Pequenos Detalhes
Dezembro de 2003
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[Gustavo Barreto]
29 de dezembro

Retrospectiva
"(...) Sou um mau retrospectivista. Não consigo me lembrar de metade do que aconteceu no ano e quando me lembro fico na dúvida: isto foi mesmo este ano?

O jeito é selecionar os extremos, o melhor e o pior e desistir do médio, pois no fim tudo se relativiza. O melhor do ano foi a Maria Rita, o pior do ano foi aqueles dois alemães sentando para comer o pênis de um deles, antes de um matar o outro para comer o resto. Até que ponto os extremos se relacionam e se compensam?

“Budapeste”, o livro do Chico, anula quantas atrocidades de guerra, o Botafogo voltando à primeira divisão consola por quanta miséria humana, e como é possível conciliar a taxa de juros com a Luana Piovani no filme do Jorge?

Foi um ano de perdas pessoais e bons momentos, de alegrias e horrores, e só não se pode dizer “como todos os anos” porque depois do 11/9/01 os anos têm sido diferentes, vivemos na expectativa de horrores inéditos.

Seguindo a doutrina Bush de contra-atacar antes do ataque, estou até pensando em fazer agora uma retrospectiva preventiva de 2004, para tentar evitar o pior.

O que também eliminaria o problema da falta de memória."

Luis Fernando Verissimo, sempre, aqui

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Agora, só no blog. E os meus desejos de Feliz 2011.

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[Renato Kress]
27 de dezembro

Papo de sociólogo
Quando o Sarney defende a renegociação da dívida e o Palocci reclama, penso se ainda tem vaga na Escola Nacional de Circo.

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[Gustavo Barreto]
27 de dezembro

Mantendo a Disciplina Macroeconômica
"A manutenção de políticas fiscal e monetária sólidas está no âmago do programa econômico do governo para 2004. Manter a inflação baixa e continuar reduzindo a relação dívida/PIB é essencial para continuar recuperando a confiança e assegurar um ambiente no qual os agentes econômicos possam tomar decisões de investimento de longo prazo. Assim, políticas macroeconômicas sólidas continuam sendo um ingrediente essencial na nossa estratégia de crescimento econômico". (pág. 2)

"(...) Diversas outras medidas estão em andamento ou sendo preparadas para melhorar a intermediação financeira ou reduzir os custos de crédito. Primeiro, o processo de privatização dos bancos federalizados foi retomado, com uma nova rodada de avaliações para definição do preço mínimo de venda de um dos bancos. (...)" (pág. 4)

Trechos da "Carta de intenção referente ao novo acordo" (inclusive o subtítulo), do ministério da Fazenda do Brasil, de 15 de dezembro de 2003. Para não deixar dúvidas do rumo do governo.

A original: www.fazenda.gov.br/portugues/fmi/acordofmi.asp

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Papai Noel mora no Leblon
No dia 23 de novembro de 2003, Palocci Filho disse que "o aperto orçamentário será inevitável" em 2004 para "manter o equilíbrio fiscal".

Em Belford Roxo, região da Baixada Fluminense cujo equilíbrio social nunca esteve em alta, o aperto é maior, principalmente quando se tenta explicar para cinco crianças famintas que papai não conseguiu emprego para que seus representantes possam viabilizar o crescimento sustentável da Nação.

Pior se papai for da época do bolo de Delfim Netto, que até hoje o Leblon está comendo.

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Tempos modernos
Desde que Papai Noel mudou seu escritório da Lapônia para a Quinta Avenida, em Nova Iorque, está irreconhecível.

Tive que fazer uma auditoria para demonstrar que fui um bom menino, mas minhas contas foram recusadas.

Marquei uma audiência para semana que vem. Se ele não me receber entro na justiça.

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Pagando a conta. Ou não
"(...) os senadores aprovaram (...) projeto de resolução que vai permitir aos oito estados mais endividados sair da lista dos que ultrapassaram o limite de gastos impostos pela LRF. A medida permitirá que eles façam novos empréstimos.

O projeto, de autoria do senador César Borges (PFL-BA), determina que de 1 de janeiro de 2003 a 30 de abril de 2005 ficará suspensa a obrigatoriedade do cumprimento dos limites e condições estabelecidos pelo próprio Senado na LRF.

— O senado flexibilizou a lei porque 90% das prefeituras não estão conseguindo cumpri-la — disse o líder do PMDB na Alerj, Paulo Melo."

Jornal O Globo, 12 de novembro de 2003, aqui

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[Gustavo Barreto]
25 de dezembro

"Por mim esse cara morria de fome".

Do meu avô, na ceia de Natal, depois que um membro da família recebeu emocionado o cedê do Roberto Carlos.

