Cortesãs e líderes do passado e do futuro, por Maria Izabel Bruginski
    O papel feminino sempre foi fator essencial no estudo da história. Filosoficamente, inclusive, defende-se que a sociedade caracteriza-se pelo papel que as mulheres ocupam nela. Porém, há um personagem sempre foco de polêmica em qualquer época, mas que poucos realmente conhecem o que significa, causando até repúdio a posição deste artigo. Obviamente, que confundirão cortesãs com meras prostitutas, mas o que as diferencia é algo de extrema importância hoje.

    Ouso perguntar neste momento quem realmente sabe o que é uma cortesã? Porque elas teriam um destaque neste instante?
    Curioso, já se ouve respostas generalizadas que são prostitutas e que talvez se fale delas na sociedade moderna, da exploração. Pois isso é um engano vulgar. Não vou dizer que elas não ganhavam dinheiro vendendo o corpo, todavia, o que poucos sabem é que a influência delas afetaram muitas decisões de homens de destaque histórico.
    As cortesãs têm uma filosofia diferente da maioria das prostitutas, sendo o motivo pelo qual encantavam tanto os homens, principalmente os que detinham poder dentro de um contexto social. Comumente essa profissão era passada de mãe para filha, mas sempre houve as que nasceram com tal dom. Este consistia em estudar, ânsia de poder.
    Na Idade Média, por exemplo, para uma mulher casar tinha de ter um dote, ou seja, se desejasse um homem acima de sua classe social não casaria, mesmo que o objeto em questão a correspondesse. Neste mesmo contexto, mulheres sérias, casadas, de família, não era admitido que estudassem, freqüentassem bibliotecas ou simplesmente lessem. Eram alienadas política e intelectualmente, além de serem privadas do prazer sexual. Seu objetivo era apenas reproduzir.
    Ao contrário, as mulheres da vida liam e absorviam conhecimento continuamente. Eram poetas, atrizes, dançarinas, pintoras, trovadoras, artistas, dominavam as artes das armas. Assim, conquistavam os homens ao seu redor. Tinham língua afiada, enfrentavam homens renomados em jogos de poesia, política e hipocrisia. Os líderes, dessa forma, viam nelas um atrativo que era raro. As mulheres destes homens perguntavam-se que feitiço ela usava com seus maridos, para domina-los e influencia-los tanto.
    Digo sem pestanejar: as cortesãs eram as mulheres de verdade, conheciam os segredos do prazer e do mundo, enquanto as esposas bordavam, rezavam e aguardavam notícias de seus maridos que lutavam na guerra, sem saber porque realmente se guerreava, muito menos saber de onde vinha o povo inimigo. E a cortesã dando conselhos para esses mesmos maridos sobre como agir diplomaticamente e perspicazmente.
    Agora, voltando ao ano de 2002, será que analisando a mulher atual ideal, independente, bem sucedida profissionalmente, ocupando lugares antes exclusivos dos homens, não vemos a cortesã de séculos atrás?
    Quantas mulheres idolatradas, vistas como ícones não foram simplesmente cortesãs?
    Vamos a exemplos concretos. Catarina, a Grande, foi apenas uma cortesã. Usava seu poder de sedução aliado a inteligência. Eva Perón, recentemente homenageada com um filme sobre sua vida. Lady Di, que conquistou um país de forma mais competente que seu marido. Isso sem citar inúmeras mulheres gregas, egípcias, européias, etc.
    Esses são exemplos óbvios, mas há e sempre haverá muitas outras, que para não serem excluídas, nem passarem desapercebidas descobrirão dentro de si o segredo tão utilizado por nossas ancestrais mulheres.
    E, felizmente, a sociedade hoje valoriza mais as cortesãs, inteligentes, sensuais, detentoras do poder, do que reprodutoras casadoiras, que tem por objetivo de vida conquistar um homem, casar e achar que a vida é um utópico conto de fadas cor de rosa.

Maria Izabel Bruginski


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