Venezuela – Democracia no dos outros é refresco, por Gilberto Marotta
Inadmissível a cobertura dada pela imprensa ao golpe de estado ocorrido na Venezuela. Em nenhum canal, em nenhum programa, na voz de nenhum repórter ou apresentador, ouviu-se uma crítica que fosse ao ocorrido.

 
Não se trata, obviamente, de isenção. Em assuntos bem menores, como divulgação do resultado de pesquisas eleitorais que não dizem absolutamente nada, por exemplo, vemos os apresentadores fazendo caras e bocas, utilizando entonações irônicas, ou, no caso dos jornais, o pau come nos editoriais, nas colunas ou mesmo nas reportagens, contrariando muitas vezes o princípio fundamental do jornalismo, a objetividade.
 
O que se viu na mídia foi uma total assepsia no trato de uma questão pra lá de fundamental nos nossos dias. Não importam aqui as considerações, positivas ou negativas, do governo do Sr. Hugo Chávez. O fato principal prescinde deste tipo de análise. Ocorre que, a despeito de sua boina e uniforme, Chávez foi ELEITO pelo povo venezuelano. E lá deveria continuar até o fim de seu governo. Não é assim que funciona o jogo democrático?
 
Mas não. Desapareceram, emudeceram os outrora guardiões da democracia, os paladinos da justiça, os mantenedores da ordem, à frente Bush, nos EUA, e FHC, no Brasil. Apenas o PT condenou pública e veementemente o golpe militar. Ninguém mais moveu uma palha. E a imprensa calou, omissa, cordeirinha, malandra, contra mais um golpe, mais um retrocesso na América Latina. Anda esquecida (como andam as autoridades de todos os países) do que seja um golpe de estado. Um precedente pelo qual nós, leitores e telespectadores, poderemos pagar muito caro mais tarde.
 
De repente, a democracia parece não estar mais ameaçada. Há golpes que preocupam, outros que convêm.
 
Gilberto C. Marotta, jornalista, Rio de Janeiro
Consciência.Net