| Previdência Social
Gustavo Barreto, 1 de maio de 2003 A discussão sobre a Reforma da Previdência Social, em alguns momentos, parece se resumir em "defender as posições anteriores e se manter coerente". Gandhi, líder político-religioso indiano, dizia que não tinha preocupação com a coerência, e sim com o que ele achava mais correto, de acordo com seus valores, com sua "verdade". É preciso pensar se a "coerência", neste caso, é interessante. As coisas mudam. As visões mudam. A discussão é se estas medidas, os tetos, taxação de inativos etc. é correto ou não. Os petistas não são deuses. Podem ter errado em seus posicionamentos. Erraram muitas vezes como oposição. Acertaram muitas outras. E o governo, sim, erra. Esperamos que sejam erros novos. Se você defende a Revolução Cubana e Fidel executa três opositores ao regime, condenando outros 72, você mantém a coerência? José Saramago pensa que não. Eduardo Galeano também. O problema da votação da reforma e seus interesses e discordâncias é apontado por Cristovam Buarque. O Brasil é um arquipélago, diz ele, no qual existem poucos deputados que foram eleitos de acordo com o interesse geral na nação. A maior parte tem rabo preso, vínculos com sindicatos, associações etc. Quase ninguém pensa no Brasil como um todo. O primeiro exemplo – ou um de muitos – é o deputado carioca Lindberg, o tal petista da coerência, que para bom conhecedor é uma espécie de fantoche dos movimentos estudantis de seu Estado, muitos deles viciados pelo nome e pela legenda. Existem bons exemplos de petistas que defendem o interesse da nação, são sérios e tem propostas. Heloisa Helena é uma. Paulo Paim é outro. Chico Alencar, assim como Paim, não deu nenhum gritinho como Lindberg – muito menos foi chorar suas mágoas no Jornal Nacional –, e no entanto está trabalhando mais nesse sentido. É preciso discutir com informação. Caso contrário, sigo conselho de minha avó: "Em boca fechada não entra mosca". Notícias relacionadas | Opinião | Arquivo | Principal Consciência.Net |