"Nossa geração não lamenta tanto os crimes dos perversos quanto o estarrecedor silêncio dos bondosos" - Martin Luther King
Menphis, Tennesse,
1968. Uma bala mata o maior líder americano do século. Milhares
de corações partidos em muitas cores, etnias e religiões.
O ativismo desafiador ou o questionamento ideológico e decente pela
paz contra o Estado é, e sempre foi, punido com prisão, tortura
morte ou "desaparecimento" em circunstâncias no mínimo suspeitas.
Todas essas histórias mal contadas me dão indigestão.
Meu pai sempre
me diz que "A história é contada pelos vencedores, os que
sobreviveram pra contar", por isso também temos visões unilaterais
e imperfeitas acerca de fatos muitíssimo importantes.
O quanto se sabe
sobre a morte de Lennon? Quanto será que valia a cabeça dele
depois do "Imagine"? O quanto o sonho de paz e amor dele atrapalhava o
futuro da indústria bélica norte americana e européia?
Os líderes
mundiais da paz infelizmente ainda não fizeram escola. Hoje em dia
prefere-se não se desligar de sua alienação novelesca
do que perceber o quanto há de mentira, podridão e cinismo
no mundo econômico e político à sua volta.
Além do
que é mais seguro. Mas vejamos agora uma sociedade sem mártires...
O que seria da astrologia se Galileu não tivesse, a seu modo, desafiado
a igreja católica e continuado com suas pesquisas?
O que seria da Índia se Ghandi continuasse sendo um militar? O que
seria da nossa pátria se Tiradentes não tivesse sonhado com
uma "liberdade ainda que tardia"? Não seria o capitalismo onipotente
se o comunismo não lhe apontasse suas falhas e se os pensadores,
até mesmo Adam Smith admitissem ser um sistema inviável?
O mundo é um patrimônio da humanidade. Para isso existe a
Declaração Universal dos Direitos do Homem, para isso existem
as constituições e a democracia (vontade política
da maioria nas decisões do Estado).
Fotógrafos
como Sebastião Salgado e Carlos Carvalho nos mostram a verdade em
fotos enquanto revistas como Caros Amigos e Bundas nos mostram a verdade
em fatos e artigos de Aloysio Biondi, Bautista Vidal, Veríssimo
e muitos outros.
A verdade, contra
todo o formalismo apátrida imposto pelos grandes centros de poder
está aí, para quem quiser ver e sentir o que ocorre e não
é noticiado pelos meios diretos da imprensa televisiva comprável.
Mártires
são custosos ao sistema. Oneram os centros de poder com as suas
ideologias anti-consumistas e patrióticas. Mártires não
são apenas personagens carismáticos e sim, mais do que tudo,
um mártir é um rei de uma causa. Um ser que detém
em si o carisma orientado pelo poder da informação e da caridade
ao próximo.
Aí entra
o poder. O Mártir é acima de tudo um ser que, para existir
na atual conjuntura depende do maior poder existente, o poder da informação.
A informação real, sem artifícios meramente especuladores
gera a indignação que fomenta a causa. A informação
cria conscientização e gera poder. Poder sobre as massas,
poder sobre o arbítrio. Assim a revolução francesa
fracassou no seu ideal, assim todas as revoluções de base
democrática fracassaram em seus ideais. Se informação
for o privilégio o poder vai ser um privilégio e a estrutura
de classes vai permanecer cada vez mais distanciada.
A política
neoliberal-globalizada acumula riqueza como nenhuma outra e gera a maior
distanciação entre as classes já vista na história.
Por que? Porque a classe média aniquila sua capacidade de indignação
assistindo a programações ultrajantes de claro apelo erótico
e mais ainda assistem a sacanagens maiores, que são a manipulação
indiscriminada sobre as notícias televisivas e a completa falta
de informações acerca de fratos importantes como a reunião
de Seattle.
"Não queremos
mártires." Ordem direta do pentágono e apoiada pelo FMI.
Quantos mortos foram encontrados nas covas de Slobodan Milosevic? 50. A
informação que nos chega através da Globo é
a de um genocídio. Quem praticou o genocídio? Quem necessitava
de desvio de verbas para a manutenção do Pentágono?
Cria-se um vilão, já que a Rússia já não
tem mais sentido como bode expiatório.
Tendo acesso à
informação verídica acerca dos fatos é que
se tem consciência do quanto se é enlevado. Perceber a conjuntura
brasileira atual, a perda da soberania nacional e a destruição
das estruturas mantenedoras de nossa identidade como nação,
promovida a torpes meios pelo presidente Fernando Henrique Cardoso ao mando
de empresas multinacionais, de setores governamentais de outros países
como o Pentágono, de instituições criadas pelo grande
capital para instituir uma "ordem internacional", desmantelando constituições
e soberanias, como o FMI, é o que nos faz lutar contra o futuro
desastroso que os números verídicos nos apontam.
Até quando nos
subjugaremos?