Paulo Renato,
o ministro do Banco Mundial, por Laerte Braga
Qualquer paralelepípedo,
como diria o teatrólogo Nélson Rodrigues (um dos maiores
do teatro brasileiro), sabe que o ministro Paulo Renato de Sousa, da Educação,
foi escolhido a dedo dentro do projeto de transformar o Brasil em apêndice
do capitalismo internacional.
Como sabe, o paralelepípedo,
que FHC é o resultado da ação do sistema financeiro
internacional e das grandes corporações, no curso do processo
neoliberal, de olho no maior, em todos os sentidos, país da América
Latina.
A cobiça dos Estados
Unidos, sede e síntese do capitalismo internacional, sobre o Brasil
não é de hoje. A rigor, desde a chamada redemocratização
de 1946, exceto por alguns dias do governo Vargas e no período da
ditadura militar, uma ou outra ação do governo Geisel, temos
sido monitorados e impiedosamente controlados pelos norte-americanos.
O ápice, o controle
efetivo e sem maiores preocupações em dissimular, acontece,
no entanto, no período FHC. É o primeiro governador geral
do Brasil no neocolonialismo, ou gerente, como queiram.
Paulo Renato, como Pedro
Malan, Armínio Fraga, jamais foram eleitos coisa alguma. São
funcionários da nova ordem política e econômica que
controla e ameaça o mundo, sobretudo a classe trabalhadora.
É compreensível,
pois, que o ministro da Educação entenda que democracia é
mais ou menos como você pode votar em quem você quiser, desde
que não mude nada e, de preferência vote no José Serra,
na pior das hipóteses, em Roseana Sarney.
Sua entrevista ao jornal
“Folha de São Paulo”, onde em linhas gerais fala isso, é
um primor de subserviência, de falta de caráter. São
os crimes contra a educação confessados com o maior despudor
possível.
É curioso como
o capital escolhe seus agentes.
Foi para FHC certo que
conseguiria cooptar o pseudo marxista, pois incapaz de resistir a um espelho,
uma faixa e algumas outras coisas mais.
Esse, por sua vez, foi
atrás de gente como Paulo Renato, com a certeza que o ex-reitor
saberia cumprir o mandato do FMI e do Banco Mundial sem contestação.
A principal tarefa de
Paulo Renato foi a de destruir a universidade brasileira, a pública,
bem como assim, qualquer veleidade de um projeto Brasil surgido dentro
dessa universidade.
A despeito dos focos de
resistência cumpriu bem a tarefa. A USP – Universidade de São
Paulo – virou um departamento da Gessy-Lever. Quase toda ela.
O projeto de autonomia
universitária, nome pomposo que esconde o mapa da destruição
da universidade pública, felizmente, esbarrou e esbarra no resquício
de vergonha de um ou outro congressista, tanto quanto e principalmente,
na luta pela preservação dessa universidade, através
do movimento estudantil, professores e das forças populares de um
modo geral.
Paulo Renato de Sousa
guarda uma característica interessante, que, aliás, permeia
a quase todos os ministros do governo FHC, como o próprio governador
geral: à absoluta falta de caráter, de compromisso com o
Brasil e os brasileiros, soma a capacidade de ser bobo. De achar-se princípio,
meio e fim, eterno, como se desgraça pudesse ou possa durar a eternidade.
Sua entrevista é
tanto o reflexo da vontade de continuar prestando serviços aos patrões,
como da necessidade de colocar-se para a opinião pública,
no seu derradeiro desejo de sobreviver, qual seja o de candidatar-se ao
Senado. Corre o risco de amargar a disputa para deputado federal, bem em
desacordo com o tamanho de seu ego. Inflado de nada.
No primeiro ano do governo
FHC, Paulo Renato mandou que sua secretária telefonasse ao jornalista
Paulo Francis, então nos Estados Unidos (onde morava, aliás)
e marcasse um bate papo dele ministro com Francis. Não se conheciam,
mas seduzido pela extraordinária inteligência e erudição
de Francis, no esquema de lambuzar-se com o melado do Ministério,
achou que o jornalista estava à altura de sua nobreza.
A secretária, que
fazer né, telefonou e ouviu de Francis o seguinte: “senhora: é
evidente que cumpre a sua função, não lhe cabe culpa,
mas diga ao ministro que eu não o conheço, não tenho
a menor vontade de conhecê-lo e não é elegante telefonar
para marcar encontro com quem não se conhece. Passe bem”.
É o testemunho
pronto e acabado da mediocridade do ministro.
A ridícula entrevista
que concedeu à “Folha de São Paulo” são apenas vagidos
de quem sabe que terminado o governo vira pó. Some na história
como alguém que nunca deveria ter entrado nela. Entrou e vai sair
pela porta dos fundos.
A da bajulação.
A da subserviência. A da falta de caráter. É o tipo
do sujeito que se bater na sua porta você não abre. Pois sabe
que, se abrir...
Fernandinho Beira Mar,
provavelmente, fará menos mal.
O mineiro Laerte
Braga é jornalista e analista político.
Consciência.Net