Pequenos Detalhes
Novembro de 2003
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[Gustavo Barreto]
28 de novembro

Cadáver na sala
"A causa verdadeira do continuísmo não é o medo da inflação, mas a insistência em manter a conta de capital aberta. Nas condições atuais, sempre que a taxa de juros cair de modo expressivo, os detentores de riqueza tendem a trocar reais por dólares.

É um tema de que ninguém trata.

Por ser um assunto muito relevante e delicado, deve continuar escondido da opinião pública, com todo cuidado. Chamo a isso de 'cadáver na sala'. As pessoas passam por ele e fingem que não o vêem.

(...) O presidente do Citicorp (...) mandou uma carta ao Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social dizendo que o controle de capitais é uma coisa superada.

Ele acha que somos um bando de idiotas? Se ele não sabe que China, Taiwan, Cingapura e Índia fazem controle de capitais, é problema dele. Onde ele pensa que está?"

De Luiz Gonzaga Belluzzo, economista e professor da Unicamp, aqui

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[Gustavo Barreto]
24 de novembro

Humanos, porém sem Direitos
''Esse incêndio foi uma graça de Deus. Passo necessidade com minhas filhas, moço. Estou desempregada e não tenho marido. Agora, pelo menos durante algum tempo, nós vamos ter o que comer'', comemorava Fabíola Machado Soares, 21 anos, ao sair dos escombros esfumaçados da Ceasa, em Irajá, carregando caixas de ovos, sacos de feijão e cebola, pó de café, latas de sardinha, massa de tomate e caixas de leite.

Matéria do JB, aqui

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Os brasileiros da riqueza invisível
O Rio ganhou uma favela por mês nos últimos 10 anos. A Rocinha, uma das grandes da cidade, cresce à média de 300 famílias a cada dois anos, segundo levantamentos da Light.

Em outra grande, a do Rio das Pedras, em Jacarepaguá, a associação de moradores avalia a expansão em cinco barracos por semana. Ali, nos últimos anos, a prefeitura desenvolve em ritmo lento um programa chamado Favela Bairro, conjunto de iniciativas destinado a corrigir distorções e conter o crescimento das favelas cariocas.

Segundo moradores, porém, a parte relativa a “conter o crescimento” está suspensa até as eleições. São assim também as favelas brasileiras: bolsões de votos administrados pelos governantes.

Xico Vargas, para o NoMínimo, aqui

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Igreja e Estado 
Enquanto no Brasil a governadora do Rio, Rosinha Matheus (PMDB), luta para assegurar o ensino religioso de forma confessional em escolas públicas, uma outra república laica como teoricamente é a nossa – os Estados Unidos – acaba de dar bom exemplo em sentido contrário.

O presidente da Suprema Corte do Estado do Alabama, Roy Moore, foi afastado do cargo pelo Comitê de Ética Judiciária por ter se recusado a cumprir decisão de um juiz federal que ordenou a remoção de uma estátua em homenagem aos dez mandamentos da sede do tribunal, na capital do Estado, Montgomery. Em processo movido por diferentes grupos de defesa dos direitos civis, o juiz decidiu que o monumento é “um endosso inconstitucional à religião”. [Ricardo A. Setti, NoMínimo, 20 de novembro, 2003]

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[Gustavo Barreto]
20 de novembro

Teoria do Abacaxi
Todos sabem o que é fuga de cérebros. Os países mais desenvolvidos aproveitam o investimento público que os países mais pobres fizeram em humanos – universidade, principalmente – e levam nosso profissional formado e preparado, oferecendo gordos e respeitosos benefícios.

Não são tão gordos assim – muito menos respeitosos –, pois o retorno é muito maior. Isso prejudica diretamente o país que cedeu este trabalhador, que por sua vez deixará de usar o conhecimento em favor de uma nação muito mais necessitada deste ‘capital humano’.

