“...Ditador
moleque... valentão de meia tigela...”, por Laerte Braga
O senador Lauro Campos, um dos 15 ou
16 que valem a pena no Senado (o resto faz parte da Casa da Mãe
Joana, é diferente) classificou o governador geral do Brasil de
“ditador moleque”, referindo-se à postura de FHC em relação
ao que decidiu o presidente do STJ – Superior Tribunal de Justiça
– no caso dos pagamentos dos professores e servidores em greve.
Foi mais além:
“valentão de meia tigela”. Forte com os assalariados, com os servidores
e professores esbulhados em seus direitos e dócil como um cordeirinho
em relação ao FMI – Fundo Monetário Internacional
– e banqueiros.
É típico
de tucano. Todas as vezes que alguém fala em clonagem genética,
não sei porque, assomam à minha visão monstros capazes
de se fazerem bem apessoados, bem intencionados e que, no momento propício,
transformam-se naquilo que realmente são: aberrações
democráticas. Fernando Henrique Cardoso é a síntese
disso daí. Sete anos de governo acostumaram-no à idéia
de poder, de grandeza, se já tinha o caráter duvidoso (desde
quando quis entrar para o governo de Collor), descompensou de vez, mal
que acomete a muitos que assumem algum poder. No seu caso específico,
muito bem remunerado para transformar uma Nação inteira em
mera província, quintal dos especuladores e do sistema financeiro
internacionais.
É “moleque”
como afirmou o senador Lauro Campos. É “valentão de meia
tigela”.
Curioso também
o caso do senador de Brasília. Eleito pelo PT viu-se na contingência
de abrigar-se no PDT por conta da direita do Partido dos Trabalhadores.
Marqueteiros et caterva que tratam a pré candidatura de Lula como
melhor maneira de vender sabão em pó.
Imaginar que o ministro
da Educação, um pulha, pudesse ter atitude diferente da que
teve ao receber a ordem judicial para pagar professores era esperar demais.
O cara é o retrato puro e escarrado de FHC, em dimensões
de pulga. Imaginar que o dito foi professor... O Senado, por conta de gente
como Lauro Campos, Heloísa Helena, Geraldo Cândido e alguns
outros, produz momentos de extraordinária brasilidade. Como esse
dessa sexta, dia 23 de novembro. A forma mais precisa e correta para definir
um ser amoral como Fernando Henrique: “ditador moleque”. “Valentão
de meia tigela”.
Pena que o senador
Lauro Campos tenha sido sucedido na tribuna, pelo integrante da “Casa da
Mãe Joana”, o senador hermafrodita Pedro Simon (de dia é
oposição, de noite é governo), numa desesperada tentativa
de justificar os procedimentos da cúpula da quadrilha que atende
pelo nome de PMDB (com raríssimas exceções tem gente
ali. A imensa maioria é coisa).
Há um golpe
de estado claro na ação de FHC. O Poder Judiciário
é ignorado. Na tentativa de superar o clima de reação
ao governo e buscar legitimidade, todo ditador faz isso, o governo geral
recorreu ao STF – Supremo Tribunal Federal – e, como sempre acontece, o
pleito do governo caiu nas mãos de um dos integrantes da bancada
de FHC. A ministra Ellen qualquer coisa.
É interessante
que os brasileiros minimamente informados saibam os nomes de ministros
que num passado recente dignificaram aquela Corte. Evandro Lins, Hermes
Lima, Ribeiro da Costa, Vítor Nunes Leal e Adauto Lúcio Cardoso
entre outros – poucos.
Que falta fazem pessoas
como Adauto Lúcio Cardoso. Ao perceber que o Congresso estava sendo
desrespeitado entregou a chave a um preposto da ditadura. Ao perceber que
o STF era mero homologador das decisões do Executivo, foi para casa,
não compactuava com esse tipo de subserviência, de fraqueza
de caráter.
Esperar que Rames Tabet,
ou Aécio Neves, ou Marco Aurélio Mello tenham esse tipo de
atitude é acreditar que burro voa. A luta contra a ditadura civil
de FHC vai se dar é na resistência popular. Não existe
outra forma. Congresso e Judiciário, a despeito da coragem de muitos
de seus integrantes, pela força de suas respectivas e podres minorias
(mas muito bem instaladas), viraram secretarias do poder Executivo.
Que pena que o PT tenha
preferido ficar com figuras menores e deixar um brasileiro da estatura
moral e política de Lauro Campos ter que abrigar-se na legenda de
Brizola, cada dia mais equivocado.
Ou resistimos, ou sucumbimos.
Laerte
Braga
Consciência.Net