A turma está
colocando a cara para fora, por Laerte Braga
A primeira tentativa ocorreu
por conta da farsa de um deputado estadual do PDT do Rio Grande do Sul:
Vieira da Cunha. Pescou um lambari e quis vender como tubarão. Típico
de político pilantra, desses que você compra por qualquer
trinta dinheiros. Como o Ministério Público Estadual não
vislumbrasse sequer indícios de crime por parte do governador Olívio
Dutra, as conclusões da tal CPI foram arquivadas.
O fato foi mais ou menos
divulgado pelos meios de comunicação nacional. Os do Rio
Grande, todos sócios do dinheiro público no governo de Antônio
Brito tentaram despistar, na verdade, minimizar a decisão do MP.
Vieira da Cunha e um outro quadrilheiro, Valdir Andrés, respectivamente
relator e presidente da CPI, representaram contra o governador ao Ministério
Público Federal. Era de se esperar. Ali está um Procurador
Geral corrupto e monitorado pelo sistema financeiro nacional e os grandes
grupos empresariais. Os do Rio Grande, lógico, fazem parte do esquema.
O STJ – Superior Tribunal
de Justiça – através de um dos seus ministros, Fernando Gonçalves,
determinou que o governador fosse informado e venha a manifestar-se sobre
o fato, rejeitando o pedido da subprocuradora, Delza Curvelo Rocha, de
oitiva de Olívio no próprio STJ. Do esquema, naturalmente,
a tal subprocuradora. Do contrário não estaria lá.
Quem no Ministério Público Federal discrepa do modelo engavetador
de Brindeiro, quando convém, amarga toda a sorte de perseguições
e desqualificações.
O governador, por sua
vez, através de sua assessoria de comunicação, já
disse estar pronto a prestar qualquer esclarecimento que se faça
necessário. Entender essa obsessão contra Olívio Dutra
não é difícil. Para começo de conversa, vamos
pelo último acontecimento: o Fórum Social Mundial. Contraponto
do outro, o dos banqueiros, dos grandes especuladores, dos latifundiários,
da corja, enfim.
Olívio significa
que jornais como “Zero Hora”, “Correio do Povo”, redes de televisão
como a “RBS” não têm como sobreviver, como acontecia no governo
de Antônio Brito, da grana pública. Não há favores,
não há privilégios, não são compradas
divulgações de mentiras, ou escondidas fraudes, atos corruptos,
até porque todos participaram e ganharam no esquema.
Querem a volta de Brito,
é evidente. A orgia com recursos públicos. Olívio
significa também políticas sociais que direcionam-se para
a formação de cidadãos íntegros, capazes de
pensar por si próprios e assumirem seus destinos individual e coletivamente,
construindo o “outro mundo possível”. Diferente desse mundo de podridão,
de violência, de toda a sorte de arbítrio que vemos no resto
do País, inclusive em governos estaduais do PT, como o de Zeca,
no Mato Grosso do Sul, corrupto até a medula.
Olívio significa
reforma agrária. Saúde de boa qualidade, pública e
gratuita; educação de boa qualidade pública e gratuita.
Perspectiva e, aí o “x” da questão, sua continuidade, sua
reeleição, mais que a consolidação de tudo
isso, avanços efetivos e concretos, capazes de colocar em risco
qualquer esquema como o que governa e entrega, vende e saqueia o Brasil.
Olívio é a diferença. O contraponto. No discurso e
na prática. Como é que essa gente, policiais corruptos, banqueiros
de bicho, traficantes de droga, políticos comprados e sempre compráveis,
empresas de comunicação sustentadas com dinheiro público,
como é que essa gente vai sobreviver sem gente como Antônio
Brito? Bandido da pior espécie, até porque ótimo para
eles, que são os verdadeiros donos, já que medíocre,
sem vontade própria, mero menino de recado do sistema.
Há pouco tempo,
pouco mesmo, a revista “Veja”, porta voz dos bancos, da indústria
automobilística e dos grandes laboratórios multinacionais,
incluiu em sua pauta um levantamento dos “fracassos” de Olívio Dutra.
Teve que desistir. Os dados eram todos favoráveis ao governador.
Não foi por acaso e nem foi de graça (nada ali é de
graça). Dissimularam a intenção original, bater duro
no governador, mostrando “fracassos” do tipo se Olívio prometeu
cem escolas construiu 99 e ênfase na que deixou de ser construída.
Ou seja: informação deliberadamente distorcida em favor de
quem paga, dos donos.
A caça a Olívio
Dutra não é um esporte praticado só pelas elites do
Rio Grande do Sul. Estende-se ao País inteiro e ultrapassa suas
fronteiras. É inaceitável para os maiores acionistas do Estado
Brasileiro (bancos, etc.) que um governo estadual mostre que existe algo
diverso da bandalheira de FHC e suas quadrilhas. O objetivo é evitar
a reeleição, o Rio Grande do Sul é estratégico
para os interesses dessa gente.
Falharam os bandidos na
intenção de envolver o MP estadual. Arquitetaram e buscaram
apoio nas “instâncias” superiores das quadrilhas e terminaram por
representar contra o governador, criar o fato político, esse o ponto
principal. É ano de eleição e no Brasil, muitas vezes,
ou na maioria das vezes, a versão vale mais que o fato, ainda mais
quando se tem a comunicação acoplada aos interesses e vontades
dos “principais acionistas”.
Brindeiro, é claro,
está por dentro do esquema. Ajeitou tudo direitinho, arrumou uma
subprocuradora fiel e prestativa, trouxe o assunto a baila, colocou nas
manchetes, o robô William Bonner teve orgasmos múltiplos quando
anunciou no “Jornal Nacional” que o governador era alvo de um “novo” inquérito
e tem, como se costuma dizer aqui em Minas, coisa para mais de metro de
briga. É o que querem.
Bandidos experientes,
sem escrúpulos, sabem que o governador é decente, que seu
governo acabou com a corrupção e os privilégios, mas
querem mantê-lo sob fogo cerrado, incompatibilizá-lo como
eleitorado; criar a dúvida na opinião pública (olha,
me desculpem, mas o cara que planta na televisão para ver quem está
dando ou comendo no Big Brother, acaba acordando com o Brito do lado).
A política no Brasil
tem sido feita dessa forma. Olívio é colocado sob dúvidas
quanto a sua integridade, enquanto Zeca do PT é recebido com rapapés
e viaja em aviões de empreiteiros. A questão, pois, não
é o PT só. É quem. Se pegar por baixo do pano, como
pega o Zeca, tudo bem, vira “petista lúcido”. Se for sério,
decente e competente como o Olívio, como o pão que o diabo
amassou.
E, no meio disso tudo
ainda tem que engolir Tarso Genro, o da terceira via, ingênuo (ingênuo???????),
apresentando-se como alternativa para a continuidade dos projetos petistas.
Estão explicados o José de Alencar como vice e a aliança
com o sobrinho do Edir Macedo, refiro-me ao Lula.
O positivo é que
o ministro Fernando Gonçalves não entrou na canoa furada
e armada da subprocuradora.
O mineiro Laerte
Braga é jornalista e analista político.
Consciência.Net