Pequenos Detalhes
Fevereiro de 2004

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[Gustavo & Renato]
29 de fevereiro

Num gabinete...
"(...) No fundo o meu amigo tem razão: não custa nada, não é demais meter um latinório para cima desse povinho todo: se a gente não faz isso, passa por ignorante e eles só respeitam quem mostra que sabe mais.

— Josué Guimarães, Os Tambores Silenciosos, dia 3, cap.2

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[Gustavo Barreto]
29 de fevereiro

"Fatos novos"
Nesta segunda (01) o jornal Valor Econômico publica entrevista com o ministro Aldo Rebelo, da Coordenação Política. Entre outras, ressalta a importância de ACM e Sarney para o governo, "que não é de esquerda, é de coalizão". Leia análise aqui

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Sem maldade. O jornal A Tarde (BA), na versão da rede, vem com o seguinte título: "José Alencar recebe alta e deixa o hospital".

Será que o editor pensou que, recebendo alta, o vice-presidente pensaria em ficar no hospital? Será que a comida de lá é melhor que a da casa dele?

Se for pelo SUS, aí é que não faria sentido mesmo...

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O 14o jogador
Uma das grandes vantagens que o time do Flamengo tem é o famoso 12o jogador — a torcida. Só que jogando em Campos (RJ), contra o Americano fica mais difícil.

o time local sempre conta com o 12o, o 13o e o 14o jogadores — o juiz e os bandeirinhas.

Aí fica 14 a 12. O resultado é que o time está invicto jogando em casa. Fórmula imbatível.

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[Gustavo Barreto]
28 de fevereiro

Filosofia
Em primeiro lugar, nossa preocupação é com a segunda via, com o terceiro setor e com o quarto poder no quinto dos infernos.

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[Gustavo Barreto]
27 de fevereiro

O seis falando do meia dúzia
"EUA criticam Brasil por falta de promoção de direitos humanos", deu no Globo Online, sobre um relatório do Departamento de Estado norte-americano.

Afirma que as forças policiais estaduais - tanto civis quanto militares - são responsáveis por execuções extra-judiciais, tortura e espancamento durante interrogatórios. O documento também cita as condições de vida em presídios do Brasil, que variam de "ruins a extremamente difíceis", e a violência no campo.

O Rio teria, afirmam, a polícia mais violenta do Brasil.

No mesmo dia, pesquisa revela que "padres dos EUA abusaram de 10.677 crianças", sem contar os pelo menos oito mil mortos no Iraque.

Vai entender.

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[Gustavo Barreto]
25 de fevereiro

A grande pergunta
Você consegue resolver problemas?

A grande resposta
Sim, você consegue resolver problemas.

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[Renato Kress]
24 de fevereiro

Gugu Liberato, garoto de programa

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[Gustavo Barreto]
23 de fevereiro

Quando a lampadazinha aparece

Desespero de escritor deve ser quando aparece a idéia no meio do banho.

— Que isso, Luis? Toma vergonha, andando pelado pelo meio da casa? Luis, você tá todo molhado! Pelamordedeus, homem, esse computador vai dar um curto-circuito.

— Agora não, Marisa. Agora não.

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Só para complicar

— Zé, suponha que você tem vinte laranjas.

— Ih, seu Rogério, não vai dá não. Janeiro só entra o arroz e o feijão. E olhe lá.

— Zé, é pra supor. Deixa de coisa. Bom, você tem vinte laranjas.

— Supus, seu Rogério.

— Bom, daí dá três para a sua mulher e cinco pra cada filha.

— Supus, supus.

— É nesta hora que aparece o seu irmão e diz que tá te dando dez laranjas de presente, mas que 30% é devolução para alguém na sua casa. E agora, Zé, quantas laranjas têm, na média, as suas filhas?

— Pô, seu Rogério, impossível de saber, né?

— É verdade, você me pegou. Como você descobriu tão rápido, Zé?

— Por que você não disse pro leitor quantas filhas eu tenho.

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[Gustavo Barreto]
21 de fevereiro

Porteiro Zé
Olha o porteiro Zé aí gente!

