Golpe de estado,
por Laerte Braga
Leitão de Abreu, chefe
da Casa Civil do governo do general Figueiredo, diante da perspectiva de
vitória do MDB, em 1982, liquidando com qualquer chance da ditadura
de uma sobrevida nas eleições indiretas previstas para 1984
(O Colégio Eleitoral que escolheria o presidente era formado pelo
Congresso e por delegados das Assembléias Legislativas), criou a
figura do voto vinculado.
Ou o voto de “cabo a rabo”.
Como seriam eleitos governadores dos estados, um terço do Senado
e a totalidade da Câmara dos Deputados e das Assembléias Legislativa,
além de prefeitos e vereadores, o voto num candidato indicava que
todos os demais deveriam ser no partido daquele, sob pena de nulidade.
Leitão de Abreu,
mais tarde, como prêmio, virou ministro do Supremo Tribunal Federal.
O argumento do último ideólogo da ditadura militar foi o
de que o voto seria partidário e isso fortaleceria a democracia
brasileira.
Nelson Jobim auto proclamou-se
“líder do governo nesta Corte”, quando tomou posse como ministro
do Supremo Tribunal Federal, a mais alta da Justiça brasileira.
Detinha o mandato de senador pelo PMDB do Rio Grande do Sul e exercia o
cargo de ministro da Justiça do governo Fernando Henrique.
Corrupto, integrante da
banda podre (a esmagadora maioria) do PMDB, começou a desrespeitar
o STF com sua “confissão”. Fora para a Casa com o objetivo de transformá-la
em Subalterno Tribunal Federal. Dócil a toda a sorte de arbitrariedades
do governo geral do Brasil, na mesma medida que aproveita para ganhar um
dinheirinho extra, já que o escritório de advocacia que integrava
e liderava é o preferido de onze entre dez réus de crimes
de grande porte. Tudo pela certeza que todos, os criminosos, ficarão
impunes. Afinal, o homem é ministro.
Nelson Jobim preside,
no sistema de rodízio, o Tribunal Superior Eleitoral, uma excrescência
que só existe no Brasil, justiça eleitoral. Sua especialidade
é, na mais alta corte, formada por ministros do STF, do STJ – Superior
Tribunal de Justiça – e representantes da OAB – Ordem dos Advogados
do Brasil – e Ministério Público Federal, como nos tribunais
regionais, a imensa maioria, garantir toda a sorte de fraudes, manobras,
etc, etc, para que nada mude e o poder permaneça em mãos
das elites.
Jobim quer reinventar
o voto vinculado, no melhor estilo de ditadura disfarçada de democracia.
E quer ir mais além, pois inibe coligações diversas
nos estados supostamente federados (a Federação não
existe).
Isso significa que se
um determinado partido de oposição quiser coligar-se num
“Estado” com um da base governista, não pode. É de cabo a
rabo. Se o candidato do PSDB for Serra e o PMDB estiver coligado, nacionalmente,
todos os diretórios estaduais do partido terão que coligar-se
ao PSDB na candidatura presidencial, mesmo que os candidatos ao simbólico
governo estadual seja diferente.
Jobim não é
um sujeito esperto. É apenas um sem vergonha, destituído
de caráter, um ser repugnante pelo nível de subserviência.
Aquele tipo de sujeito que se você encosta escorrega, pois vive da
peçonha que destila num ninho de cobras, o governo mais traiçoeiro
da história do País, o de FHC.
Querem dar um jeito, à
míngua de votos, de vencer as eleições a qualquer
preço. A ditadura valia-se da figura do decreto-lei. Jobim, com
certeza, imagina a medida provisória, instrumento largamente utilizado
por FHC e que, na prática, transformou o Congresso em secretaria
legislativa do Executivo e o Judiciário em secretaria que tal.
Como estão, o Subalterno
Tribunal Federal, ex Supremo e o Tribunal Superior Eleitoral, isso sem
falar no voto eletrônico, no Brasil instrumento de fraude, são
apenas cortes de interesses de banqueiros (querem excluir os bancos das
responsabilidades do Código de Defesa do Consumidor); cortes submissas
ao governo FHC e, consequentemente, a todo o processo corrupto e de desmanche
e privatização do Estado brasileiro;
É preciso que haja
reação da sociedade organizada. De outra forma os caras vão
fazer o que querem. São pilantras lato senso, sem qualquer escrúpulo.
Imaginam que o povo não
passa de um bando de paspalhos, aos quais se apresenta a conta de toda
a sorte de trapaças que cometem, enquanto permanecem no poder, exatamente
por conta das trapaças.
Não há que
se falar em diálogo, entendimento, em oposição light.
Os caras não querem nem pensar na hipótese de perderem as
eleições. O que está em disputa é um botim
para corrupto nenhum botar defeito. Isso, na ponta de cá. Na ponta
de lá, a que fala mais alto, o processo de transformação
do Brasil em entreposto do capital estrangeiro.
É resistir para
sobreviver. É buscar a ruptura antes que uma enchente seca de podridão
e artimanhas de gente como Jobim alcance seus objetivos. Não são
os do Brasil e nem os dos brasileiros. Estamos pertos de virar pó.
Isso é golpe de estado.
O mineiro Laerte
Braga é jornalista e analista político.
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