A mídia, o Afeganistão e Israel, por Laerte Braga
    A fita de vídeo encontrada abandonada num canto qualquer de uma caverna no “complexo” da Al Qaeda, em Tora Bora, mostra Bin Laden e seus companheiros “comemorando” os atentados do dia 11 de setembro.

    A mídia do mundo cristão, ocidental, democrático, etc, etc, etc, divulgou-a  sem a menor ressalva quando à sua autenticidade. E, ao pé da fita, nos jornais televisivos, a legenda que tem acompanhado todo o noticiário desde os atentados: “guerra contra o terror”.
    Os Estados Unidos usaram o direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas para impedir o envio de observadores internacionais a Israel e a Palestina, com o propósito de investigar denunciadas violações dos direitos humanos. Israel, hoje, matou um menino de 12. Não é o primeiro, nem será o último.
    Terminada a guerra do Vietnã, a grande lição que os americanos aprenderam é que todas as barbáries que cometeram e tiveram peso significativo na opinião pública, tanto dentro como fora dos Estados Unidos, foram divulgadas pela mídia.
    Falou-se muito nas cicatrizes do horror no Sudeste Asiático. Foram sufocadas com o genocídio contra o Iraque, a chamada Guerra do Golfo. E foi a primeira vez que a mídia começou a relatar a guerra  a partir da visão oficial do comando militar norte-americano. A “guerra inteligente”,  “guerra limpa”, que só atinge alvos militares. No Kosovo e na Iugoslávia os “erros” da OTAN deixaram Clinton e seus aliados europeus em má situação. O jornalista inglês Robert Fisk, relatando a agressão que sofreu no Afeganistão, fala de “deixar a hipocrisia de lado” e  em “milhares de mortes civis”.
    O noticiário oficial do Departamento de Estado sequer toca no assunto. Devem ser as 200 mil crianças iraquianas mortas, o tal “preço a ser pago pela democracia”, na versão da ex-secretária Madeleine Albritgh. “Imprensa é oposição, o resto é armazém de secos e molhados”. A frase é do jornalista Millôr Fernandes. Em termos de grande mídia não existe imprensa, só o armazém.
    As primeiras dúvidas sobre a autenticidade da fita começaram a surgir das pessoas que não se deixam imbecilizar por “Casa dos Artistas” ou “No Limite”. Estenderam se àquelas leram nos jornais e viram nas tevês, no dia 11 de setembro, que o FBI havia achado intacto, nos escombros ainda fumegantes do World Trade Center, o passaporte de um terrorista, provavelmente, segundo o noticiário, o que pilotava o segundo avião. Jornalistas do mundo inteiro, onde conseguem espaço, fora dos limites e dos tentáculos do Departamento de Estado e de redes como a CNN, colocam em dúvida a fita até porque, existem antecedentes históricos de muitas falsificações montadas pelo FBI e pela CIA.
    O mesmo Millôr Fernandes fala em “Talibã dos Estados Unidos” e duvida, com todas as letras, da fita (JB, dia 16, domingo). Sharon continua sua escalada de serial killer, genocida. Bush não quer investigações, quer uma limpeza, quer os palestinos de joelhos em sua cruzada contra o “terror”. O acerto foi feito em Washington, quando da visita do terrorista israelense ao terrorista norte-americano. Coisa de duas semanas atrás.
    Aqui, entre nós, o de sempre: a “Globo” e todos os seus tentáculos sem saber se corre de vez para Roseana ou para Serra, quer ter certeza, vive numa maré baixa, não hesita em abrigar todo o noticiário oficial, no “Jornal Nacional”, ou nos noticiários da “Globo News”.
    A perspectiva de capital estrangeiro sem dissimulação deve estar ensandecendo a turma. Farão tudo o que for mandado. É esse o grande desafio que as forças populares enfrentam: o da comunicação. Evitar que Alexandre Frota vire modelo a ser cultuado ou que Supla transforme-se em cantor/compositor ou algo semelhante, com direito a anúncio da Prefeitura de São Paulo.
    É por aí que começa a desmistificação das “verdades absolutas” dos novos donos do mundo. Das “guerras limpas”, ou “inteligentes”. Que não existem. Ou talvez, na óptica deles palestinos, afegãos, como antes iranianos, iraquianos, iugoslavos, colombianos num massacre real e presente agora, talvez, sejamos, todos os que não falamos inglês, povos “inferiores”. É possível que pensando assim, acreditando piamente que McDonnald’s seja o caminho da salvação, achem que estejam “limpando” o mundo.
    Bush é só um terrorista sanguinário e despótico travestido de “liberdade duradoura”, garantida pelos poços de petróleo. Um criminoso de guerra como Sharon. Não diferem, ambos, nem um pouco do que dizem que Bin Laden é.

Laerte Braga


Consciência.Net