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[Gustavo Barreto]
23 de dezembro

Orçamento 2004
O substitutivo ao projeto de lei orçamentária de 2004 do deputado Jorge Bittar (PT-RJ) prevê um crescimento da economia de 4%, queda dos juros e da inflação, saldo positivo da balança comercial e aumento do ingresso de capitais estrangeiros.

Prevê, ainda, a chegada de Papai Noel e o Coelhinho da Páscoa, abraçados, no Globocop, um pouco antes da Portela se apresentar.

Termos técnico-embromativos
Jorge Bittar afirmou durante a discussão da proposta que a intenção é evitar o contingenciamento de recursos no próximo ano, mas não garantiu o fim dos cortes orçamentários em 2004.

Em uma das expressões mais pomposas do ano, ele admitiu que poderá haver "eventuais contingenciamentos de dotações no início do ano para salvaguardar o fluxo de caixa" do Governo federal.

Calcula-se que desde dos tempos do Império que não se usava tais direcionamentos literários.

International sacudida plus
Bittar confirmou a prioridade do novo governo: “Será um ano melhor para todos nós, mas o Brasil tem que estar preparado para as oscilações internacionais”.

Árvore de Natal
Para quem não sabe, o orçamento anual é, na verdade, uma grande árvore de Natal. O governo pode cumprir o que foi definido, ou não. É um grande enfeite, votado perto do Natal, enorme e lustroso, e que anima toda a família.

Passados os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal, entra em ação o ministério da Tesoura, quer dizer, do Tesouro, para aplicar - de novo! de novo! - "eventuais contingenciamentos de dotações no início do ano para salvaguardar o fluxo de caixa".

Exemplo: até 10 de outubro deste ano, apesar de toda a preocupação do governo com o Estatuto do Desarmamento, apenas 10% do orçamento destinado ao Sistema Único de Segurança Pública (SUSTO) foi de fato aplicado. O mesmo ocorreu com o Fundo Penitenciário Nacional.

Mas o deputado Bittar merece nossa solidariedade. Com um vocabulário desse, o garoto vai longe.


Gustavo Barreto é um cidadão multinacional (contribuinte da República Federativa do Brasil com orçamento da Somália e tributos da Dinamarca). Artigo publicado originalmente no Paraguai.

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Sem falta
Próxima atualização: 27 de dezembro.

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[Gustavo Barreto]
18 de dezembro

'Falta de vontade política'
"A expressão “vontade política” é utilizada a torto e a direito, à esquerda e à direita, quando se trata de disparar uma crítica rápida a um determinado grupo político no poder. Ela é simplificadora porque reduz uma série de causas econômicas, políticas e sociais a um aspecto voluntarista.

Por que a fome cresce? Falta de vontade política. Por que as vítimas da Aids continuam aumentando? Falta de vontade política. Por que a natureza segue sendo alegremente destruída? Falta de vontade política. E a relação prossegue, tediosa e interminável.

E é desmobilizadora e mistificadora porque esconde o caráter complexo das causas e sua relação com um determinado modelo político e econômico definidor da natureza das políticas públicas ou da ausência destas".

Marco Aurélio Weissheimer, aqui

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Pensaminto
Intelectual que trabalha muito só tem tempo de tomar banho stricto sensu.

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[Gustavo Barreto]
17 de dezembro

Pegamos nosso Frankenstein
"Graças a Deus, Saddam finalmente voltou para as mãos americanas! Ele deve realmente ter sentido saudade de nós. Cara, ele realmente parecia mal! Mas, pelo menos ele ganhou um exame odontológico grátis hoje. Isso é uma coisa que a maioria dos americanos não consegue".

Do sempre bem informado Michael Moore, aqui

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Destruir e correr
Afeganistão. No ano fiscal findo em setembro de 2002, a guerra custou US$ 13 bilhões, ao passo que o esforço total do Pentágono em obras civis e humanitárias alcançou apenas US$ 10 milhões (com emê).

É o que William D. Nordhaus, de Yale, chama de "destruir e correr". Trata-se do padrão, diz Nordhaus, das intervenções norte-americanas em suas investidas pelo mundo.

A análise do professor pode ser lida no seguinte endereço:
http://www.econ.yale.edu/~nordhaus/iraq.html

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Jornal velho
Ontem li uma semana dos jornais velhos que tenho, todos do ano de 2001.

Pelos meus cálculos, em 2005 estarei em 2007.

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[Renato Kress]
15 de dezembro

Estereótipos e Definições

Nove em cada dez vezes o novo é o estereótipo da novidade. Isso é cultura de massa.

O estereótipo é a via natural da ‘verdade’. Isso é mídia.

