acabam por misturar a realidade com a ficção e variando de mediocridade para mediocridade, acabam confusos, acreditando que são além que embusteiros em cada coisa que fazem. É o caso de Paulo Renato: misturou errado, de tal forma, que a convicção em sua luminosidade é absoluta.
    É um porre diferente, pois junta num só drinque, ou muitos, afinal são sete anos, vaidade, incompetência, cinismo e sem vergonhice. Dúvidas? É só olhar a entrevista do sacripanta explicando os resultados do ENEM, sob a ótica de sua divina contribuição ao Brasil e aos brasileiros.
    O governo não é sério e qualquer um sabe disso, até eles.
    Como se não bastasse, ainda na área do ministro da Educação (putzgrila que coisa hem? A que ponto chegamos!), o projeto acordado com os professores universitários e que serviria para por fim à greve, foi para o Congresso de forma diferente do combinado. Aquela velha história tucana de depois de tudo acertado, quando o adversário está de costas, a rasteira. Faz parte do “gênero”, é como o escorpião atravessando o rio e num dado momento a ferroada. A diferença deles para o escorpião é que o dito não tinha bóia para salvar-se e os tucanos sempre têm. Já agem premeditados.
    Paulo Renato tem qualquer coisa a ver com “Zelig”, o personagem do diretor novaiorquino, Woody Allen, que tomava a forma de quem se lhe estivesse próximo. No caso, aperfeiçoou “Zelig”: toma sempre a forma do chefe. Hoje FHC, amanhã quem se dispuser e tiver estômago.
    O governador de Minas, Itamar Franco, explicando há dias o atraso no pagamento dos servidores públicos mineiros, disse que “os senhores não imaginam o descalabro que o governo tucano deixou Minas Gerais. Foram uns irresponsáveis”.  Referia-se a Eduardo Azeredo, uma dessas coisas inexplicáveis na política, algo assim como a Venezuela conquistar a copa do mundo de futebol.
    Vai ser preciso muito tempo para refazer a Educação no Brasil, sobretudo aquela que é direito consagrado de todos os brasileiros, a pública e de boa qualidade. Se o ministro olhasse para as escolas, no seu todo, tentasse vir para a sala de aula, com o salário que paga, as condições que oferece, iria entender que essa história de Ter parente em empresas de informática, organismos internacionais,  entupir as escolas de cartazes caríssimos do que não existe, de computador, só traz benefícios para ele e o parente.
    O Brasil, os brasileiros... Estrepam-se. “Taí” o Exame Nacional de Ensino Médio e seus resultados medíocres: a medida do governo e do ministro. Ah! Tem também uma avaliação internacional. O ministro ficou em último lugar.

Laerte Braga


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