Este benefício, baseado puramente no individualismo dito coletivo – "estamos todos no mesmo barco", dizem algumas empresas a seus funcionários –, tenta esconder que o que estamos exportando mesmo, no duro, é abacaxi na cabeça.

Já não se pode falar mais em Carmen Miranda, evidente, mas temos algo como um abacaxi disfarçado. É como se o abacaxi tivesse se adaptado, se desenvolvido. O abacaxi se transformou em ‘qualificação profissional’, mas não deixe de lado aquela vontade de nos tornar exóticos e ‘diferentes’ – “veja, um brasileiro inteligente” – que era basicamente a função do Abacaxi.

Melhor ainda: com possibilidade de entrar em outros mercados nos quais nós não estávamos tão presentes, quando antes apenas a indústria cultural serviria para nós, macacos.

Há quem veja vantagens: “Hoje o mundo possui menos fronteiras”, dizem. No entanto, a sensação que se tem ao entrar nos Estados Unidos, por exemplo, é de que só existe de fato uma grande fronteira, dividindo este do resto do mundo.

Enquanto os sociólogos-profetas anunciam o fim do Estado-nação, os países ricos anunciam cada vez mais alto seus nacionalismos exacerbados – com as bandeiras e a listras – que garantem um maior poder de soberania e exploração por meio de taxas alfandegárias e restrições civis.

O investimento na educação – mesmo que ralo – é nosso. Ao ser aprovado para trabalhar fora, somos chamados de “revelação”, “gênio” ou até mesmo “gente que faz”. Lucramos para as grandes corporações. Se não der certo? Simplesmente devolvem o abacaxi.

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Os macacos e os galhos

"A partida só tinha 90 minutos e a Seleção escondeu demais o jogo".

Luiz Inácio Lula da Silva, dia 17, falando sobre futebol - ou será sobre política?

"Não vou analisar o Ministério do presidente, por quem tenho admiração. Acho que é importante cada macaco no seu galho".

Resposta de Carlos Alberto Parreira, técnico da Seleção Brasileira, falando sobre política - ou será sobre futebol?

Entregando o jogo
"Se alguém me derramasse na garganta todo o álcool do mundo, seria capaz de fazer um strip-tease no meio da rua, mas nunca maltratar um velho. Conheço minha índole".

Arthur Virgílio, líder do PSDB, dia 8, criticando medida do Ministério da Previdência. Esta é inesquecível.

Melhor que quando o Cesar Maia disse que desfilaria nu, sem roupa, peladão, caso a Rosinha ganhasse as eleições no Rio já no primeiro turno. Não cumpriu.

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[Gustavo Barreto]
17 de novembro

Pesquisa
Estava por aí, quando deparo com interessante pesquisa: "Você é a favor da instituição de um Dia da Não-Violência nas emissoras brasileiras de TV?"

94% (ou 241 pessoas) votaram "sim".

6% (ou 15 pessoas) votaram "não".

A pesquisa é do dia 5 de dezembro de 1999. O registro está no sáite do Observatório da Imprensa, aqui

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[Gustavo Barreto]
16 de novembro

Injustiça
Li num livro de História sobre uma revolução aí que separou o Estado e a Igreja. Já solicitei à livraria meu dinheiro de volta.

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Mercado, o rei da cocada preta
"Presidente, faço o que o senhor mandar. Agora, se eu reduzir a taxa para 19%, a decisão passa por unanimidade no Copom. Mas se for uma redução que chegue a 18,5%, haverá posições contrárias na reunião do Comitê de Política Monetária. Isso ficará registrado em ata. E, para o mercado, passará a idéia de que há divergência interna. Isso seria um sinal negativo".

De Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, tentando convencer Lula sobre a redução ideal da taxa. Está no Globo do dia 9 de novembro, e o jornalista chama essa diferença de meio porcento de "divergência dentro da equipe econômica".