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[Gustavo Barreto]
15 de dezembro

Farsas da História
"De uma longínqua região da Romênia, Timisoara, começaram a chegar noticias sobre massacres. Correram todos os jornalistas da imprensa ocidental para testemunhar finalmente a cena que tanto aguardavam. Os sobreviventes chegavam a Bucareste e, incitados pelos sedentos correspondentes, inflacionavam cada vez mais o número de mortos e as formas cruéis como teriam sido assassinados.

A escalada das cifras elevou-se a várias vezes a população de Timisoara, mas o que interessava era dar ao público ocidental a satisfação do roteiro que lhe tinha sido prometido. A execução do tirano e de sua mulher, sem nenhum julgamento, era legitimada por esses massacres.

Pouco tempo depois revelou-se que se tratava da maior farsa que a imprensa ocidental tinha forjado em muito tempo. Órgãos da imprensa francesa assumiram o escândalo e se autocriticaram, mas não fizeram assim os de outros países, tampouco o solerte repórter da Globo – hoje Chacrinha do Big Brother."

Emir Sader, Agência CartaMaior, aqui

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[Gustavo Barreto]
14 de dezembro
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Saddam Hussein
capturado
PT expulsa radicais
do partido

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Internet é isso
Basta que algo de significativo - ou pelo menos apelativo - aconteça que a rede mundial de computadores trava. Quase nada entra quando todos querem entrar.

O servidor da nossa revista, que é norte-americano, parou. Simplesmente parou.

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[Gustavo Barreto]
13 de dezembro

Nosso terreno, companheiro
Na capital dos Estados Unidos, Washington D.C., todos os 97 senadores da república votaram por uma lei anti-spam para acabar com aqueles e-mails irritantes que você recebe.

Eles disseram: "Quando você quiser enganar o povo americano e começar a ganhar dinheiro fazendo falsas promessas, entrou no nosso terreno, companheiro".

O comentário é de Jay Leno no The Tonight Show de 27 de outubro.

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Contradição
No JB de hoje: "Mentor do Fome Zero lança livro de culinária". Receitas de Frei Betto esgotariam em poucas horas os R$ 50 doados pelo programa, aqui
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Dificuldades
"É muito difícil para um político admitir um equívoco e recuar", disse Lula no Oriente Médio, aos representantes dos 22 países da Liga dos Estados Árabes, na terça 9.

Falava sobre Bush, mas deixou alguns jornalistas brasileiros confusos.

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Um dia chega
A próxima atualização da revista, com muitas novidades, será neste sábado, dia 19. Depois, só em 2004.

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[Gustavo & Renato]
8 de dezembro

Google comunista

Vá no Google (www.google.com.br) e digite: weapons of mass destruction

Clique no primeiro item.

Vá no Google novamente e digite: miserable failure

De novo, clique no primeiro item.

Vá no Google, novamente, desta vez pelos franceses. Digite: french military victories

Novamente, clique no primeiro item.

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[Gustavo Barreto]
6 de dezembro

Benjamin
César Benjamin estará na próxima edição do jornal Brasil de Fato. Ele responde a um perguntas e comenta sobre a conjuntura nacional.

Na última quinta (4) esteve na UERJ participando de um seminário sobre o governo Lula, "Balanço e Perspectivas". A íntegra de sua fala mais as respostas aos ouvintes estarão em breve por aqui.

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[Gustavo Barreto]
4 de dezembro

Ninho da serpente
Como se faz o nazismo – e que pode acontecer de novo, mesmo entre hippies nascentes, aqui

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[Gustavo Barreto]
3 de dezembro

Faz algum sentido?!
Deu no Globo de hoje:

A lei que proíbe a cobrança de consumação mínima em bares, boates e casas noturnas se tornou, desde ontem, mais branda para os consumidores. A alteração, aprovada por unanimidade pelos 40 deputados presentes no plenário da Assembléia Legislativa, modifica o parágrafo único da lei, que determina o valor pago pelo consumidor em caso de perda da comanda para consumo.

No texto anterior, a cobrança, em caso de perda, era de valor igual ou superior a cinco vezes o valor do ingresso. A nova proposta, aprovada pelos deputados, é de que o valor seja igual ou superior a duas vezes o valor do ingresso.

O deputado estadual Paulo Mello, vice-presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da Alerj, informou que a modificação, proposta por ele, atenderá as solicitações dos freqüentadores dos bares.

Alguém, por gentileza, me explica o que muda. Para mim, nada. Segundo o novo texto, vamos depender da boa vontade dos comerciantes.

Eu não sou advogado, mas interpreto perfeitamente que "igual ou superior a duas vezes o valor do ingresso" pode ser duas, três, quatro, cinco, seis... ou 100, que se enquadra em "superior a duas vezes". É mole?

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[Gustavo Barreto]
1o de dezembro

Jesus e a Bíblia
"Não aceitaram as correções que ele fez para a segunda edição". Por Alberto, um maluco aí.
 
 


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