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"Eu si divirto"
Do Carvão Molhado: Agora há pouco, tocou o fone. Era um vendedor de assinatura da Gazeta do Povo! E esse acho que vai abandonar a profissão!! Fiz papel de velho surdo no telefone! Quando ele falava “Gazeta”, eu dizia “na gaveta?! eu tô olhando aqui na gaveta mas não tem nada!”

— Não, nós estamos fazendo uma campanha de assinaturas...

Interrompi:

— Champanhe? Não, moço, eu não posso beber, por causa da idade.

Enfiei a cara pra fora da janela, tá o maior barulho lá fora, porque estão consertando o telhado do prédio em frente. E disse pro vendedor:

— Moço, o sr. faz favor de falar mais alto, porque tá uma barulheira aqui, estão o dia inteiro fazendo uma obra no apartamento de cima e a barulheira vem tuda aqui pra minha casa!

Eu tinha dito que meu nome era Pedro e ele entendeu Pietro.

— Seu Pietro, acho melhor eu ligar outra hora...
— A minha senhora? Ela não está em casa, foi pra casa da dona Alzira, porque não agüentou a barulheira aqui e eu fiquei sozinho pra cuidar da casa.
— Eu ligo à noite, então, uma boa tarde!
— Arde mesmo, os ouvido da gente arde com esse barulho todo!
— Tu, tu, tu...

Visite o Carvão Molhado

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[Gustavo Barreto]
21 de fevereiro

O vôo da torta
"As fotos do, digamos, incidente mostram que a mão da moça acompanhou o vôo da torta até a ''aterrissagem'' final. Não houve propriamente um arremesso e sim o que em basquete se chama de ''enterrar''. Por mais desagradável que tenha sido sua experiência como alvo, o ministro há de reconhecer que o lance foi tecnicamente perfeito. E essa eficiência ''desportiva'', tão necessária no momento, merece ser exaltada e estimulada."

Este texto é de Leandro Konder. É verdade. Está aqui

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Sem paranóia
Anteontem (quinta 19) eu escrevi este texto. Ontem, à tarde, recebi uma ameaça por telefone. "Perigo. Você está em perigo". Parecia trote. A pessoa parecia estar drogada.

Deve ser trote. Provavelmente.

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Todas as coisas já foram ditas, mas como ninguém escuta é preciso sempre dizer de novo — André Gide

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Escritor em crise
Tenho dito. Dois real, vai querer?

Matemático em crise
Um mais um é igual a três. Garantidos, evidentemente, os meus 10%.

Religioso em crise
Se Deus está vivo, não está nem aí.

Jardineiro em crise
Quem quer a rosa que agüente os espinhos.

Oftalmologista em crise
Não, senhor. Olhar não é de graça.

Assaltante em crise
Não se preocupe, tenho 22 anos de experiência.

Veterinário em crise
É desumana essa vida de cachorro.

Engenheiro em crise
Levei dez anos para construir minha vida — e agora perdi tudo.

O resto talvez esteja aqui

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[Gustavo Barreto]
20 de fevereiro

Evolução do Homem
No espaço, depois de anos avançando por conta da tecnologia de ponta, voltamos a ser crianças. O Homem, no espaço, não sabe andar. Alimenta-se de 'papinha'. Precisa reaprender a ir ao banheiro. (...)

O Homem, com suas ferramentas, depende tanto da tecnologia que virou, ele mesmo, uma ferramenta. E a ferramenta agora domina o Homem. Que responde, desligando a ferramenta. Começa uma batalha: o Homem versus a Ferramenta. (...)

O taça com vinho cai no chão e quebra. O vinho ainda está lá. Recipiente, conteúdo. Corpo, espírito. (...) Seu corpo é deixado de lado e a criança estrela nasce:

Kubrick 2001: a odisséia no espaço explicada
http://www.kubrick2001.com/

Enviado por Raquel Moraes. Repassado a milhões de computadores, que foram desenvolvidos pelo Pentágono, na década de 60, com tecnologia de ponta.

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Alguém se habilita?

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Antropologia
Fecha a porta do elevador. No que o empresário megaengravatado vira para o outro e diz.

— Boa tarde — com formalidade inglesa.

— Bichinha — responde.

Espanto. Ele não sabia nem que cara fazer. Aquela empresa funciona em mais de 100 países. O código de ética é prioridade. "Bichinha". Isso era palavra?

