O melhor negócio
do mundo é banco: o crime legalizado, por Laerte Braga
A atividade criminosa mais rentável
do mundo é a praticada pelos banqueiros: bancos. É a única
legalizada e que controla o mundo inteiro. Foi por isso que Lênine
afirmou: “o que é um assalto a um banco diante de um banco?”
Para onde vai, por exemplo,
o dinheiro do tráfico de drogas? Onde são lavados os bilhões
de dólares dos cartéis criminosos do mundo? Qualquer mafioso
que controle um só bairro, por exemplo, como os que atuam nos Estados
Unidos, a célebre divisão por grades, tal e qual o projeto
que gerou New York, é tratado de excelência em qualquer agência
bancária.
Os bancos brasileiros,
principais acionistas do Estado nacional ingressaram no Supremo Tribunal
Federal querendo ficar fora do estabelecido no Código de Defesa
do Consumidor. Alegam que as relações entre bancos e clientes
não são relações de consumo e assim, continuar
a roubar sem ter que indenizar. Meter a mão no bolso do cara tranqüilamente,
garantido pela lei.
É possível
que consigam, a não ser que haja mobilização contra
o absurdo. Com o Supremo que temos tudo é possível.
Tem sempre um Jobim da vida disposto a qualquer coisa. Aliás, está
cheio deles.
E evidente que uma ação
dessas não foi proposta assim ao léu, ao acaso. Sondagens
devem ter sido feitas, conselhos devem ter sido ouvidos, tais como
o melhor jeito de propô-la e não me causaria espanto,
que gente como Armínio Fraga, Pedro Malan, agregados a banqueiros,
tenham dado “palpites” no “negócio”.
O jornalista Paulo Francis
costumava dizer que se um “banqueiro tiver um olho de vidro e outro humano,
só o de vidro chora”.
Ilude-se quem acha que
a “ciência” não clonou um ser humano. A ciência talvez
até não, mas as elites financeiras sim. O primeiro banqueiro,
provavelmente, terá descido de um disco voador, aquela conversa
de Erich Von Daniken. Deixaram a receita, a fórmula e os demais
foram gerados a partir de alguma alquimia que mistura todas as perversidades
possíveis, toda a sordidez imaginável.
Por mais força
que se faça, por mais tutano que seja gasto, fica difícil
acreditar que banqueiro tenha sido concebido pelo método tradicional.
Para isso é preciso que haja mãe e banqueiro, nenhum deles,
sequer sabe o que é isso.
A ação dos
bancos através da entidade patronal (já foi presidida por
Herr Bornhausen, presidente do PFL e principal articulador da candidatura
Roseana Sarney), FEBRABAN – Federação Brasileira dos Bancos
– mostra, principalmente, que a turma perdeu a vergonha de vez, nem disfarça,
está agindo à luz do dia.
Foi o setor mais lucrativo
da economia, lógico, nos anos FHC. Beneficiado por medidas provisórias,
sobretudo a que permitiu o escândalo do PROER (Programa de Recuperação
do Sistema Financeiro) e abriu as portas para o controle dos bancos brasileiros
pelos bancos estrangeiros, conta lucro de milhares de reais por hora. Itaú
e Bradesco, mais de 220 mil reais por hora. Resultado de especulação,
taxas de juros elevadíssimas e tarifas escorchantes, sem falar,
claro, no controle do Estado, privatizado nos anos do governo geral de
FHC.
São os donos.
A tentativa dos bancos,
imoral, está na gênese de qualquer banqueiro, a imoralidade,
a rigor, a amoralidade. Tem que ser combatida com todos os instrumentos
disponíveis, do contrário vira o que de fato querem: assalto
a caixa armado; a juros armado. E pior, legalizado.
Como estamos no Brasil,
província do império norte-americano. Como os bancos já
fabricaram aquela que desejam como futura governadora geral, Roseana Sarney
(O PFL é a maior concentração de banqueiros e agregados,
puxa sacos, etc.). Como não dão ponto sem nó e com
toda a certeza não estão atirando no escuro, se não
houver mobilização de partidos, movimento popular, etc, os
caras vão fazer o diabo.
E mais ainda: se alguém
perder dinheiro em conta, nessas mágicas que volta e meia acontecem.
Se no cartão aparecerem débitos inexistentes. Se toda a sorte
de trapaças for possível dentro da lei, a imensa maioria
já o é (em se tratando de bancos), sem nenhuma responsabilidade
dos abnegados gestores do nosso pobre dinheirinho, não vai ter choro
e nem vela. Só paga e não berra.
O mineiro Laerte
Braga é jornalista e analista político.
Consciência.Net