É como se eu chamasse de divergência a minha indecisão de usar azul ou vermelho em um dia de sol.

A matéria, no entanto, é muito boa, leia aqui

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Mais valia
Em euros, todo o dinheiro circulando no mundo dá 20 trilhões. Entre numa loja e troque tudo em dólares. Aí troque o resultado em euros. Repita o processo 849 vezes.

Sobram 18 centavos.

"Now we have seen how that portion of the constant capital which consists of the instruments of labour, transfers to the production only a fraction of its value, while the remainder of that value continues to reside in those instruments." - Karl Marx

Dica de Doria aqui, um experimento aqui

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Temor
Minha mãe me ligou: "Filho, evita sair de casa hoje à noite. Estão dizendo que o Terceiro Comando e o Comando Vermelho se uniram contra o Garotinho".

Calma, o pior ainda não aconteceu. Desastre mesmo será a possível união dos governos municipal e estadual nas próximas eleições. Chega a me dar arrepios.

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[Gustavo & Renato]
15 de novembro

Frase errada
No começo de seu mandato, Fernando Henrique Cardoso (em inglês, FHC) disse: "Esqueçam o que escrevi". Melhor seria: "Entendam o que escrevi".

Simplesmente não faz sentido. Lê pra vê!

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[Gustavo Barreto]
14 de novembro

Declaração pública
"O Diretório Nacional do PT, ao decidir pela expulsão dos chamados parlamentares radicais, dará mais uma prova de que o Partido dos Trabalhadores optou por defender os planos de ajuste ditados pela burguesia, a classe que parasita o trabalho da maioria do povo brasileiro".

Leia o documento assinado pelos deputados Babá (PT-PA), Luciana Genro (PT-RS) e João Fontes (PT-SE) para a criação de um novo partido, aqui [em arquivo .doc]

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[Gustavo Barreto]
13 de novembro

Primeiro mundo
O Brasil é o vice-campeão mundial de incidência de carga tributária em relação ao salário bruto (41,7% do total da massa salarial). Vem logo atrás da Dinamarca, com 43,1%. Já os serviços prestados pelo Estado em um e outro país... [NoMínimo, aqui]

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[Gustavo Barreto]
11 de novembro

A grande piada (de mau gosto)
Há tempos que estão falando em "responsabilidade social" nas empresas mais do que "banana" em feira. O que há é uma banalização - ou bananização, se preferir - do termo.

Como um banco que cobra 9% para seus clientes pode falar em filantropia? Responsabilidade com a sociedade seria baixar os juros do cheque especial. Até grandes banqueiros desdenham do público, que não consegue se organizar para enfrentar este absurdo. Matéria aqui

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Jesús Rocha
"Meu sonho de consumo é sobreviver a tudo que consumo". Mais aqui

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[Gustavo Barreto]
9 de novembro

"Comunismo"
Se você encontrar alguém que tem medo do vermelho, sugira um psicólogo. Política é algo um pouco mais sério do que cromofobia.

Responda rápido
Você torce mais pelo País ou contra os conservadores?

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[Gustavo Barreto]
8 de novembro

Contêiner intriga pedestres
"(...) Desde 11 de setembro de 2001, com os atentados contra as torres gêmeas, a vizinhança do consulado não é mais a mesma. Segundo o advogado André Bevilaqua, que trabalha no edifício ao lado, todos no prédio estão atentos a qualquer movimento estranho. 

- A gente pensa logo que é armamento e blindagem. Não temos medo, mas nada passa despercebido. Já o técnico em informática Rodrigo Petarli, 20, simplesmente não percebeu que havia um contêiner ali desde setembro. Quando atentou para a existência do objeto não relutou. Tem certeza de que a pessoa que o colocou sabia que ninguém iria vê-lo. 