— Como? — tentando atenuar.

— Desculpe, estou fazendo um teste antropológico para saber como as pessoas se portam em situações inusitadas.

Pausa de dois minutos e meio.

— É você.

E sai do elevador correndo.

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[Gustavo Barreto]
19 de fevereiro

Estranho. Muito estranho
"A gravação foi coisa de profissionais e não de contraventores/bicheiros. Quem a realizou e como chegou ao senador são mistérios que precisam ser desfeitos.

Em 2002, em plena campanha eleitoral, alguém estava interessado em comprometer o PT e o seu então aliado, Anthony Garotinho. O alvo não era José Dirceu – que à época não era ministro nem superministro."

Alberto Dines, Observatório da Imprensa, aqui

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[Gustavo Barreto]
18 de fevereiro

Últimas quatro linhas
O jornalista Aloysio Biondi escreveu em 1999: "Os editores escondem a verdade, isto é, os problemas, nas últimas quatro linhas — o que lhes permite fingir que não estão deixando de noticiar nada, uma atitude hipócrita, pois eles sabem muitíssimo bem que a informação que impressiona o leitor é aquela estampada no título e no lide". [Caros Amigos, ago/2000][1]

"O assunto deve esfriar no carnaval"
Estamos acompanhando um escândalo envolvendo o ex-assessor do ministro José Dirceu, Waldomiro Diniz, demitido na sexta-feira por corrupção. Observe o trecho a seguir: "A Secretaria de Comunicação encomendou uma pesquisa para avaliar se o caso Waldomiro prejudicou a imagem do governo. No Planalto, a orientação política é tentar evitar a instalação de uma CPI. Os assessores políticos do presidente apostam que o assunto deve esfriar no carnaval."

Fonte: Últimas quatro linhas da reportagem do jornal O Globo [18.02.2004] sobre o Caso Waldomiro, cujos títulos principais foram:

1. "PF vai investigar atuação de Waldomiro no governo" com subtítulo "PT diz que só aceita CPI se apuração for ampla e irrita até os aliados" (primeira capa);

2. "Devassa nos atos de Waldomiro" com subtítulo "PF vai apurar ações de ex-assessor do Planalto. Delegado pode pedir quebra de sigilo telefônico" (pág. 3)

O óbvio
A pauta mais adequada não foi colocada: O PT-Governo é contra a CPI (absurdo número um); O Planalto espera que o assunto "esfrie no carnaval" (absurdo número dois). Os assessores do presidente dizem claramente: "o povo não liga para a corrupção, pois está aí o carnaval para fazer eles esquecerem que dinheiro público foi desviado".

Condição inicial
Aloizio Mercadante (PT-SP): líder do governo no Senado: "A orientação é olhar para frente, não imobilizar o Congresso. Não agimos com revanchismo. Mas, se a oposição quer olhar para trás, voltar ao passado, recuar dois anos, então vamos recuar oito".

Percebam uma condição implícita neste discurso. A única forma de conseguirmos ter uma real apuração do que ocorreu nos anos FHC é achando atos irregulares no PT-Governo. Se ninguém ameaçar, estamos quites.

Este tipo de imprensa, meus amigos, é quase tudo o que nós temos. Os políticos, nossa escolha. E o PT, nosso partido da ética. Bom carnaval.

[1] Truque 4 Lide às avessas. Texto: "Mentira e caradurismo". In: Revista Caros Amigos (SP, Editora Casa Amarela, n.41, ago.2000, p.8-9). Publicado originalmente no Anuário de Jornalismo — 1999 da Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero (SP, ano I, n.1, p.19-27)

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JP critica superávit
"(...) também provocam polêmica as críticas do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), à meta de superávit primário. Em seu pronunciamento na abertura dos trabalhos da sessão legislativa, Cunha criticou o superávit, afirmando que algo precisa ser feito para que o País não gaste mais tantos recursos apenas para pagar juros, sem ao menos reduzir a relação dívida/PIB."

Mauro Braga, Fato do Dia, aqui

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Amanhã
Finalmente, a atualização da revista.

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[Renato Kress]
17 de fevereiro

Estereótipos e Definições:
Nove em cada dez vezes o novo é o estereótipo da novidade. Isso é cultura de massa.

