Desenvolvido - um pequeno estudo etimológico, por Renato Kress
  Li uma coisa interessante na agenda hoje. "Se o desempregado não tem emprego, o desenvolvido não tem envolvimento?" Puxa, fantástico isso. Quem de nós já pensou no povo dos assim chamados "países desenvolvidos"? Acho que poucos, não é mesmo?

  Pelo que me consta realmente ao menos nos Estados Unidos, país que posso falar um pouco por que conheço, a educação vai realmente distanciando os futuros "cidadãos" dos outros países. Por exemplo: nas escolas até o fim do que aqui seria o ensino médio, os alunos não chegam a ter contato com o mapa mundi, só com o mapa dos Estados Unidos e alguns países da Europa. Só é ensinada a história dos Estados Unidos, não existe lá a matéria "História Geral". Não é de se estranhar que muitos dos americanos confundam o Brasil com a África ou achem que o Brasil fique dentro do continente africano. E devemos nos sentir ofendidos com o sistema de ensino americano quando um turista vêm aqui e pergunta se não há onças nas ruas ou porque não andamos de biquini e sunga todo o tempo como nos panfletos turísticos.
  Não sei como é que os países europeus lidam com essa questão. Durante milênios tivemos um mapa mundi alterado, e até hoje ainda vivemos com um mapa mundi não 100% geograficamente correto, onde a Europa aparecia com o dobro do tamanho real dela. Será que nas escolas alemãs as criancinhas aprendem assim: "olha, essa aqui é a China, cabem 100 Alemanhas dentro dela"? Acho difícil. Mesmo porque isso não insuflaria o ufanismo piradão do povo germânico.
  De qualquer forma as pessoas de todos os países têm sentimentos e acredito que não nos desejam mal, ao menos a maioria. O que ocorre é justamente o que o amigo Décio de Mello colocou na sua frase genial "o desenvolvido não tem envolvimento" para que ele não venha a lutar contra seu próprio país reivindicando políticas mais justas para os outros países menos favorecidos.
  A alienação dos povos do norte é muito bem trabalhada e melhor ainda disfarçada dentro de um nacionalismo e de um patriotismo de essência morta. Quando tentam colocar um filme como PEARL HARBOR para justificar DUAS BOMBAS ATÔMICAS em HIROSHIMA e NAGASAKY até que não me surpreendem pelo cinismo, mas me enojam.

Renato Kress é co-autor deste jornal e autor do livro “Consciência”.


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