- Muito curioso. Passo diariamente por aqui e não tinha visto. Deve haver algo de muita responsabilidade para estar guardado num contêiner. E por que ficar parado aqui, em frente à porta do consulado? - questiona Rodrigo". Mais aqui

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[Gustavo Barreto]
7 de novembro

O flagelo do desemprego
"Nas condições em que o governo começou, em meio a uma crise financeira grave, era indispensável combater a inflação e implementar políticas rigorosas nas áreas monetária e fiscal. 

No entanto, a Fazenda e o Banco Central erraram na dose. Numa economia que já estava fragilizada e não apresentava crescimento expressivo desde 2000, os responsáveis pela política econômica aumentaram demais o superávit fiscal primário e as taxas de juro.

E depois demoraram muito, e ainda demoram, a flexibilizar as políticas monetária e fiscal".

Paulo Nogueira Batista Jr., para a Agência Carta Maior, aqui

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Guerra é guerra
Identifiquei mais um vírus que corrompia a vida da revista. Da série Backdoor, persegui por uma hora o Backdoor.sinit até conseguir destruí-lo, com o programa da Symantec Security (Norton).

O bichano faz coisas pequenas, mas destruidoras para quem lida com muitos e-mails por dia. Para citar um exemplo: desviou dez e-mails enviados por mim (inclusive pessoais) e jogou tudo numa lista sobre democratização da mídia. Uma vergonha sem tamanho.

Correndo o risco de atacarem a página por citar isso - afinal, guerra é guerra -, divulgo as instruções de remoção do safardana, aqui

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Contra-contra-cultura
A dica é de Marcos Oliveira, do Telejornalismo da UFRJ. Trata-se de uma sátira do Fórum Social Mundial (ou, como eles dizem, Fórum $ocial Mundial).

Não acho que as críticas sejam procedentes (pelo menos na maior parte do fórum), mas o site é bem feito, aqui, original aqui

A ironia se repete para o Centro de Mídia Independente, aqui, original aqui

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[Gustavo Barreto]
4 de novembro

Morre no Rio a escritora Rachel de Queiroz
A primeira mulher a integrar a Academia Brasileira de Letras morreu na madrugada de hoje no Rio. Segundo a família, ela havia sofrido um acidente vascular cerebral e faleceu dormindo em casa, aos 92 anos. JB, aqui

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Coisas da política
"Os constantes adiamentos da reunião do Diretório Nacional do PT para votar a proposta de expulsão de quatro parlamentares acusados pelo crime de rebeldia explícita mostram como foi precipitada e inábil a decisão de tentar, com rudeza, eliminar o mal pela raiz". Dora Kramer, aqui

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Dilema
Esse negócio de blog é mesmo uma praga. Desde que iniciamos o da nossa revista, essa seção periga de ficar esvaziada.

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Tutty Vasques
Toma lá, dá cá: "Em represália ao Rock in Rio em Lisboa, Portugal ameaça promover festival de fado para Copacabana". Mais aqui

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[Gustavo Barreto]
2 de novembro

Guia do consumidor + Campanha
Lista de produtos com ou sem transgênicos, aqui

Cartaz "Não compre produtos transgênicos", aqui

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Revista lança blog
Será usado pelos editores da revista Consciência.Net - Renato Kress e Gustavo Barreto - para fazer comentários direto dos distintos locais onde possamos nos encontrar - na Bolívia, no Nordeste ou no bar a 100 metros de casa.

Servirá também como uma plantão, atento para os acontecimentos que precisam de urgência e não podem esperar os usuais 15 dias - ou mais - entre uma atualização e outra.

Outra novidade é que os leitores da revista poderão fazer comentários em 'tempo real' - o que dá margem a xingamentos em público, mas também declarações de amor pela revista.

Para não evitar confusões, os comentários serão assinados. GB será Gustavo Barreto, e RK será Renato Kress.

Além disso, a seção Cartas também apresenta este recurso.

Enfim, está aberto o debate. A conferir:
blogconsciencia.blogger.com.br/
 


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