Pequeno até o fim, por Clóvis Rossi
Recorro a uma frase do Barão de Itararé, enviada por um leitor, para qualificar o discurso de despedida do Senado pronunciado pelo senador Antonio Carlos Magalhães:

"De onde menos se espera, daí é que não sai nada mesmo".

De um político que jamais, em toda a sua longa carreira pública, saiu um só discurso relevante para a análise dos problemas da pátria, poder-se-ia esperar algo diferente no pronunciamento de despedida? Só a patética bancada carlista na mídia, chorosa e inconformada com o declínio de seu caudilho.

Que autoridade moral e política pode ter ACM para esgrimir, como o fez, números sobre o governo Fernando Henrique Cardoso, para provar o seu fracasso, se ACM foi governista em seis dos seis anos e meio de duração, até aqui, do fernandismo? E calou-se, todos esses anos, sobre os problemas que descobriu apenas agora, depois de reiteradamente denunciados pela oposição.

Que autoridade pode ter ACM para apontar o dedo acusador para quem quer que seja, como o fez, se é prevaricador confesso, ou seja, não cumpriu o dever, como presidente do Senado na época, de mandar investigar um crime (a violação do painel na votação da cassação de Luiz Estevão)?

Que autoridade pode ter ACM para encher a boca e falar de pobreza, se passou toda a sua vida ao lado do governo, na ditadura como na democracia, sem se interessar pela contínua e crescente deterioração do salário mínimo e das condições de vida de uma parcela substancial da população?

Que autoridade pode ter ACM para falar em democracia, se sua carreira política foi basicamente construída na ditadura, à qual deve a nomeação para prefeito de Salvador e, duas vezes, para governador da Bahia, com o que pôde construir sua sustentação eleitoral, à base do coronelismo?

Tudo somado, tem-se que a lápide para o túmulo, pelo menos provisório, que se abriu para ACM no Senado poderia ser uma frase sua, de Segunda-feira: "Todo mundo vai levar sua porradinha".

Essa pequenez é bem ACM, do começo ao fim (com a ressalva de que a sua PM às vezes prefere uma "porradona").

Clóvis Rossi


Consciência.Net