A Argentina
dança o tango dos liberalóides, por Paulo Ramos Derengoski
A Argentina já
foi um dos países mais ricos do mundo. Grande produtora de cereais,
rainha do trigo, maior exportadora de carne de primeira, auto-suficiente
em petróleo, com abundância de energia, com um índice
populacional equilibrado, um povo culto, terrenos planos, terras fertilíssimas,
costa marítima piscosa, turismo de 1º mundo, gado, madeira,
indústria têxtil, alimentícia, vitivinícola
- tudo....
De repente,
está à beira da falência, redemunhando, despedaçada
e desesperada, como vento minuano que vem dos Andes. As largas avenidas
ou os becos estreitos de Buenos Aires dançam o tango da derrocada,
da inadimplência, do desmoronamento.
O que aconteceu?
Culpa de Evita ou de Isabelita?
Será
apenas o tal do câmbio fixo? Rescaldo de estúpida ditadura
militar? Incompetência do gostosão Menem? Apatia de De la
Rúa? Esgotamento das esquerdas que empunharam armas na hora errada?
Temperamento nostálgico do povo? Culpa do Mercosul? Da Guerra das
Malvinas?
Nada disso!
A Argentina é o mais patético exemplo do fracasso de um modelo
que se diz liberal, mas é apenas libertino. O estado argentino foi
a forma de organização social possível para trazer
progresso à grande nação irmã do Prata. Chegou
a ser democracia social relativamente eficiente, com bons salários,
boa medicina, boa educação, boa alimentação,
transportes eficientes, padrão de vida europeu. O populismo convivia
com o conservadorismo. Os 16 quarteirões centrais de Buenos Aires,
com suas butiques e parrilladas eram um exemplo disso, onde os perfumes
franceses das louras platinadas se misturavam ao cheiro quente dos bifes
de chorizo temperados a vinho tinto.
Tudo isso
acabou, venderam tudo! Desmantelaram o Estado. Entregaram se nas mãos
do capital financeiro internacional de curto prazo. E agora dançam
o lento tango da decadência. Que Deus se apiade da Argentina.....
Paulo Ramos Derengoski é
jornalista e escritor.
Fonte: Caros
Amigos
Consciência.Net