O estereótipo é a via natural da ‘verdade’. Isso é mídia.

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Química e Matemática
A temperatura política na esfera federal está decompondo o partido do governo em seus elementos primitivos, e as substâncias sociais heterogêneas que o formavam já não encontram mais um denominador comum...

Geografia e Marketing
No olho do furacão – epicentro do terremoto: Lula preserva sua imagem de estadista.

Futurologia e Circo
Lula nas alturas. Dirceu na linha de frente [tomando tiro]. Palocci acrobata, mágico ou palhaço?

Reformas e TVE
Que não seja agrária, as do Fernando Henrique estão passando – e sem revisão, sem critério, sem censura!

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Sapore d´Itália & diamantes
500 mil assinaturas colhidas para se fazer uma votação do Impeachment de Berlusconi. Você sabia que a FIAT fabrica minas subterrâneas que vende para os exploradores de diamantes na África para minar o território impedindo que os nativos do país tenham acesso aos seus recursos? Lindo né?

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F.M.I. e Cinelândia.
(ou F.M.I. – manual guide)

Eis que a uma sacada de prédio, frente à Cinelândia, uma da tarde, ascende figura engravatada, cheirando a Azzaro e portanto submetralhadora dentro de pasta preta 007. Agacha. Lentamente encaixa as partes desmontadas da referida arma: cano, carregador, balas, mira... ready! Digo, pronto! Pesa o dedo sob o gatilho (muito leve, aliás) e passa, indo e vindo, umas quinze vezes pela multidão. Caos, gritos, mil urros e vaias contra a postura do sujeito. Acabam-se as balas. Calmamente agacha-se e desmonta, parte por parte, a submetralhadora ainda fervendo, coloca na pasta – lamenta a perda das balas. Desce, senta-se no Amarelinho e pede uma feijoada.

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[Gustavo Barreto]
17 de fevereiro

Ah, sim, sim
"O Copom reitera que a maior contribuição da política monetária à recuperação dos setores da indústria e do comércio menos sensíveis às condições de crédito deverá advir de seu impacto indireto, por meio do aumento da ocupação e da renda que é naturalmente liderado pelos setores mais sensíveis e que gradualmente se dissemina pelo restante da economia, e não diretamente de um impulso redobrado de política monetária que tenda, no curto prazo, a exacerbar as diferenças de velocidade de retomada entre setores e a dar margem a pressões inflacionárias nos setores líderes."

Ata da 92ª Reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). Acessível a qualquer brasileiro, como se vê.

Sabe como é. Avião não dá cavalo-de-pau.

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Empatado
Sim, eu peguei um pato e joguei na cara dele.

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Disque Novela no canto da telinha
A Globo vai passar a exibir no canto da tela durante as novelas um número para receber ligações de todo o país. A idéia é saber o que as pessoas acham de cenas consideradas fortes ou das mensagens divulgadas. Nota hoje no Controle Remoto, no Globo, leia aqui, reproduzida pelo BlueBus, leia aqui

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[Gustavo Barreto]
16 de fevereiro

"É um orçamento realista"
Esta frase foi dita por Guido Mantega, ministro do Planejamento, em dezembro de 2003. O realismo do Planalto Central seria uma barreira contra o ajuste fiscal.

Menos de dois meses depois: "Secretário do Tesouro admite contingenciamento", texto aqui

Vivemos, mesmo, na República Federativa do Ajuste Fiscal, veja aqui

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[Gustavo Barreto]
15 de fevereiro

Faz sentido
"Ministério das Cidades perde 62% de receita", texto aqui

Explicação? "O Ministro Olívio Dutra era cotado para cair: conseguiu mobilizar o País com as Conferências das Cidades. Os que não conseguiram derrubá-lo, derrubaram-no de outra forma".

Quem diz é Abílio Tozini, participante do Núcleo de Assuntos Urbanos do PT.

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Pensaminto
Viajar é bom, mas a dor do parto é muito grande.

No que...

...o segurança da rodoviária para a atendente apressada:

— Opa, quer uma segurança aí?

— Vou fazer xixi.

— Sei. Tô sentindo cheiro de perigo.

