A verdade proibida, por Emir Sader
Empresas petrolíferas podem ter sido pivô da guerra contra o Afeganistão

    A proposta de construção de um gasoduto cruzando o território afegão foi rejeitada pelo taleban que, até então, vinha estabelecendo boas relações com os EUA.
    No seu livro de memórias, George Bush, o pai, deixa bem claro aos que ainda acreditavam que a guerra do Golfo foi levada a cabo por causa da invasão do Kuwait que eles estão rotundamente enganados. Houve uma série de outros casos similares de invasão e os EUA simplesmente ignoraram. O que levou à guerra foi o petróleo, esclarece o ex-presidente.
    O taleban, que erradicava as plantações de papoula resgatadas pela Aliança do Norte, já havia cantado a bola de que estava em excelentes relações com Washington. Os problemas vieram à tona quando os EUA colocaram o tema do cruzamento do território afegão por um gasoduto, rejeitado pela milícia que controlava, até alguns dias atrás, Cabul.
    Lançado no último dia 14 de novembro em Paris, um livro parece confirmar tal versão, vinculando o papel central das grandes empresas petrolíferas no governo de Bush filho. Os empresários agilizaram até contatos entre Washington e Cabul: uma reunião com foto e tudo em março, nos EUA, com o ministro de relações exteriores do governo taleban.
    Segundo o livro A verdade proibida, de Jean-Charles Brisard e Guillaume Dasquié (considerados pelo Le Monde como próximos dos serviços de inteligência franceses), a discussão envolveu a concessão do gasoduto junto a um governo de base ampla interna e grandes ajudas econômicas para estabilizar a região. A pauta da reunião era de interesse direto das grandes empresas petrolíferas, financiadoras essenciais da campanha de Bush filho.
    A extradição de Bin Laden era uma das questões defendidas por Washington. A recusa do governo taleban se deu nas vésperas dos atentados.
    Mas os ataques de 11 de setembro, preparados há muito tempo, são atribuídos a Bin Laden, o qual queria criar uma situação de fato para impedir que qualquer acordo fosse feito às suas custas.

Emir Sader é sociólogo e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e da Universidade de São Paulo (USP)


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