Um amigo do banqueiro
foi quem avisou-o: sua mulher estava saindo com um jogador da seleção
tri campeã – 1970 – e o caso ficara óbvio depois de uma festa
de despedida do “scratch” na casa do dito, principal fonte de recursos
da antiga CBD – Confederação Brasileira de Desportos –. O
banqueiro resolveu levar o fato ao conhecimento do presidente da Confederação,
João Havelange, também banqueiro (antigo Lar Brasileiro,
ligado ao Chase Manhantan Bank).
A história foi
contada “n” vezes pelo jornalista João Saldanha e o mesmo Saldanha
trazia o seu final: banqueiro e Havelange acharam melhor deixar passar
a copa, a seleção já estava viajando, o jogador ficaria
no México sob regime de forte concentração, sem chances
de encontrar a mulher – foi para o México também –.
De qualquer forma era melhor esperar, pois alguma atitude antes do torneio
poderia advir em prejuízos para ambas as partes: CBD e banco.
A mulher não
era necessariamente bonita, mas se vale o paradoxo, era belíssima.
Lúcida, íntegra até no “adultério” , uma das
poucas que, àquele tempo, se contava dona de si, livre, de uma extraordinária
presença onde quer que pusesse os pés. Foi ícone,
objeto do desejo de banqueiros pústulas, como o marido, ou
de sonhadores que sonhavam o sonho da relação perfeita: filho/mulher/mãe
(Paulo Francis dizia que intelectual que se prezava tinha uma carência
tremenda de mãe/companheira). Banqueiro e mulher separaram-se. O
banqueiro continuou banqueiro, claro, banqueiros são produtos das
cuspidas de Satanás, não têm como mudar. Não
nasceram do sopro, mas da escarrada. A mulher realizou-se e como disse
anos depois: “consegui sair do pesadelo de juntar os ativos da minha família
com a família dele, do conto do marido rico. Consegui ser mulher.”
O “Jornal do Brasil”
encomendou a uma consultoria um estudo sobre o lucro dos bancos no período
FHC. Foi o maior de todos os tempos, entre 1994, ano da eleição
do atual governador geral do Brasil e 2000. A mesma consultoria informa
que neste ano de 2001 o lucro será maior ainda que o do ano passado.
Uma rápida leitura do texto publicado por aquele jornal fala que
os bancos souberam superar o fim da inflação e descobriram
maneiras de tirar dinheiro, dentre elas, as tarifas. Informa-me um companheiro
de luta que o Banco Itaú, o maior lucro por hora – mais de 230 mil
reais no primeiro semestre deste ano –, vai cobrar 25 centavos por folha
de cheque. “O que é um assalto a um banco, diante de um banco?”
A pergunta foi feita por Lênine.
Banqueiros hoje são
mais que escarradas de Satanás. Em algum lugar, num determinado
momento, dizem uns que William Taft, outros que Theodore Roosewelt, um
tanto que James Monroe, um acordo entre Belzebu e os americanos transferiu
para os porões de Wall Street a tarefa de gerar banqueiros. O demo
teria escarrado umas tantas vezes nuns tantos tubos de ensaios e lá
ficaram células suficientes para dois mil anos de banqueiros.
No caso do Brasil,
o PROER – Programa de Recuperação do Sistema Financeiro
– resultou, dentre outros ítens, dos termos do acordo feito pelos
norte-americanos e o dito Coisa Ruim. Para ser ter uma idéia da
extorsão contínua praticada pelos bancos no Brasil, vamos
ficar só com o Brasil, paraíso dos especuladores internacionais,
etc, etc, daria para construir casas populares capazes de abrigarem 5 milhões
de pessoas. Um monte de outras coisas capazes de gerarem bem estar, justiça
social, coisas assim que não contam para FHC e sua tralha.
Dizer que os bancos
cumprem uma tarefa importante na estrutura política, social e
econômica é referendar tudo o que se diz dos bancos. Iluminados
que tiveram acesso ao ultra secreto acordo entre Lúcifer e os Estados
Unidos dão conta que nos vários ítens estava prevista
a eleição de alguém no Brasil, no final do século
XX, capaz de proporcionar lucros maravilhosos, com a vantagem de que esse
alguém pareceria uma coisa e era outra completamente diferente.
O demo deu só uma pista, algo tipo Nostradamus: as iniciais FHC.
Bancários, ao contrário, ganham miséria. É
uma das categorias mais exploradas dentre todos os trabalhadores.
Banqueiros levam ao
extremo os torniquetes que extraem suco de gente e jogam fora os bagaços.
Banqueiros são os donos do Brasil. Do mundo. Comandam governos,
gerem impérios, saqueiam em nome da lei, pisam na dor e no sangue
escorrido do trabalhador explorado, escravizado. Como aquele que financiou
a seleção em 1970: “qualquer negócio menos ceder quadros
da minha pinacoteca. Ali tem no mínimo 50 milhões de dólares”.
FHC quer vender 22%
do Banco do Brasil. O banco é um empecilho a que os bancos privados
realizem lucros maiores. Na prática quer abrir caminho para privatizar
aquele banco. Isso está escrito em letrinhas miúdas no acordo
de Wall Street. Quase ilegíveis.
Entender o peso e a
dimensão de FHC nessa história toda também está
lá no acordo: das sobras de células geradoras de banqueiros,
montam os embriões “C”. “C” de canalhas, de corruptos e geram governadores
gerais de países como o Brasil; Malan, Armínio. Esse tipo
de gente que, ao contrário dos banqueiros, tem mãe, mas se
puder vende. Seriam como que humanóides, naquelas histórias
de ficção em que os monstros criam vários agentes.
Um professor de uma
universidade pública, num discurso certa feita, disse que os arqueólogos
encontram pirâmides; cidades inteiras soterradas; fósseis;
manuscritos, tudo como registro de uma época. No futuro, daqui há
três mil anos, os daquele tempo vão encontrar prédios
fantásticos, de gosto duvidoso, e descobrirão que, em nosso
tempo, os símbolos foram os bancos e sua suntuosidade. Como irão
entender o que sabemos, que esse esplendor foi construído
sobre os ombros de povos do mundo inteiro.
Sobre FHC, provavelmente
vão encontrar alguns registros que servirão para defini-lo
com um “gerente mais ou menos qualificado do sistema financeiro internacional,
com apetite acendrado para o poder, presunção a ares de estadista,
que sofria da moléstia “espelho meu, existe alguém mais bonito
que eu?” Em momentos de crise, ocorriam sempre, costumava proclamar: “que
mundo eu criei”. Morreu depois de algum tempo depois de aposentado
e afirmando ter sido um “incompreendido”, pois cercado de “caipiras”.
Vão descobrir
que a escravidão apenas mudou de forma. Que peru chamado “Liberty”
perdoa todos os pecados no dia de Ação de Graças.
Que Martin Lutero – inventor do perdão para o lucro desmesurado
– virou Edir Macedo. E que, entre nós, o grande dilema dos domingos
era saber quem ganhou no IBOPE: se “Casa dos Artistas”, ou “No Limite”,
aquele programa onde uma participante não quer ter que pentear “cabelo
sarará”.