Arnaldo Jabices,
Ceguinhos e cia., por Renato Kress
Hoje, dia 20 de maio, assisti ao Manhattan Connection
com a nata intelectualóide brasileira. Foi divertido. Adorei eles
terem destacado seu primeiro bloco a desancar críticas sobre Noam
Chomsky, o maior crítico político da atualidade, a meu ver.
Arnaldo Jabor, conhecido reacionário príncipe dos intelectualóides
academicistas afrancesados, era um no meio dos outros três dos quais
pouco sei e, pelo que vi no programa, pouco perco em não conhecer.
Bem, voltemos e encerremos o assunto Chomsky.
Reduziram o único intelectual presente na fantástica coleção
"Os Pensadores" que ainda está vivo, o maior neurolingüista
do mundo e uma sumidade mundial em lingüística e crítica
política, a um "simplista" nas palavras do "grande cabeça"
Jabor, ou que dá, nas palavras de um Caio Blinder, que pelo nome
deve ser cego mesmo, "respostas simples a perguntas complexas" e por isso
"agradaria a um público que está querendo respostas simples"
e de preferência bem radicais, uma espécie de "PT transcendental"
novamente na cabeça iluminada do "Mestre Jedi" Jabor. Justiça
seja feita, Lúcia Mendes foi a única a lembrar que Chomsky
era um "ótimo lingüista", nisso ela quase, quase, se salvou,
mas logo depois veio dizer que Chomsky chama o sistema americano de Fascista
e trabalha numa universidade americana, na visão cartesiana da intelectualidade
reacionária brasileira ele seria no mínimo hipócrita,
certo? Atentemos para o fato de que Chomsky dá aulas nos Estados
Unidos por pressão única e exclusiva dos seus alunos e que
ele é odiado tanto pelo governo quanto pela mídia americana.
Outra coisa: depois de tantas críticas só me resta realmente
ver que essas quatro pessoas sequer deram-se ao trabalho de ler qualquer
coisa do Chomsky, inclusive com comentários imbecis como por exemplo
dizendo que ele se julga capaz de falar da política do mundo todo
deitado na sua cama financiada pelo governo dos Estados Unidos, para que
eles aumentem a capacidade cerebral deles. Aí vai uma dica e de
graça: Chomsky passa a vida dando palestras pelo mundo porque é
e sempre será uma sumidade em política internacional e em
política norte-americana. Se esses quatro não conseguem chegar
à sombra de um intelectual de verdade ao menos saibam respeitar
um. Bem, convido aos conscientes.net a lerem qualquer coluna de Noam Chomsky
dentre as presentes no site e terem suas próprias conclusões
sobre o autor.
Pra não dizer que discordo de tudo:
quando o Jabor coça o Nariz e cala a boca eu concordo. Fica difícil
dar crédito a uma cara que não sabe a diferença entre
um partido com "duas alas" e um candidato com "duas caras". Sim, é
óbvio que isso só poderia ser dito em relação
ao PT, será que um dia ele falaria assim do PMDB, o maior e mais
controverso partido do Brasil?
De qualquer maneira é sempre prazeroso
ver essas coisinhas reacionárias, falsos moralistas e direitistas,
essas estruturinhas decrépitas, corroendo por dentro. Olhem que
delícia o que eu peguei no meio da conversa entre essas quatro cabeças
tão especiais: O Jabor discordou de uma opinião da Lúcia
(sente a minha intimidade com eles), dizendo que muito lhe admirava uma
mulher tão culta pensar diferente dele, afinal todos aqui sabemos
que ele é o único sensato do mundo, aquele para o qual se
você discorda é simplesmente porque a sua cabeça limitada
não entendeu o que a cabeça iluminada dele está falando,
e ela lhe respondeu simples e diplomaticamente: "estou precisando ler mais
você, Jabor". Ironia, o que diferencia um cristal de um diamante,
inteligência superior, princesinha do caos, sutil, bombástica.
Adorei. De lamber os dedos (e os beiços).
Renato
Kress, o sumido.
Consciência.Net