Corrida às armas, por Newton Carlos
    Bush quer dar mais 48 bilhões de dólares ao Pentágono, cujo orçamento deve chegar a 380 bilhões. Outros 14 bilhões se juntam este ano a despesas "relativas à defesa". A já mais formidável máquina de guerra do universo nunca viu tanto dinheiro nas duas últimas décadas, embora não esteja em curso nenhuma corrida armamentista como havia na Guerra Fria, envolvendo engenhos milionários.

    O compromisso prioritário é com a segurança, segundo Bush. "Vamos ganhar essa guerra", garante o presidente americano. São dólares e novas armas "contra o terrorismo". O empenho é bipartidário. Mesmo que deseje, nenhum político hoje nos Estados Unidos, democrata ou republicano, tem condições de opor-se aos projetos bélicos de Bush. "Todos compreendemos que a obrigação primeira é a defesa nacional e trataremos de aprovar os recursos necessários", disse ao "New York Times" o senador democrata Kent Conrad, presidente da comissão encarregada do orçamento.
    A guerra no Afeganistão chegou a consumir dois bilhões de dólares por mês, dinheiro não contabilizado nos gastos do Pentágono. Tratou-se de verbas à parte, de "situações de emergência". O clima é de euforia na sede central das forças armadas dos Estados Unidos. O secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, promete "transformar a fundo o setor militar". Serão desenvolvidas mais armas de alta tecnologia, como aviões de controle remoto, mísseis, bombas a laser etc.
    Um porta-voz do Pentágono disse que "superaram as expectativas", no Afeganistão, os sistemas de direção das armas de alta precisão. Os arsenais estão vazios, é preciso preenchê-los. Foram disparados contra alvos afegãos 14 mil foguetes e bombas, das quais 60 por cento com direção a laser. O custo unitário dessas armas varia entre 20 mil e um milhão de dólares. A tarefa imediata é "reconstituir os arsenais para guerras futuras". Não se sabe onde, talvez Somália, quem sabe Iraque, a chamada "fase dois", arraigada no imaginário bélico do Pentágono e de Bush.
    Será apressado o programa de reconversão do submarino de ataque Trident. Ele ficará em condições de disparar um variado arsenal de foguetes nucleares de cargas múltiplas e outros "táticos", como o Tomahwak, não nucleares. O Trident seria afinal testado em "condições reais" de guerra, coisa improvável se fica limitado a armas atômicas. Bombas e foguetes capazes de penetrar em cavernas e bunkers recebem atenção especial. Não foram "muito eficientes" no Afeganistão.
    O Pentágono acusa a Coréia do Norte e o Iraque de construírem centros de comando subterrâneos e depósitos de armas químicas e biológicas. A "Operação Liberdade Duradoura" apenas começa, se prevalecem os falcões. Os Estados Unidos passariam de uma guerra a outra. "Estamos certos de que a guerra contra o terrorismo reforçou no Congresso e na opinião pública o apoio à reconstrução das forças armadas", declarou o Departamento de Defesa.
    Guerra Fria 2. Com uma diferença da primeira. Os Estados Unidos agora não competem com ninguém. Correm às armas sozinhos.

Fonte: http://www.correiocidadania.com.br/


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