O laranja,
o laranjinha e as “laranjetes”, por Laerte Braga
Foi curioso, no mínimo, ouvir
o secretário de Defesa dos Estados Unidos declarar que o Talibã
“nunca foi um governo como os outros governos do mundo”. Sugeriu falta
de representatividade, de legitimidade e buscava justificar as atrocidades
(tudo “dade”) cometidas pelo seu país contra o povo afegão.
E a legitimidade de
Bush? Os jornais hoje falam que os resultados das eleições
americanas foram adulterados no Estado da Flórida, governado por
Jeff Bush, irmão do “moita”. O presidente eleito foi Al Gore, vice
de Clinton.
Bush é mero
laranja do que há mais de cinqüenta anos o escritor John dos
Passos chamou de “complexo militar/industrial”. A força que realmente
domina os Estados Unidos. Quem assistiu a uma comédia interessante,
pelo menos divertida, “Corra que a Polícia vem aí”, pode
ter pálida idéia do que é a família Bush. Os
caras, todos, não amarram sapatos, nem têm idéia do
que seja isso. Foi presidente o pai, é agora o filho, exatamente
por isso.
A entaladela em que
Bush está se metendo com a guerra do Afeganistão deu alento
aos democratas e não fosse o comportamento subserviente da imprensa
norte-americana (vai guardar os dados que provam a fraude por “patriotismo”,
dando assim inteira razão a Samuel Johnson: “o patriotismo é
o último refúgio dos canalhas”.) estaria no olho da rua em
pouco tempo. O cara é o que sempre foi: um embuste. Mero ventríloquo.
Foi nessa embrulhada
toda que apareceu Fernando Henrique Cardoso, ou “Francisco Cardoza” como
é chamado o “grande líder” na Europa, laranjinha de Clinton,
pelas mãos de Blair, tentando colocar mais lenha na fogueira (afinal
Bush não reconheceu sua inteligência suprema de sociólogo
número um, príncipe, César, o escambau) e partiu para
o pau, recitando direitinho tudo o que ficou acertado no último
fim de semana.
Laranja e laranjinha
se merecem. São iguais. Um acredita que é presidente dos
Estados Unidos e outro que é um estadista. Mas tem coisa pior. Os
“laranjetes”: Paulo Renato, Serra e Tasso Jereissati. O que se diz ministro
da Educação, na prática é exterminador da Educação
a cada lance do que se afirma ministro da Saúde e trata de exterminar
a dita, inventa o seu, sempre com dinheiro público.
Não é
que, agora, o cara quer “a família na Escola”. Gasta uma nota com
cartazes caríssimos, propaganda na televisão, fala da tal
escola democrática, mostra um modelo que não existe, mas
sequer cogita de pagar os professores universitários, de discutir
as deficiências da universidade pública a partir da sua gestão
(putz! Que palavra desgramada) e nem tem idéia do que se passa na
escola pública de primeiro e segundo grau; o negócio é
o efeito especial.
Várias diretoras
de escolas decidiram comunicar aos pais que o dia da família na
escola é todo dia e que o ministro só faz fazer média,
demagogia, gastar dinheiro público com sua propaganda de pré-candidato
a presidente, o cara é um tremendo sem vergonha. Se aparecesse
numa escola, qualquer uma, veria que toda a baboseira que inventa vai para
o lixo, dinheiro jogado fora e a escola continua como sempre esteve no
Brasil: abandonada, cheia de problemas, a partir dos salários dos
professores, das condições de trabalho etc. etc.
Eu imagino que o outro
“laranjete”, o Serra, sonhe, todas as noites, com alguma epidemia, com
envelopes cheios de “antraz”, para que possa aparecer na mídia,
mostrar-se eficiente, tomando providências, enquanto o brasileiro
morre na fila do SUS, nos hospitais da rede pública que ele, parte
do governo geral do Brasil, liquidou em favor de planos de saúde,
grupos privados no setor, a cretinice de sempre. Tucano é especialista
nisso: ir para a direita e tentar explicar que não é bem
assim, que por ali chega-se à esquerda.
Sobra Tasso, o outro
“laranjete”. Esse quer política econômica diferente, tendo
beneficiado-se da atual. É sócio “laranja” da TELEMAR, a
que chamam “telegangue” e que vai levar do governo geral 320 milhões
de reais para “atenuar” os prejuízos.
A nossa sorte
pode estar nas mãos do deputado Paulo Delgado. Quem sabe o luminar
petista/tucano não faz outro discurso elogiando o “estadista”, o
“lider mundial” e o dito cujo não resolve assumir que é “Deus”
e tenta voar do alto do Corcovado para mostrar-se por inteiro ao povo que
guia para o precipício?
A próxima briga
na matriz vai depender da capacidade do “moita” Bush encontrar Bin Laden.
Aí, com votos, sem votos, com fraude, sem fraude, pode agüentar
o tranco das acusações. Se ficar no lero-lero de bombardear
prédio da ONU, hospital, matar civis, tudo em nome da democracia,
da liberdade, vai para o brejo.
Entre nós, na
província, FHC vai discursar na ONU, em inglês, na condição
de porta-voz de Clinton, fingindo que é estadista, esperar o que
vai representar o papel de De La Rua brasileiro e contar com a emenda parlamentarista,
tudo montadinho, acertadinho. Tenho certeza que, quando voltar, toma posse
de sombrero.
O grande culpado de
tudo isso é o governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra,
a bola da vez nos arranjos ABIN/banqueiros/empresários, a política
de limpa trilhos do governo geral para assegurar que tudo vai ficar como
querem.
Culpado, inocente,
destrambelhado, nessa melange toda, o governador Itamar Franco leva uma
vantagem: já anunciou que se for o próximo ocupante do Planalto,
mete FHC na cadeia. Não vai ser difícil, o cara “bandidou”
o tempo todo. Resta saber se vai ser possível. Tem que passar por
cima dos honoráveis Michel Temer, qualquer coisa Tebet, Pedro Simon
(o que fala que é oposição mas senta em cima nas horas
decisivas), aquele cara que foi aliado do Collor e nem me lembro nome (foi
ministro da Justiça também), Geddel Vieira, uma quadrilha
para ninguém botar defeito. E pronta a cumprir qualquer papel.
A política na
“era FHC” virou um grande laranjal.
O jornalista Laerte
Braga é analista político
Consciência.Net