A morte pela
vida, por Laerte Braga
A morte de um manifestante
em Gênova, onde os donos do mundo decidem a seu bel prazer e em função
dos interesses que representam o destino das pessoas, é um grito
pela vida, tanto quanto o retrato da estupidez do capitalismo. A presunção
de progresso, de riqueza, na mesma medida em que não percebem e
nem querem, que só é progresso aquilo que é comum
a todas as pessoas e traz, no mínimo, condições de
existência, coexistência e convivência dignas e pacíficas.
Qualquer
um dos oito grandes e mais um monte de "n" pequenos poderia vir a ocupar
a cela ao lado de Milosevic. Acham que a vida é formatada pelo viés
dos escudos antimísseis, pelas bombas das polícias, qualquer
uma são todas iguais, pelo imenso poder da tecnologia e pela predação
deliberada e contínua do ambiente, ou seja, da própria vida.
Bush não é um cowboy como pretendem. É um carniceiro,
exterminador. Blair não é um "rapaz" que fala uma linguagem
diferente de Teatcher. É um apanhador de sabonetes com mais estilo,
governador da principal província dos Estados Unidos na Europa,
o Reino Unido. Chirac é um ladrão, às voltas com as
autoridades de seu próprio País. Berlusconi, um gangster
com mais frieza, poder e mau caratismo que qualquer chefe mafioso, em qualquer
tempo. Os outros não diferem.
O que chamam
de anarquia, de desordem é apenas um grito pela vida. Uma morte
pela vida. A luta desesperada de seres humanos que recusam-se a serem transformados
em objetos do capital predador. Que querem a vida como dádiva e
instrumento para a construção de felicidade, mesmo que a
ela não se chegue. Mas, para que por sua estrada possamos caminhar.
Tentar, cair, levantar, tantas quantas vezes for necessário. A impotência
diante das muitas quadrilhas que fazem o mundo, a humanidade caminhar como
rebanho para matadouros, deixa uma pergunta: o que fazer? Fazer o quê?
A "ordem" dessa gente é mantida pelo porrete; pela violência;
pela boçalidade.
A importância
do Fórum Mundial e Social de Porto Alegre, em janeiro, resulta disso.
Mesmo que desempregados de governos anteriores, histéricos e ocultos
sob disfarces de ovelhas, externem gritos histéricos de pretensa
sabedoria, de suposto caminho para o progresso. Que progresso? A exclusão
social? A fome, a miséria? Ou a filha de Bush enchendo a cara de
cerveja? Bil Clinton manchando vestidos? Tony Blair inventando modelos
que são meras farsas para encobrir os verdadeiros propósitos?
Ou Chirac metendo a mão na grana? Berlusconi ressuscitando a bandeira
preta do fascismo? A morte de um manifestante foi a lamentável
cristalização da estupidez, o marco entre a vida no sentido
ampla, a morte, o fim.
Vai restar
um planeta desolado. Enrugado pela violência. Pela barbárie.
Frio. Não importa que dure mil anos, dois mil ou milhões.
Importa que estão destruindo a vida. São criminosos. Não
há a menor diferença entre eles e assassinos impiedosos como
Milosevic, Ariel Sharon, etc etc. O que fazer? Ora, depois que um neo tucano
disse que o socialismo acabou e "o povo quer coisas práticas"; inventou
a gorjeta como forma de eliminar a pobreza, definitivamente, a luta é
de sobrevivência e isso precisa ser entendido.
Não
é brincadeira de oposição e situação.
No poder estão os bandidos. Morto, estendido no chão, um
jovem que lutou pela vida. É pura barbárie e todos os requintes
que a tecnologia capitalista oferece para tanto.
Laerte Braga
Consciência.Net