E por fim

— Por favor, gostaria de comprar uma passagem para o Rio.

— Pois não. R$ 50.

— Ôquei, aqui está.

— Gostaria de adquirir passagem de volta?

— Não, eu sou carioca.

Foi quando ela gentilmente decidiu ver se a nota era falsa. Essas coisas.

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O que é um mimeógrafo?
Deve ser algo tipo "qualidade de quem mimeografa".

O meu dicionário esclarece: "aparelho que reproduz textos ou desenhos sobre estêncil".

Não tem problema, a gente não desiste. Estêncil: "papel parafinado usado em mimeógrafo".

Ah, entendi.

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[Gustavo Barreto]
14 de fevereiro

Causa e conseqüência
Jornal Estado de S. Paulo, 10 de fevereiro, 2004: FMI e IBGE fazem reunião "informal"

Dois dias depois...
Jornal O Globo, 12 de fevereiro, 2004: IBGE vai rever resultados da indústria

Sacada de Fernando Terra.

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Palavras
Quando é apoio ruim, chama lobby. Quando é bom, apoio mesmo. O que tanto a área da saúde quanto o narcotráfico têm na Câmara Federal é apoio. Estão bem representados.

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Ambigüidade
É ela que me faz ter uma boa idéia de slogan para esta revista, e logo depois descartá-la:

"Consciência.Net: Onde o leitor se confunde com o editor".

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[Gustavo Barreto]
12 de fevereiro

Mundo Um

Em quase todo o país, a chuva castiga com força centenas de municípios. Em São Paulo, se não bastasse a crescente brutalidade policial que mata centenas de inocentes todos os anos, sob o comando do governador Geraldo Alckmin, as enchentes já deixaram seis regiões em estado de alerta. No total, 18 das 31 regiões já foram atingidas.

A falta de investimentos em obras estruturais, como saneamento básico e rodovias, provoca tragédias como as de hoje, seguidas de morte e perda de todo o patrimônio pessoal de milhares de famílias por conta de chuvas que destroem em uma hora o que se demorou anos ou décadas para construir.

Nas estradas federais, caminhoneiros – em grande parte responsáveis pelo escoamento da produção – chegam a encontrar buracos de cinco metros que impossibilitam completamente o trânsito. A tevê mostra que algumas estradas foram arrastadas por completo.

Mundo Dois

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirma que “o crescimento já começou”. O governo cortou o orçamento em R$ 6 bilhões antes mesmo do fim do segundo mês do ano, o primeiro passo para o contingenciamento de verba em infra-estrutura.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje, quinta (12), que o aperto fiscal vai continuar e que as metas de superávit permanecerão altas, pois “isso é necessário para garantir a credibilidade do Brasil interna e externamente”.

Enquanto milhares de famílias estão desabrigadas e 13 estados estão com cidades em situação de calamidade pública, os jornais anunciam uma boa notícia: o mercado financeiro teve um dia tranqüilo. Os jornalistas, por sinal, também.

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Cara do PT
Sebastião Nery: "Millor Fernandes criou seu "Dicionovário": novos sentidos para velhas palavras. Os tucanos copiaram e inventaram o "Dicionário do Tucanês" (do José Simão): para enganar o povo, começaram a trocar as palavras.

E os "cortes" no Orçamento, com que transferiam as verbas sociais e de investimento para os banqueiros, foram substituídos por "contingenciamento".

Agora, vêm o PT e seus novos proprietários, Palocci e Meirelles, e jogaram fora o "contingenciamento". A nova palavra é "condicionamento".

O PT troca de palavras com a rapidez com que trocou de cara."

Todos os dias aqui

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O paradoxo do Dreamweaver
(ou "O paradoxo do Photoshop")

Em quase todos os estágios de comunicação as empresas exigem conhecimento de Dreamweaver ou Photoshop. Para saber utilizar os dois, você precisa ter contato com eles. O preço de cada um é R$ 2.500. Um curso bom sobre o assunto não fica por menos de R$ 1.000. Para ter contato com eles, portanto, você que não tem dinheiro precisa trabalhar em uma empresa para, dessa forma, entrar em contato com os programas, que por sua vez são pré-requisitos para trabalhar na empresa, que é a única forma de aprender a usar os programas, que só as empresas possuem. E por aí vai.

