Idade Mídia, por Renato Kress
A moeda da era da globalização é a informação. A evolução do poder se encontra agora neste estado após ter passado pelo poder temporal, o poder agrário, o poder político e o poder econômico, hoje o poder, com todos os estigmas da palavra, encontra-se em cascata tendo a informação como manancial, o poder econômico como fluxo e o poder político como foz.

A manipulação sobre a informação designa quem direcionará o desenvolvimento mundial. O controle sobre a interação informação/população delineia os parâmetros culturais que regem o que é permitido pensar e quais as linhas de pensamento, quais as verdades serão aceitas e quais serão relegadas ao esquecimento.

Toda sociedade tem sua estrutura social, política, econômica e financeira modeladas pelas ideologias, pelas crenças às quais fomos ensinados a crer quando aceitamos passivamente que a mídia representa a verdade. Quando a mídia se propõe a indignar-se com determinados assuntos e a determinar quando tal e qual assunto deve ser "esquecido" ela toma as rédeas da sociedade, da democracia e passa a funcionar como um organismo autônomo dirigindo seres autômatos, a sociedade.

Tal realidade não é iminente nem paráfrase de romances do início do século passado, com teorias pós-apocalípticas, é o real e o palpável num mundo onde a informação alçou ao nível de moeda de troca nas transações onde se acresce o poder econômico de uma próspera minoria, nas palavras de Chomsky, e sua conseqüente influência no campo político.

A evolução da mídia, com os jabás nas rádios, com o "Programa do Faustão" na Rede Globo abrindo espaço somente aos artistas da máfia EMI-SONY, corre para o caminho apontado em livros como "1982" mas de uma maneira levemente mais inteligente e sutil. Elevando-se e aprendendo com os erros da igreja católica.

Sejam todos bem vindos às trevas da Idade-Mídia.

Renato Kress é co-autor deste jornal e autor do livro “Consciência”.


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