Passividade brasileira
[13/09/02]

Começo inaugurando a novíssima seção “Ah, deixa pra lá” no nosso humilde jornal já em tom de protesto. O brasileiro é um ‘bunda-mole’. É isso aí! E quem não gostou vem bater – duvido que leve a briga até o final. Vive reclamando que as coisas têm que mudar, mas nada faz. Vive reclamando dos políticos corruptos, mas na hora de exercer sua cidadania, não cumpre seus deveres e não exige seus direitos. Sabe como é, a Constituição tá meio fora de moda. Acha um absurdo que ainda haja fome no Brasil, mas vive comendo mais do que deve e deixando restinhos no prato. Acha péssimo ser oprimido, mas quando ganha uma grana vira opressor. Acha que a vida está nas pequenas coisas, que romântico!, mas está pouco se importando para as pequenas coisas da vida. O que alguns vêem como sujeitos pacíficos, eu chamo de frouxos. Um bando de frouxos. É o mais interessado em fazer, hoje mesmo, a grande revolução em sua vida, mas amanhã, cê sabe, né? Tem jogo do Mengão, rodízio de pizza, pô!, imperdível. Alguém, desde que não seja ele mesmo, tem de fazer algo pelo País. É um baita nacionalista, mas, na hora H, pega o primeiro avião e se manda. Enfim, é, em geral, um incoerente, e ainda por cima um grande e belo bunda-mole.

E é por isso mesmo que eu vou, sem pensar!, agora mesmo... eu vou!..

Ah, deixa pra lá.

Gustavo Barreto é conformado e aceita a vida porque nada vai mudar mesmo.


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