Ou: vai no camelô que é dez real.

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Filosofando
Às vezes, acho que pertenço a este mundo.

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Como não tinha pensado nisso antes?
Se o seu problema tem solução, então não há com o que se preocupar. E se o seu problema não tem solução, toda preocupação será em vão. [Provérbio tibetano]

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[Gustavo Barreto]
11 de fevereiro

Só para constar
Observe os seguintes códigos:

18:  0.03%: .mil (USA Military)

Sabe o que significa? Que nos últimos 15 dias, nosso contador, que é norte-americano, detectou 18 visitas de um endereço ".mil", que o próprio servidor identifica como "USA Military" (base militar dos Estados Unidos).

Sem paranóia. Só para constar.

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Pergunta que não quer calar
Enviada por Roberto, médico: Se o horário oficial no Brasil é o de Brasília, por que a gente tem que trabalhar na segunda e na sexta?

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[Gustavo Barreto]
9 de fevereiro

JB x O Globo

No sábado, surpresa. O jornal O Globo exibe reportagem em que diz que o Jornal do Brasil será leiloado. A marca JB, escreveu Gilberto Scofield Jr., recebeu uma ação trabalhista no valor de R$ 120 mil e será vendida. Supõe-se que surpresa tão grande quanto essa deveria vir em destaque.

Estranhei, portanto, que a reportagem viesse no canto menos lido do jornal (página da esquerda, parte de baixo à direita, como me ensinou o professor Evandro Ouriques e depois a própria experiência e pesquisa). E tem mais: não estava na versão online. Por que?

O JB lançou nota de repúdio neste domingo (indicação abaixo), dizendo que o jornalista tentou difamar a marca. A quantia, dizem ainda, era de apenas R$ 40 mil segundo o próprio escritório de advocacia.

Depois, contra-ataca: "Já em situação de notória insolvência econômico-financeira, aquele grupo enfrenta no momento um pedido de falência compulsória requerida na Corte Federal de Nova York por um dos seus muitos credores. Valor da ação em curso nos Estados Unidos: US$ 120 milhões."

E agora? Como saber qual conteúdo é real se os dois principais jornais da cidade estão diretamente envolvidos? Leia a nota do JB

Hoje, segunda, o JB volta a atacar, em editorial, com título sugestivo: "Império em decomposição" [leia aqui]

Já no primeiro parágrafo, cita pesquisas que confirmariam a seguinte tese: "Em matéria de credibilidade jornalística, a empresa sofre de anemia crônica."

Muito barulho à vista: "Distantes da simpatia dos brasileiros, afundados em dívidas, enredados na teia de incompetências que eles próprios forjaram, os diretores da Globo têm sucumbido, com freqüência, à tentação dos disparos insensatos."

Não há porque esquecer que o próprio Jornal do Brasil também passa por uma crise que o obriga a vender espaços como se fossem notícias oriundas da redação, com um minúsculo aviso afirmando que a "notícia" é, na verdade, um informa publicitário, ou "projeto de marketing". A linguagem gráfica esconde muito bem o "detalhe".

No entanto, as contas da Globopar de fato levam ao questionamento: assim como fez José Serra em 2002 quando, ao perceber sua iminente derrota, apelou para golpes baixos com comerciais agressivos de cinco em cinco minutos, em grande parte na Rede Globo, teria a família Marinho entrado em pânico? O desespero, sabe-se, tem dessas.

A história nos mostra: crises profundas de grandes empresas via de regra são omitidas até o último momento. Quando não dá mais, o final é avassalador. 
O memorável editorial do JB de hoje, que passa com muita autoridade pelos deslizes da Rede Globo, dá uma dica aos Marinho: a melhor receita para se resolver um problema é reconhecê-lo. Esconder erros históricos só está aumentando o buraco.


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[Gustavo Barreto]
7 de fevereiro

Primazia econômica

[Foto: Folha de S. Paulo, 07/fev/04] Hierarquia de poder: "De cima para baixo, o presidente do BC, Henrique Meirelles, o ministro José Dirceu e o presidente Lula posam após a primeira reunião ministerial deste ano, na Granja do Torto". Na sexta (6) o governo ampliou o corte no orçamento para R$ 6 bilhões. Justificativa: "cautela". Leia mais

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Bornhausen e ACM
Sebastião Nery na Tribuna hoje: "Historinha rápida nos gabinetes do Planalto e do Congresso. Jorge Bornhausen encontra Antonio Carlos Magalhães no Senado:

- Tenho duas notícias, uma boa e uma ruim.

- Conte logo a boa.

- O pessoal do PT está gostando muito de dinheiro.

- E a ruim?

- Estão gostando mais do que nós."

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[Renato Kress]
7 de fevereiro

Mais uma herança de FHC
Fernando Henrique, também conhecido como o sociólogo-pandora, deixou escapar vários probleminhas estruturais ao largar o governo e ir morar na França com a grana que ganhou por fora nos processos de doação, ops, privatização do patrimônio público.

Um deles foram 25.500 quilômetros quadrados (se cada passo humano tem mais ou menos um metro de comprimento, é uma área de 25.500.000 passos) de floresta amazônica sumiram em 2002. Valor 40% maior do que em 2001.

Teria o presidente sociólogo alugável avisado para que “terminassem logo com isso” porque “a festa está acabando, tô fugindo para a Sorbonne”, desde que “adiantem logo a minha parte”?

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Ações americanas
Seria interessante se os americanos começassem a procurar por suas ações na bolsa antes que a imprensa venha noticiar mais um Enron ou Xerox, o mesmo vale para os italianos, e não só para o leite de Parma.

Em anos de eleição é que os ditadores costumam abrir as porteiras para o estelionato estatal ou privado. 

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[Gustavo Barreto]
2 de fevereiro

Atualização
Eram 2h59 da madrugada quando estávamos atualizando a revista. Uma senhora atualização. Mereceu até Nietzsche na divulgação. Apenas uma frase, seguida de dois comentários:

"Quanta verdade um homem é capaz de suportar?" [Nietzsche]

Consciência.Net atualizado.

Você consegue suportar?
http://www.consciencia.net


Bonito, né? Meio pretensioso, mas bonito.

Foi aí que...
Às 03h04, sem piscar, a leitora Raquel Moraes, de São Paulo, responde:

"Por trás da vaidade pessoal, as próprias mulheres têm o seu desprezo impessoal - pela "mulher".

Nietzsche, Além do Bem e do Mal, 86


Com leitores assim, dá até medo de escrever...

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[Gustavo Barreto]
1 de fevereiro

Nova concorrente no pedaço
Cansado(a) da mesma coisa em sua TV? Procurando algo novo? "No dia 8 de outubro, a NGT - Nova Geração de Televisão entrou no ar no canal 48 - UHF em São Paulo, dando uma nova cara para a TV aberta brasileria e isso é só o começo."

Este texto está em www.redengt.com.br

Dizem que será mais um canal no pedaço. No sáite deles, apenas uma votação: "Participe desta emoção dizendo o que você mais espera.", seguido de diversas opções.

Neste momento, três assuntos interessam aos 914 vontantes: "Documentários", "Musicais" e "Cultura e Arte".

Também há o contato por e-mail. Já funciona, informam: canais 48 UHF em SP e 26 UHF no Rio. Mas intriga o "e isso é só o começo".

A dica é da sempre bem informada Juliana Lanzarini, estudante da Escola de Comunicação da UFRJ.

É esperar para ver e ouvir.

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[Gustavo Barreto]
29 de janeiro

A nossa luta é com informação!

A revista Consciência.Net estará dando continuidade à luta de 4 anos que projeta com ações do presente um Brasil para o futuro. Nossa principal arma? A informação.

Nossa redação estará cadastrando e enviando para todo o País estudos e técnicas fundamentais, análises indispensáveis e muita informação de qualidade com a finalidade de informar todos os brasileiros, por meio da reprodução desse conteúdo, as melhores formas de combater o conservadorismo que exclui a maior parte dos cidadãos. Leia mais

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Só no Brasil!
Vejam que absurdo. Além de todas as homenagens ao empresário Roberto Marinho, estão tentando aprovar nova lei que vai beneficiar o ex-homem-forte da Globo. Leia aqui

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Cigarro mata
Hey, hey, I saved the world today
 



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